CENÓGRAFO HELIO EICHBAUER DEIXA MARCA MODERNISTA NA MÚSICA POPULAR DO BRASIL


O cenógrafo carioca Helio Eichbauer (21 de outubro de 1941 – 20 de julho de 2018) sai de cena aos 77 anos incompletos, na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ), deixando marca modernista na música brasileira.

MAURO FERREIRA – G1 | 21 JUN 2018

Chico Buarque no show ‘Caravanas’, cujo cenário é de Helio Eichbauer (Foto: Divulgação / Leo Aversa)

Não por acaso, os atuais shows dos cantores Caetano Veloso (Ofertório, apresentado desde outubro de 2017 com os filhos Moreno Veloso, Tom Veloso e Zeca Veloso) e Chico Buarque (Caravanas, em turnê nacional desde dezembro) têm cenários criados por Eichbauer, morto na noite de ontem, vítima de ataque cardíaco, minutos após se sentir indisposto, tomar remédio para pressão alta e ir descansar.

Na obra visual de Eichbauer, há um forte traço tropicalista, exemplificado pelo emblemático cenário da montagem mais célebre da peça O rei da vela, orquestrada em 1967 pelo diretor de teatro José Celso Martinez Correa a partir de texto do escritor e ensaísta Oswald de Andrade (1890 – 1954).

Aliás, pintura com reprodução da imagem tropicalista desse cenário estampa a capa do álbum Estrangeiro, lançado em 1989 por Caetano Veloso, artista plenamente identificado desde a década de 1960 com a estética modernista da arte de Eichbauer.

Show ‘Ofertório’, de Caetano Veloso com filhos, tem cenário de Helio Eichbauer (Foto: Jamile Alves / G1)

Sólida, a conexão de Eichbauer com Caetano Veloso e com Chico Buarque atravessou décadas, gerando cenários para sucessivos shows dos cantores – área em que o cenógrafo também trabalhou com Adriana Calcanhotto (em Dois é show, espetáculo feito em 2009 por Adriana Partimpim, heterônimo infantil da artista), Gal Costa (cujo show Mina d’água do meu canto, de 1995, foi dirigido por Eichbauer) e Simone (em É melhor ser, show de 2013), entre outras estrelas da música brasileira.

Nos últimos cenários que criou para os atuais shows de Caetano e Chico, Eichbauer reiterou a assinatura que foi ficando forte ao longo do tempo e reconhecível por espectadores assíduos de shows de música popular.

São cenários minimalistas e metafóricos como o do show Caravanas, adornado por móbiles, cordas e hélices, entre outros elementos habituais na cenografia de Eichbauer. Engenhosamente combinado com o desenho de luz de Maneco Quinderé, o cenário adquire formas geométricas variadas ao longo das duas horas do show de Chico.

Em Ofertório, o show de Caetano com filhos, as quatro cordas de Eichbauer simbolizam o pai e os três filhos. Fiel à estética minimalista, o cenógrafo combinou nesse show familiar elementos que evocam a imagem de cordão umbilical e da barriga de mulher que prepara outra pessoa, mas que também pode ser interpretada como a fértil mãe Terra que gerou família unida por laços de amor e música.

A obra visual de Helio Eichabuer abrangeu várias formas de arte, abarcando música, teatro, cinema e ópera. Mas são nas capas de discos e nos cenários de shows, perpetuados em DVDs, que a marca renovadora do artista, rei de cena, fica documentada para a posteridade.


HELIO EICHBAUER assinou a cenografia do show É MELHOR SER (2013-2016), de Simone, que tinha como destaque um móbile no formato de coração: