‘MALU MULHER’ DEBATIA A EMANCIPAÇÃO FEMININA E ABORDAVA TEMAS POLÊMICOS 40 ANOS ATRÁS


Série estreou em 1979 e ousou ao mostrar a saga de uma mulher desquitada, e discutir tabus

GSHOW | 24.05.2019

Em pleno 2019, os dramas e desafios de uma mulher que se separa do marido podem parecer algo comum, ou corriqueiro, afinal de contas vivemos uma primavera feminista e o fim do casamento deixou de ser tabu faz tempo para muita gente. Mas há 40 anos, ser desquitada significava enfrentar muito preconceito, dificuldades para seguir a vida e criar os filhos. Num tempo em que violência contra a mulher ainda era vista como “briga de casal”, a série Malu Mulher se propôs a debater a emancipação feminina e outros temas polêmicos.

Malu Mulher tratava da condição da mulher brasileira no final dos anos 1970 — Foto: TV Globo

A abertura era embalada pela canção “Começar de Novo”, na voz de Simone *. E Malu (Regina Duarte) aparece como uma mulher forte, independente e empoderada (embora esse termo ainda estivesse longe de ser usado):

VÍDEO

Em entrevista ao Memória Globo, Dennis Carvalho comenta que o primeiro episódio recebeu mais de sete prêmios. O sucesso e o impacto do seriado como um todo foi enorme. Além de ter sido exportado para cerca de 50 países, ganhou diversos prêmios, dentre eles o Prêmio Ondas, da Sociedade Espanhola de Radiodifusão e da Rádio Barcelona, em 1979. E no ano seguinte levou o Prêmio Iris de melhor produção estrangeira exibida pela televisão nos Estados Unidos. Também foi considerado o melhor programa de TV em Portugal e na Grécia em 1982.

É claro que, dada a época em que foi ao ar, a série precisou enfrentar a censura. Apesar de ter sido aprovado, um dos episódios escrito por Walther Negrão foi vetado e depois até conseguiu liberação, mas não a tempo de ser exibido na segunda e última temporada. Outra conquista foi ter sido vendido para Cuba em 1983, apesar de as exportações brasileiras para aquele país ainda estarem proibidas na época.

Malu (Regina Duarte) e sua filha Elisa (Narjara Turetta) em cena de ‘Malu Mulher’ — Foto: TV Globo

Os dramas de Malu abordaram vários temas considerados tabus na época, como aborto, virgindade, vida sexual feminina e o prazer, a primeira menstruação de Elisa (Narjara Turetta), a filha adolescente da protagonista, e claro, o divórcio e a violência contra a mulher. Foi nesta série que foi ao ar a primeira cena que sugere um orgasmo na TV.

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Confira trecho de matéria publicada no jornal ‘Folha de S.Paulo’, dia 24 de maio de 2019, por Karina Matias:
Regina Duarte em cena de “Malu Mulher” – Reprodução

“Bate, bate bastante. Mata. Mas é a última vez que você encosta em mim.” Essa frase é dita por Malu, papel de Regina Duarte, para o então marido Pedro Henrique, personagem de Dennis Carvalho, no primeiro episódio de “Malu Mulher”.

A série da Globo, que foi ao ar em 1979, marcou a televisão brasileira por abordar temas do universo feminino até então considerados tabus, como separação, sexo, orgasmo, violência doméstica, menstruação, aborto, virgindade, entre outros.

No capítulo de estreia, que foi ao ar no dia 24 de maio, há exatos 40 anos, Malu descobre uma traição do marido. Na briga, ele dá um bofetão em Malu, que decide pedir o desquite –a Lei do Divórcio, de 1977, estabelecia o período de três anos de separação judicial para só então o casal requerer a conversão do desquite em divórcio, que só poderia ser solicitado uma única vez. A legislação foi alterada em 1988 diminuindo esse período para um ano – só em 2010 foi extinta a necessidade de uma prévia separação.

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* TRILHA SONORATema de abertura

De acordo com ao site Memória Globo: “O grande destaque da trilha era a canção que tocava na abertura do seriado: ‘Começar de Novo’, composta especialmente para o seriado por Ivan Lins e Vitor Martins e interpretada por Simone. Para a abertura, a canção ganhou uma versão instrumental:


TRILHA SONORA
A trilha sonora de Malu Mulher foi produzida por Guto Graça Mello, com pesquisa de repertório de Arnaldo Schneider. Entre as 11 faixas, apenas intérpretes femininas.

O grande destaque da trilha era a canção que tocava na abertura do seriado: Começar de Novo, composta especialmente para o seriado por Ivan Lins e Vitor Martins e interpretada por Simone. Para a abertura, a canção ganhou uma versão instrumental. Para a exibição do seriado nos Estados Unidos, a música foi regravada por Barbra Streisand e Sarah Vaughan.

A letra de Começar de Novo marcou uma geração com versos que falavam sobre reconstruir, sozinho, a vida após uma separação: “Começar de novo/ E contar comigo/ Vai valer a pena/ Ter amanhecido/ Ter me rebelado/ Ter me debatido/ Ter me machucado/ Ter sobrevivido”.

Começar de Novo – Simone, de Ivan Lins e Vitor Martins
O Bêbado e a Equilibrista – Elis Regina, de Aldir Blanc e João Bosco
Mania de Você – Rita Lee, dela própria com Roberto de Carvalho
Álibi – Maria Bethânia, de Djavan
Que me Venha Esse Homem – Fafá de Belém
Seu Corpo – Joanna
Paula e Bebeto – Gal Costa, de Milton Nascimento e Caetano Veloso
Dois Meninos – Maysa
Não Há Cabeça – Marina
Pecado Original – Zezé Motta
Feminina – Quarteto em Cy

Escrito por: Armando Costa, Lenita Plonczynski, Renata Palottini, Manoel Carlos e Euclydes Marinho
Direção: Daniel Filho, Paulo Afonso Grisolli e Dennis Carvalho
Direção-geral: Daniel Filho
Período de exibição: 24/05/1979 – 22/12/1980
Horário: quinta-feira, às 22h; a partir de 1980, às segundas
Nº de episódios: 76