HÁ RAÍZES NA PRAÇA DO POVO


O Festival começa hoje e vai até sábado com música de Portugal, Brasil, Cabo Verde e Cuba

PAULA HENRIQUES – DIÁRIO DE NOTÍCIAS | FUNCHAL – ILHA DA MADEIRA | 14 JUN 2018

Hoje actuam os Xarabanda, com um grupo de convidados e música tradicional madeirense, seguidos da cubana Brenda Navarrete. Foto DR

As raízes foram este ano mais fundas e mergulharam nas celebrações dos 600 anos da Madeira e Porto Santo. O Festival Raízes do Atlântico começa hoje com o primeiro de três dias de música ao vivo na Praça do Povo, o primeiro deles com a cubana Brenda Navarrete como artista principal. Lura fecha as actuações de amanhã e a brasileira Simone o de sábado. É o grande concerto deste ano, vai encerrar a edição de 2018. Há ainda na lista de artistas a Brigada Vítor Jara e os madeirenses Terras da Vera Cruz e Xarabanda, este último abrir o evento hoje a partir das 21 horas.

Vítor Sardinha não tem dúvidas em relação à qualidade do alinhamento desta edição. “Está muito bem, centrou nas raízes e centrou no Atlântico os artistas e o reportório”, defendeu o músico, que no sábado estreia neste palco o Terras da Vera Cruz, um projecto criado de raiz para os 600 anos a partir da lusofonia e da música tradicional da Madeira e Porto Santo, Açores, continente e Cabo Verde, com ligação aos ritmos e sonoridade do Brasil, feito de temas tradicionais, interpretados com novos arranjos. Há ainda alguns temas originais, compostos por Vítor Sardinha no alinhamento.

O cruzamento de músicos experientes das áreas do jazz, do rock e da música erudita é um dos pontos fortes do projecto, que junta Carla Isabel Moniz na voz; Vítor Sardinha na guitarra e viola de arame; Nuno Nicolau no piano e sintetizadores; Miguel Marques no baixo; António Barbosa na bateria; Duarte Salgado na percussão; Sandra Sá no violino; e Lino Rodrigues na flauta transversal. Muitos já se cruzaram antes em outras formações de Sardinha, como o Medioatlântico e o Rajame.

“A ideia base é lusofonia atlântica e a ligação de Portugal e da língua portuguesa à cultura que se faz no Atlântico, nas ilhas da Macaronésia e Brasil”, explicou. Para além dos temas do cancioneiro madeirense, açoriano, continental e cabo-verdiano, o músico, compositor e investigador juntou uns temas seus que vai tocar em viola de arame. Este projecto liga a Madeira ao mundo português. “É isto que também significa a Madeira e os 600 anos significam isto mesmo, a ligação ao exterior do ‘mare nostrum’, que podemos dizer que é o Oceano Atlântico e as culturas que se exprimem em português.”

O concerto desta noite é ainda mais especial para Vítor Sardinha pois vai interpretar ao vivo pela primeira vez o seu disco ‘Terras da Vera Cruz’, gravado em 1997 e que nunca foi a concerto. O músico morava na altura em Lisboa e gravou no Funchal. “Na Expo98 ainda se tentou, mas era muito dispendioso, a logística e etc.”

Durante dois anos o grupo vai ter disponível este reportório para apresentar em outros palcos. A primeira apresentação é no sábado às 21 horas.

Rendido à Simone

“É uma honra fazer a primeira parte da Simone”, confessou Vítor Sardinha. “Eu tenho recebido tantas mensagens dos meus amigos do Brasil a perguntar como é que eu consegui”. “De todos os concertos que eu já fiz, este é o mais importante”, assumiu. “É um ícone e um ídolo nosso, há tanto tempo”.

Simone – Foto: Leo Aversa

Pelo meio dos dois, a organização faz uma pausa para que as pessoas possam assistir às 22h30 ao espectáculo piromusical integrado Festival do Atlântico.

Xarabanda traz amigos

O Festival Raízes do Atlântico começa hoje com o grupo de música tradicional madeirense Xarabanda, às 21 horas. O grupo liderado por Rui Camacho conta com 37 anos de actividade e pretende editar uma colectânea com a sua obra completa ainda este ano. Sobe ao palco com alguns convidados, cantadores de improviso com quem vão partilhar temas da música madeirense.

Às 22h30 pode ouvir Brena Navarrete, artista que vem conquistando o mundo com a sua voz e percussão e conhecida pela combinação de vários estilos. A base é jazz latino, com influências afro-cubanas.

Amanhã, às mesmas horas, pode ouvir a abrir a Brigada Vítor Jara, seguida de Lura, de ascendência cabo-verdiana, voz que já acompanhou Cesária Évora e que ganhou um lugar próprio.

No sábado, como referido, actua Terras da Vera Cruz às 21 horas, às 22h10 há uma pausa para o espectáculo de fogo do Festival do Atlântico e pelas 23 horas actua Sinome.

A participação é livre. Há lugares sentados para os que chegarem primeiro e convidados.