CAFÉ COM LEITE (1996)

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CAFÉ COM LEITE

Simone
(P) 1996 POLYGRAM    (30o. álbum)



 
1. CAFÉ COM LEITE
 
Café com leite
(Martinho da Vila/Zé Catimba)
 
Se encontraram e se cruzaram
Nosso olhar e nosso jeito
As salivas misturadas
Num sabor mais que perfeito
 
Nosso corpos se entregando
Como boca no sorvete
Estamos bem misturados
Tal e qual café com leite
 
2. BEIJA, ME BEIJA, ME BEIJA
 
Beija, me beija, me beija
(Zé Catimba/ Martinho da Vila)
 
Pela própria natureza
Ela é minha mulher
Tão pureza, tão fogosa
Um botão que virou rosa
Pra ser o meu bem-querer
 
Beija, me beija, me beija
Beija, me beija, me beija
 
Não é Amélia, mas lava roupa
Seca louça e me dá banho
Me enxágua, me enxuga, mas
se vende caro
Pois não é ‘preta de ganho’
Me come, se acaba, inda diz ‘ora veja’
 
Beija, me beija, me beija
Beija, me beija, me beija
 
3. MEU LAIÁ-RAIÁ
 
Meu laiá-raiá
(Martinho da Vila)
 
Você é meu povo
Você é meu samba
Você é a bossa
E a minha voz
Pra você eu trago
Um sambinha novo
Que eu fiz na fossa
Pra cantar a sós
 
E também vieram
Beijos nunca dados
Abraços guardados
Pra você sentir
 
Mas eu quero mesmo
É me enroscar num leito
Apertar seu peito
E depois dormir
 
Dormir sonhando com você
enamorada
Minha noiva muito amada
Meu pedaço de mulher
Minha história, meu segredo
Minha estrela, minha fé
Minha escola, meu enredo
Meu cigarro e meu café
 
La laiá raiá
Raiá raiá raiá
Você é o meu laiá raiá raiá
La laiá raiá
Raiá raiá raiá
Você é o meu laiá raiá laiá
 
Mas eu quero mesmo
É me enroscar num leito
Apertar seu peito
E depois …
 
4. MADALENA DO JUCU
 
Madalena do Jucu
(Martinho da Vila/Assoc. dos Congadeiros do Espírito Santo)
 
Madalena, Madalena
Você é meu bem-querer
Eu vou falar pra todo mundo
Vou falar pra todo mundo
Que eu só quero é você
Eu vou falar pra todo mundo
Vou falar pra todo mundo
Que eu só quero é você
 
Minha mãe não quer que eu vá
Na casa do meu amor
Eu vou perguntar a ela
Eu vou perguntar a ela
Se ela nunca namorou
Madalena…
 
O meu pai não quer que eu case
Mas me quer namorador
Eu vou perguntar a ele
Eu vou perguntar a ele
Porque ele se casou
 
Madalena…
 
Eu fui lá pra Vila Velha
Direto do Grajaú
Só pra ver a Madalena
E ouvir tambor de Congo
Lá na Barra do Jucu
 
5. DISRITMIA
 
Disritmia
(Martinho da Vila)
 
Eu quero
Me esconder debaixo
Dessa sua saia
Pra fugir do mundo
 
Pretendo
Também me embrenhar
No emaranhado
Desses seus cabelos
 
Preciso transfundir seu sangue
Pro meu coração que é tão
vagabundo
 
Me deixa
Te trazer num dengo
Pra num cafuné
Fazer os meus apelos
 
Eu quero
Ser exorcizado
Pela água benta
Desse olhar infindo
 
Que bom é ser fotografado
Mas pelas retinas
Desses olhos lindos
 
Me deixe hipnotizado
Pra acabar de vez
Com essa disritmia
 
Vem logo
Vem curar seu nego
Que chegou de porre
Lá da boemia
 
6. SE EU SOUBESSE QUE TU VINHAS
 
Se eu soubesse que tu vinhas
(Martinho da Vila/ Elton Medeiros)
 
Se eu soubesse que tu vinhas
Eu ia me preparar
Pra contar velhas histórias
Que eu preciso te contar
Se eu soubesse que tu vinhas
Eu ia me renovar
Atirava o lenço fora
Sem motivo pra chorar
 
Ai, meu bem, se tu soubesses
Que a surpresa da presença
Me maltrata mais que a dor
Que eu sofri com a descrença
Ai, meu bem, se tu soubesses
Que chegando de repente
Perturbaste quem te ama
E nem mais sabe o que sentes
 
Usarias teus encantos
Pra fazer-me acreditar
Me curar dos desencantos
E novamente me apaixonar
 
Se eu soubesse que tu vinhas…
 
Regressaste pra descompensar
E fazer minha doida cabeça rodar
Sem sorrir e nem lacrimejar
Eu fiquei sem cantar
Meu larararará
 
7. SAMBA DA CABROCHA BAMBA
 
Samba da cabrocha bamba
(Martinho da Vila)
 
Samba
Da cabrocha bamba
Que sambando sonha
Com um lar na rua
 
Morro
Do malandro triste
A canção existe
Em noites de lua
 
Eu fui num samba
De terreiro iluminado
Vi um caboclo inspirado
Levando um samba de amor
 
E eu sambei, sambei, sambei
Cantei, cantei, afugentei a minha dor
 
8. CANTA, CANTA, MINHA GENTE
 
Canta, canta, minha gente
(Martinho da Vila)
 
Canta, canta, minha gente
Deixa a tristeza pra lá
Canta forte, canta alto
Que a vida vai melhorar
 
Cantem o samba-de-roda
O samba-canção e o samba rasgado
Cantem o samba-de-breque
O samba moderno e o samba quadrado
 
Cantem ciranda, o frevo
O coco, maxixe, baião e xaxado
Mas não cante essa moça bonita
Porque ela está com o marido do lado
 
Canta, canta, minha gente
Deixa a tristeza pra lá
Canta forte, canta alto
Que a vida vai melhorar
 
Quem canta seus males espanta
Lá em cima do morro ou
sambando no asfalto
Eu canto o samba-enredo
Um sambinha lento e um partido-alto
 
Há muito tempo não ouço
O tal do samba sincopado
Só não dá pra cantar mesmo
É vendo o sol nascer quadrado
 
9. QUEM É DO MAR NÃO ENJOA
 
Quem é do mar não enjoa
(Martinho da Vila)
 
Quem é do mar não enjoa
Não enjoa
Chuva fininha é garoa
É garoa
Homem que é homem não chora
Não, não chora
Quando a mulher vai embora
Vai embora
 
Quem quiser saber seu nome
Não precisa perguntar
É o Martinho lá da Vila
Partideiro devagar
Quem quiser falar com ele
Não precisa procurar
Vá aonde tiver samba
Cléo e ele estão por lá
 
Mas quem é do mar não enjoa…
 
Eu cheguei no samba agora
Mas aqui eu vou ficar
Pois quem é mesmo do samba
Vai até o sol raiar
O sereno tá caindo
Tá caindo devagar
Vai cair chuva miúda
E o samba não vai parar
 
Mas quem é do mar não enjoa…
 
Serenou lá na Mangueira
Serenou lá na Portela
Serenou em Madureira
Serenou lá na favela
Serenou lá no Salgueiro
Serenou lá no Capela
Serenou na minha casa
Serenou na casa dela
 
Quem é do mar não enjoa…
 
10. IAIÁ DO CAIS DORADO
 
Iaiá do cais dourado
(Martinho da Vila/ Rodolfo)
 
No Cais Dourado da velha Bahia
Onde estava o capoeira
A Iaiá também se via
Juntos na feira ou na romaria
No banho de cachoeira
E também na pescaria
Dançavam juntos em todo
fandango e festinha
E no reisado, contramestre e pastorinha
Cantavam laiá lalaiá iaiá
 
Nas festas do Alto do Gantois
Mas loucamente a Iaiá do Cais Dourado
Trocou seu amor ardente
Por um moço requintado
E foi se embora
Passear em barco a vela
Desfilando em carruagem
Já não era mais aquela
E o capoeira que era valente chorou
Até que um dia a mulata
Lá nos cais apareceu
E ao ver o seu capoeira
pra ele logo correu
Pediu guarida, mas o capoeira não deu
Desesperada, caiu no mundo a vagar
E o capoeira ficou com
seu povo a cantar
 
Lalaiá Iaiá
 
11. MARÉ MANSA
 
Maré mansa
– Mar calmado –
(Martinho da Vila/ Paulinho da Viola)
 
Pode sorrir se quiser
Que eu não vou me incomodar
Sei que contra a maré
A gente não pode remar
Agora sei a dor de uma ingratidão
Mas a maré vai levar
As mágoas do meu coração
Remo no barco da vida
Água bate, não me cansa
Sempre na maré pesada
Sonhando com a maré mansa
Pescador já não se assusta
Com sorriso de sereia
E depois da maré baixa
Sempre vem a maré cheia
 
12. EX-AMOR
 
Ex-amor *
(Martinho da Vila)
 
com Martinho da Vila
 
Ex-amor
Gostaria que tu soubesses
O quanto que eu sofri
Ao ter que me afastar de ti
 
Não chorei
Como um louco até sorri
Mas no fundo só eu sei
As angústias que senti
 
Sempre sonhamos com o mais
eterno amor
Infelizmente, eu lamento, mas não deu
Nos desgastamos, transformando
tudo em dor
Mas mesmo assim, eu acredito
que valeu
 
Quando a saudade bate forte
é envolvente
Eu me possuo e é na sua intenção
Com a minha cuca naqueles
momentos quentes
Em que se acelerava o meu coração
 
* Fonograma original do CD “Casa de Samba”, Polygram (532 500-2), 1996


 

 
ENCARTES
 
CD
 
 
K7
 
 
 
FICHA TÉCNICA
 
Uma produção PolyGram idealizada por Simone, Marcos Maynard e Max Pierre, dirigida por Max Pierre e Moogie Canázio.
 
Assistente do projeto: Melina Macca
 
Gravação e mixagem: Moogie Canázio;
Gravação de voz em ‘Maré Mansa’, ‘Canta, Canta.’ e ‘Disritmia’: Marcelo Sabóia;
Em ‘Ex-Amor’: Jairo Gualberto e Guilherme Luis.
 
Gravação: Bases e Percussão: Sear Sound (N.Y.); Voz, Coro, Pianos e Flautas: Hit Factory (N.Y.); Cordas: Abbey Road (Londres); Metais: Bill Schnee (L.A.); Percussão e Teclados: Castle Oaks (L.A.); voz: AR (Rio); ‘Ex-Amor’ gravada na Cia. dos Técnicos (Rio)
 
Assistentes: Tom Schick (N.Y.), Paul Falcone (N.Y.), Mike Ross (Londres), John Hendricks (L.A.) e Mike Arvold (L.A.)
 
Mixagem: Castle Oaks (L.A.); Assistente: June Murakawa
 
Masterização: Bernie Grundman
 
Capa:
Criação e Produção: Beth Lago;
Fotos: Fábio Ghivelder;
Maquiagem: Milton Martins;
Cabelo: Sacha;
Design: Gê Alves Pinto e Carolina Monza;
Estrelas: Marcia Santos;
Coordenação gráfica: Geysa Adnet
 
Agradecimentos: Obrigada a todos que colaboraram, acreditaram e participaram deste projeto. A todos da Polygram: Ana, ‘meu jeep’, Eva, Malu, Vivi, Maria Helena, Barney, William, Charles, Julinho, Claudio Rabello, Xam, Moogie, M&M, Jorge Lopes e equipe e a todos que a memória falhou. Um beijo especial ao meu e nosso Edinho ‘Edison Coelho’ e sua equipe. Outros beijos para Mario, Êras, Baby, Mel, Zé Edson, Vicente, Miltinho, Vitor, Mary, Luiz, Gloria, Yara e a todo o meu povo.
 
Martinho, ‘meu nego’,
obrigada por esta grande viagem
que você e seus parceiros me
proporcionaram. Foi muito bom,
Cléo e Preto, valeu!
(Simone)
 
(P) 1996 Polygram
 
FORMATOS
 
1996 – POLYGRAM – CD (534.179-2)
1996 – POLYGRAM – K7 (534.179-4)
 
 
MÚSICOS
 
* Produção da faixa ‘Ex-Amor’ dirigida por Rildo Hora
 
Dori Caymmi: Arranjos e violão em ‘Meu Laiá-Raiá’, ‘Samba da Cabrocha Bamba’ e ‘Quem É do Mar..’.;
Cesar Camargo Mariano: Arranjos e Teclados em ‘Disritmia’, ‘Canta, Canta’, ‘Beija, me Beija’, Piano Acústico em ‘Disritmia’, ‘Quem é do Mar’, ‘Samba da Cabrocha Bamba’ e ‘Meu Laiá-Raiá’;
Julio Teixeira: Arranjos e Teclados em ‘Se eu Soubesse’, ‘Iaiá do Cais Dourado’ e ‘Madalena do Jucu’;
Heitor T.P.: Arranjos, Violão e Guitarra em ‘Maré Mansa’; Violão e Guitarra em ‘Meu Laiá-Raiá’, ‘Beija, me Beija’; Violão em ‘Iaiá do Cais Dourado’ e ‘Se eu Soubesse’; Guitarra em ‘Madalena do Jucu’, ‘Canta, Canta’,’Disritmia’ e ‘Samba da Cabrocha Bamba’;
 
Graham Preskett: Regência em todas as faixas e arranjo de cordas em ‘Disritmia’;
Cezinha: Bateria;
Pedro Ivo: Baixo;
Paulinho da Costa: Percussão;
Luis Conte (e Paulinho): Percussão em ‘Beija, me Beija, me Beija’;
Zé Luiz e Bill Harris: Flautas
 
Metais: Trompete e Flugel: Jerry Hey e Gary Grant; Sax-alto e tenor: Larry Williams; Trombone: Bill Reinchenbach e Lou Mcreary
 
Naipe de Cordas (Londres): Graham Preskett (vinte violinos, dez violas, oito cellos e dois contrabaixos)

APRESENTAÇÃO
“Nosso olhar e nosso jeito
As salivas misturadas
Num sabor mais que perfeito
Nossos corpos se entregando
Como boca no sorvete
Estamos bem misturados
Tal e qual café com leite”

Café com Leite, o novo álbum de Simone, vem selar definitivamente um casamento de matizes musicais. Assim como o café e o leite se misturam harmoniosamente na xícara de algum bar suburbano, Simone, uma das maiores intérpretes da Musica Popular Brasileira, envolve sua voz à soberana obra de Martinho da Vila para esta ganhar uma nova coloração e sabor.
A história do disco pode muito bem vir de um casamento já anunciado por flertes ligeiros em discos anteriores, como no já ousado projeto Casa de Samba onde os dois reuniram-se no dueto Ex-Amor. Este, como não poderia deixar de ser, também está presente nesta mistura do café e do leite.
Abrindo e batizando o novo álbum, uma altaneira e solitária voz de Simone solfeja a quase vinheta CAFÉ COM LEITE. A poesia sugere a combinação perfeita em gostos, odores e sabores na composição de Martinho em parceria com Zé Catimba. Dos dois é também a que vem em seguida: BEIJA, ME BEIJA. Desvendando um pouco da alma deste novo trabalho, a faixa funde a indolência carioca de Martinho à sensualidade de algum beira-mar baiano de Simone para criar uma paisagem de sedução. Um ambiente onde a artista é rainha. Interessante é também notar o irrequieto suingue latino que inova e tonifica a faixa.
MEU LAIA-RAIÁ, sucesso na voz do próprio Martinho, é uma coleção das mais belas definições para o ser amado. A excelência da interpretação de Simone revela todos os contornos da melodia e nuances da letra com leveza e muita sabedoria. Café com Leite escancara as portas de Vila Velha do Espírito Santo em MADALENA DO JUCU. Aqui, a cantora abre a roda e puxa o irresistível refrão que Martinho da Vila foi buscar com os congadeiros lá na Barra do Jucu.
É bonito se deixar levar pelo diálogo de piano e cordas que introduz DISRITMIA. Neste clássico, Simone, em um suntuoso clima de recital, sussurra ao ouvido caprichos e sugere a vulnerabilidade da paixão. Mudando totalmente o clima, aparece SE EU SOUBESSE QUE TU VINHAS. Esta, composta com Elton Medeiros, fica ainda mais faceira na interpretação de Simone e, vez em quando, escorrega despretensiosamente no calango. Já o clima cool conseguido pela cantora em SAMBA DA CABROCHA BAMBA mantém presas as rédeas do samba, para tirar dele o máximo de suas possibilidades.
Em seguida, Café com Leite traz a releitura de Simone para CANTA CANTA MINHA GENTE que, sem nenhum favor, contribui para a definitiva perpetuação de um hino dedicado ao poder transformador da música. O partido alto, primeiro single de Café com Leite a ganhar as ruas, é um dos maiores sucessos da história dos anos 70 do rádio brasileiro e exibe um incendiado arranjo de metais como há muito não se via.
QUEM É DO MAR NÃO ENJOA e Simone, que não é marinheira de primeira viagem, também não. Por isso ela chega miudinha em uma homenagem evidente ao jeito malemolente de Martinho da Vila cantar.
IÁIÁ DO CAIS DOURADO, parceria com Rodolfo, data o início de carreira do compositor. Originalmente um samba de avenida, em Café com Leite a música pega o sotaque do samba-de-roda e conta uma sofrida história de amor de um capoeira. Um momento raro da música popular chega com MARÉ MANSA (MAR CALMADO). Vila Isabel e Portela deságuam na voz de Simone. Uma preciosa parceria de Martinho da Vila com Paulinho da Viola. A música recebe um tratamento interiorano nos arranjos e soa deliciosamente cabocla. A límpida interpretação da cantora como que lustra cada sílaba e entrega letra e melodia aos ouvidos com cristalina pureza.
EX-AMOR, um dueto de Simone & Martinho encerra Café com Leite e celebra a união desse disco. É Martinho da Vila na veia em uma de suas mais ousadas letras “… Eu me possuo e é na sua intenção…”, o poeta consegue tocar o tabu com elegância e extrai beleza da pedra.
Café com Leite teve sua produção dirigida por Max Pierre e Moogie Canázio, excetuando EX-AMOR. Esta, dirigida por Rildo Hora para o projeto Casa de Samba.
Neste trabalho Simone, novamente, exibe a ousadia que sempre norteou seus passos e reafirma a responsabilidade de uma intérprete que não se limita simplesmente a emprestar sua voz a canções, mas também em trazer à tona o que entende ser o essencial. A entrega ao amor, a paixão e a todos os sentimentos que envolvem essa mística, foi a substância que catalisou a mistura de Martinho com Simone e fez dos dois uma só essência: o café com leite. Popular, saboroso e renovador.
Acima de qualquer coisa Café com Leite contribui para colocar o conjunto da obra de Martinho da Vila em seu mais que merecido lugar na galeria da Música Popular Brasileira. E lançando luzes sobre o repertório de um bamba como Martinho, Simone remove as últimas pedras das ruínas de um apartheid cultural que, por algum tempo, obstruiu o caminho da música nascida nos morros e subúrbios cariocas em direção ao coração do povo brasileiro

(Departamento de Imprensa, novembro de 1996)

“Chama-se vulgarmente “café com leite” tanto a mulata quanto o casal de preto e branco”
Trecho de “O Café na História, no Folclore e nas Belas Artes” (Basílio de Magalhães)