BRASIL EXPORT (1973)

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BRASIL EXPORT 73 – À BRUXELLES

Simone et Roberto Ribeiro avec João de Aquino (guitare)
(P) 1973 ODEON (2o álbum)


LADO 1
 
1. BAMBOLEO
 
Bamboleo
(André Filho)
Simone
 
Bamboleo, bambolea
A vida eu levo cantando
Pra não chorar
 
Todo mundo vive triste
Quase sempre reclamando
Mas eu que conheço a escrita
Deixo tudo e vou girando
 
Todo mundo vive triste
Fala, fala, o dia inteiro
O maldito dessa gente
É a falta de dinheiro
 
Neste mundo de ilusão
Só não goza quem não quer
Pois a vida só consiste
No dinheiro e na mulher
 
Tudo passa nessa vida
Nada fica pra semente
Não se matando a tristeza
A tristeza mata a gente
 
Bamboleo, bambolea
A vida eu levo cantando
Pra não chorar
 
2. VOLTEI PRO MORRO
 
Voltei pro morro
(Vicente Paiva Ribeiro/ Luiz Peixoto)
Simone
 
Voltei pro morro
Quero ver o meu cachorro
Meu cachorro vira-lata
Minha cuíca e meu ganzá
 
Voltei pro morro
Mas onde está o meu moreno
Chamem ele pro sereno
Porque se eu não me esbaldar
Eu morro
 
Voltei pro morro
Mas onde estão minhas chinelas
Que eu quero sambar com elas
Vendo as luzes da cidade
 
Voltei, voltei
Ai se eu não mato essa saudade
Eu morro
Voltei pro morro
Voltei
 
Voltando ao berço do samba
Em outras terras cantei
Pela luz que me alumia
Eu juro
 
Que sem a nossa melodia
E a cadência dos pandeiros
Muitas vezes eu chorei
Chorei
 
E eu também senti saudade
Quando esse morro deixei
E é por isso que eu voltei pro morro
 
3. LAMENTO NEGRO
 
Lamento negro
(Secundino/ Humberto Porto)
Simone
 
Xangô, Xangô
Ogum Dil, Ogum Dilê
Xangô, meu Pai
Dilodê
Já se foi lá na Aruanda
Já se foi, se vai
 
Caô
Maleime, meu pai, maleime
Xangô
 
Ô ô ô ô ô
Ô ô ô ô ô
Tetê angorô corumbá
Zi macumba não dá saravá
Zi muleque brada ponto
pra descê
Oxum Marê
pra salvar nossa terera
cundinga madunga marerê
Caô ô
Maleme, meu pai maleme
Xangô
 
4. TRÊS SAMBAS DE RODA
 
Três sambas de roda
(Arranjos e Adaptações de Simone)
a) Que navio é esse
b) Ladeira do Taboão
c) Vai lavar o siri
Simone
 
Que navio é esse que chegou agora,
é o Paraguaçu que já vai embora
 
Na ladeira do Taboão
Eu caí, escorreguei
Quando eu olhei pra trás
Procurei as cadeiras
Não achei
 
Cadeira, pra bulir
Cadeira, pra mexer
Cadeira, o’i ela aqui
Cadeira, já encontrei
 
Oi, vai lavar o siri,
na maré
Oi, o siri vai lavar,
na maré
Siri cozido, siri assado,
siri com molho, bem temperado
 
 
LADO 2
 
1. BERIMBAU
 
Berimbau
(Baden Powell/Vinícius de Moraes)
Roberto Ribeiro e João de Aquino
 
Quem é homem de bem
Não trai
O amor que lhe quer
Seu bem
Quem diz muito que vai
Não vai
Assim como não vai
Não vem
 
Quem de dentro de si
Não sai
Vai morrer sem amar
Ninguém
O dinheiro de quem
Não dá
É o trabalho de quem
Não tem
Capoeira que é bom
Não cai
E se um dia ele cai
Cai bem
 
Capoeira me mandou
Dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou
Vai ter briga de amor
Tristeza, camará
 
2. MANHÃ DE CARNAVAL
 
Manhã de carnaval
(Luiz Bonfá/ Antônio Maria)
Roberto Ribeiro
 
Manhã, tão bonita manhã
Na vida uma nova canção
Em cada flor, o amor
Em cada amor, um bem
O bem do amor faz bem ao coração
 
Então vamos juntos cantar
O azul da manhã que nasceu
O dia já vem
E o seu lindo olhar
Também amanheceu
 
Canta o meu coração
Alegria voltou
Tão feliz a manhã deste amor
 
3. NÃO TENHO LÁGRIMAS
 
Não tenho lágrimas
(Max Bulhões/ Milton de Oliveira)
Roberto Ribeiro
 
Quero chorar, não tenho lágrimas
Que me rolem na face
Prá me socorrer
 
Se eu chorasse
Talvez desabafasse
O que eu sinto no peito eu não posso dizer
 
Só porque não sei chorar
Eu vivo triste a sofrer
 
4. DE UMA NOITE DE FESTA
 
De uma noite de festa
(Marcelo Melo/ Fernando Filizola)
Roberto Ribeiro e Simone
 
Boa noite a todos
À minha chegada
Mestre e contra-mestre
cordões na madrugada
 
Saúdo os marujos
Desta nau tão navegada
Vem trazendo Otolina
Com seu véu todo bordado
Lá pra frente morre um boi
A partilha é animada
Capitão já levou tudo
E o Mateus ficou sem nada
 
Deus lhe dê boa noite, Dona
Boa noite, Deus lhe dê, ó Sinhá Dona
 
Vim passando pela mata
Do Amazonas
Como vai, como passou, Sinhá Dona
Deus lhe dê boa noite, Dona


 
ENCARTES
 
LP (1973)
 
 
CD (2003) – Série ‘ODEON – 100 anos de música no Brasil’
 
 
FICHA TÉCNICA
 
Direção: Hermínio Bello de Carvalho
Agô Kelofé – Simone et Roberto Ribeiro avec João de Aquino (guitare)
À Bruxelles – Brasil Export/73
Arte Gráfica: Laborgraf, São Paulo
 
(P) 1973 Odeon
 
 
Ficha Técnica 
CD
 
Remasterizado por Luigi Hoffer no Digital Mastering Solution, Rio de Janeiro, julho/agosto 2003
Coordenação do Projeto: Sonia Antunes
Marketing Estratégico : Maurício Dias, Alexandre Sarthou e Zenir Kunz
Projeto Gráfico: Pós Imagem Design
Capa gentilmente cedida por Charles Gavin
Sinopse (em anexo ao CD): Tárik de Souza
Consultores: Katsunoni Tanaka, Caetano Rodrigues e Marcus Fernando
Pesquisa, Supervisão e Produção Executiva: Charles Gavin
 
(P) 2003 EMI
 
FORMATOS (primeiras edições)
 
1973 – ODEON – LP (SMOFB 3803)
2003 – EMI – CD (593307 2) Série: ‘ODEON – 100 Anos de Música no Brasil’

 

APRESENTAÇÃO

Quando nasce um disco ele vem carregado de cuidados. Em tudo se espiou de longe, em tudo se olhou bem de perto, para afinal o trabalho pronto ser como um filho, nos primeiros gritos, nos passos primeiros. Ve-lo crescer forte e bonito ganhando palmas de toda gente é sempre o mesmo sonho de seus criadores.

Um disco nasce, cresce e muitas vezes se torna eterno. Agora mesmo um outro vai surgir e antes de ve-lo pronto seus responsáveis se encheram de cuidados maiores, isso porque ele teria a missão quase impossível de correr mundos, de representar a música do Brasil. E tudo isso merecia cuidados e carinhos maiores.

Lá fora irá se realizar a “Brasil Export 73” e isso bem traduzido quer dizer a grande feira que Bruxelas mostrará ao mundo e em que o nosso país se faz presente com tudo que tem de seu. A música aqui está prensada, elaborada, cuidada como num trabalho de artesanato das mãos de um poeta maior, esse de nome Hermínio Bello de Carvalho. O que ele nos entrega é a voz bonita da moça bonita Simone, pedaço da Bahia nos olhos, cheiro de Bahia no sangue, dengues de Bahia no caminhar. Seu canto é a cantiga do Brasil que ontem Carmen Miranda cantou e fez arregalar o olho do homem norte-americano. Ela sabe dizer sua música, como sabe do seu embalo de rede ou do tempero gostoso dos 365 tipos de vatapás que correspondem a cada igreja que a Bahia tem. Simone é presença bonita ao lado do homem do samba: Roberto Ribeiro. Esse vem dos morros cariocas, trazendo no corpo a malícia do sambista de fato e a ingênua rima do partideiro de mil escolas de samba. Ele será a presença do samba inteiro que o Brasil tem e que ele sabe de cór,e, para a beleza e sustentação do rítmo, um violão sonoro, repleto de bordões e acordes mais puros, vem com ele nesta viagem longe pelos quatro cantos do mundo: João de Aquino. Olhar suave de moço contemplativo, ele sabe mistérios novos e descobre mundos nunca vistos todas as vezes que mergulha no braço do seu violão.

A cultura popular musical brasileira se faz presente pela iniciativa de bom gosto da “Brasil Export 73”, que será um espetáculo de portas abertas para o mundo, para os olhos deslumbrados do mundo, sem dúvida, quando virem de perto a beleza de garça de Simone, a brejeirice do samba de Roberto e os acordes geniais de João de Aquino. E tudo isso em tom poético, pelas mãos de santo que só os poetas têm. Aí é Hermínio Bello de Carvalho, (o mesmo da Rosa de Ouro e que raptou Clementina de Jesus) e que não satisfeito ainda carrega com ele um autêntico grupo folclórico baiano.
(Fernando Lôbo)