A cantora celebra 40 anos de carreira e em 2016 fará turnê pelo país com seu novo show, ‘É Melhor Ser’, com ingressos a R$ 1

ÉPOCA
Bruno Astuto
17.11.2015

Simone fala dos memes de seu CD de Natal: “Não dou atenção”

Depois de São Paulo e Rio de Janeiro, Simone fará turnê pelo país com o show ‘É Melhor Ser’, em que celebra seus 40 anos de carreira. “É lindo perceber que ainda hoje as pessoas se emocionam com canções como ‘Começar de novo’ e ‘Sob medida’. São clássicos que tenho o privilégio de ter imortalizado”, diz a cantora. Simone estenderá a turnê em 2016, com todos os shows com ingressos a R$ 1.

“Vivemos em um país onde a cultura não é valorizada. Viajar pelo Brasil com preço verdadeiramente popular, simbólico, era um sonho antigo meu”. Uma das artistas preferidas dos memes na internet, principalmente na época de Natal, quando seu álbum 25 de Dezembro, de 1995, é sempre relançado, Simone diz não se importar com as brincadeiras. “Não sou muito conectada, uso a internet apenas para coisas simples. Tenho imenso orgulho em ter realizado o disco de Natal, data do meu aniversário. Se perceber que as críticas são depreciativas, não dou atenção”, diz ela, que bateu um papo com a coluna:

Que balanço faz desses 40 anos de carreira?

Eu olho para trás e tenho muito orgulho de tudo o que fiz. É emocionante relembrar tantos momentos importantes, tantas canções que chegaram ao coração do povo brasileiro. É lindo perceber como ainda hoje as pessoas se emocionam com canções como ‘Começar de novo’, ‘Alma’, ´Sob medida’. São clássicos que fazem parte da história da nossa música e tenho o privilégio de tê-las imortalizado. São quatro décadas me dedicando a cantar e levar amor às pessoas. Em tempos tão difíceis, o amor é sempre algo que aconchega, que reconforta e as pessoas sempre estarão abertas para recebê-lo. Cantar é minha missão, minha profissão, é o retrato fiel da minha alma.

Apesar de todos os modismos e transformações da MPB, você se mantém fiel ao seu estilo. Como preservar sua essência, mas também inovar?

Eu só canto o que acredito, aquilo que me emociona, que bate de verdade. Não aderi aos modismos justamente porque eles não tinham a ver com a minha essência. Mas se for algo novo que me emocione, que me toque, eu gravo com a maior alegria. Só vale a pena se for assim. MPB para mim é a música boa que é feita no Brasil, ela é ampla, pode ser samba, rock, bolero, canções de amor. E procuro estar atenta a tudo que é feito de novo, justamente para que possa seguir reverenciando os grandes talentos. Nesse meu último disco e show, canto Teresa Cristina pela primeira vez. Venho gravando Adriana Calcanhotto, Zélia Duncan, já fiz até uma turnê e um disco com ela. Também sigo gravando Fátima Guedes, Sueli Costa… A obra delas me emociona muito.

Artisticamente falando, se arrepende de alguma escolha?

Eu tenho orgulho de tudo o que fiz, por isso não me arrependo de absolutamente nada. Sempre segui meu coração, minha intuição. E assim chego agora inteira, com uma carreira íntegra e sempre pautada pela verdade.

Como lida com as críticas?

Se uma crítica for construtiva, apontar algum caminho que não tinha percebido, ouço e recebo como um gesto de quem quer colaborar. Se perceber que é algo simplesmente depreciativo, não dou atenção. Eu cresço seguindo a minha intuição e ouvindo aqueles que verdadeiramente conhecem a minha carreira.

Você, principalmente na época do Natal, é uma das preferidas dos memes na internet. Tem conhecimento das brincadeiras que fazem?

Não sou muito conectada, uso só a internet para coisas básicas. Com relação ao disco de Natal, eu tenho um imenso orgulho em tê-lo realizado. É um disco lindo, que não apenas celebra o Natal, mas tem um sabor especial para mim, porque 25 de dezembro é também o meu aniversário.

Falando em internet, você não é muito chegada em redes sociais como Facebook e Instagram. Qual sua relação com as redes?

Como disse antes, uso muito pouco. Tenho minha página oficial de Facebook, mas quase nunca entro, é administrada pela minha equipe. Instagram também uso pouquíssimo. As redes são importantes porque permitem que os fãs tenham mais proximidade com os artistas que admiram e também funcionam como um arquivo vivo da sua obra.

Como surgiu a ideia de cobrar o valor simbólico de R$ 1 para os shows da turnê?

Viajo pelo Brasil inteiro. Tenho a imensa felicidade de ser amada pelo público brasileiro, mas sei também que nem sempre as pessoas podem pagar o preço dos ingressos. Vivemos em um país onde a cultura não é valorizada como merece. Então, era um sonho antigo meu, viajar pelo Brasil com um ingresso verdadeiramente popular, com um preço absolutamente simbólico. É um agradecimento a tudo que recebi nesses anos todos. E queria justamente celebrar com meu público, devolver todo esse amor que recebo. E viajo com o show completo, com cenário, figurino, a banda inteira. Não adaptei o show para uma versão popular. O meu público merece o melhor.

Como se deu a parceria com a Christiane Torloni, que dirige o espetáculo?

A Christiane é uma amiga querida, uma atriz de imensa sensibilidade e que me conhece muito bem. O show é uma homenagem à mulher, às compositoras brasileiras, que venceram preconceitos, derrubaram tabus e se firmaram em um universo que era tão masculino. Quando comecei a cantar, as mulheres eram basicamente intérpretes, os homens é que compunham. E aí, pouco a pouco, nós fomos nos firmando. Como é um show feminino, queria uma mulher dirigindo e logo pensei na Christiane. Eu queria ter o olhar feminino, queria uma pessoa de teatro, que olhasse para mim e me visse. E foi exatamente o que a Chris fez. Ela é uma pessoa de teatro, uma grande atriz, e tem esse universo que eu queria mostrar. Ela me olhava e me via.

Por que você raramente compõe?

Eu não sou compositora. Rabisco algumas ideias, mas quase nunca gravo. O Hermínio Bello de Carvalho vivia me incentivando e no meu disco ‘Na veia’, acabou entrando uma parceria minha com ele chamada ‘Vale a pena Tentar’. Zélia Duncan, que eu chamo de ZD, também me incentiva muito e acabamos compondo juntas, o bolero ‘Só se for’, que está no disco e no show. E tenho um bilhete lindo que a Fernanda Montenegro me deu há muitos anos e decidi musicá-lo para abrir meu disco, ‘É melhor ser’. Mas tudo isso é muito pontual. O meu papel é ser intérprete e, justamente por isso, procuro dar minha visão sobre aquela canção e acabo me tornando co-autora. Cada intérprete grava uma música de um jeito, essa é a grande beleza da nossa profissão.

Você é muito discreta em relação a sua vida pessoal. Como lida com a fama, assédio, pedidos de autógrafos, paparazzi e selfies com fãs?

Eu não faço nada em especial. Sou uma pessoa caseira, levo minha vida normalmente. Não deixo de fazer nada que eu tenha vontade. E tenho imenso carinho pelos meus fãs. Quando eles me encontram, tiro fotos, dou autógrafos, faz parte do meu trabalho e faço isso com a maior alegria. Não sou uma artista perseguida por paparazzi, justamente porque saio pouquíssimo de casa, não frequento os lugares mais badalados. E viajo muito com as turnês, então minha rotina acaba sendo aeroporto/hotel/casa de show. Nada de especial, uma vida de trabalhadora.


 

 

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