ALFONSINA Y EL MAR


Por la blanda arena que lame el mar
su pequeña huella no vuelve más
y un sendero solo de pena y silencio llegó
hasta el agua profunda
y un sendero solo de penas puras llegó
hasta la espuma
Sabe Dios que angustia te acompañó
qué dolores viejos calló tu voz
para recostarte arrullada en el canto
de las caracolas marinas
la canción que canta en el fondo oscuro del mar
la caracola
Te vas Alfonsina con tu soledad
¿qué poemas nuevos fuiste a buscar?
Y una voz antigua de viento y de mar
te requiebra el alma
y la está llamando
y te vas, hacia allá como en sueños,
dormida Alfonsina, vestida de mar.
Cinco sirenitas te llevarán
por caminos de algas y de coral
y fosforescentes caballos marinos harán
una ronda a tu lado.
Y los habitantes del agua van a nadar
pronto a tu lado.
Bájame la lámpara un poco más
déjame que duerma, nodriza en paz
y si llama él no le digas que estoy,
dile que Alfonsina no vuelve.
y si llama él no le digas nunca que estoy,
di que me he ido.

 

ALFONSINA Y EL MAR (1968)
Música: Ariel Ramirez – Letra: Felix Luna
Gravada por Simone no álbum CORPO E ALMA (1982)

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ALFONSINA Y EL MAR OUTRA VERSÃO: Incluída na coletânea promocional SIMONE (lançada no exterior/ 1987)

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Simone e Alfonsina Storni (Fotomontagem)

 


ALFONSINA STORNI
“vestida de mar …”

 
Afonsina Storni nasceu em 29 de maio de 1892, na cidade de Sala Capriasca, no Cantão Ticino da Suíça italiana. Chegou com seus pais a Argentina quando tinha quatro anos de idade e passou a sua infancia na provincia de San Juan, continuando os seus estudos em Coronda, provincia de Santa Fé, onde tirou o curso de profesora primária.
A situação economica difícil da familia a obrigou a trabalhar desde muito jovem numa fábrica de chapéus , como professora em Rosario e já, em Buenos Aires como empregada numa casa comercial. Isso, contudo, não a impediu de se interessar e ingressar no mundo das revistas literárias como “Mundo Rosarino”, “ Monos y Monadas” e “ Mundo Argentino”, onde viu publicados alguns dos seus poemas.
De um relacionamento, segundo os seus biógrafos, com um homem mais velho, casado e jornalista, teve em 1912 o seu único filho, Alejandro. Também trabalhou na revista “Caras y Caretas” e no ano de 1916 foi editado o seu primeiro livro de poemas “ La inquietud del rosal” que recebe o Primeiro Premio Municipal de Poesia e o Segundo Premio Nacional de Literatura.
Alfonsina teve um papel preponderante na criação da Sociedade Argentina de Escritores , ocupou uma cátedra no Teatro Infantil Albarden e em 1923 foi professora de declamação na Escola Normal das Lenguas Vivas , bem como, no Conservatório Nacional de Música.
Foi amiga de muitos poetas e escritores que marcaram com os seus trabalhos a vida literária dessa época, o mexicano Amado Nervo, o uruguayo José Enrique Rodó, José Ingenieros e muitos outros, mas quem mais de perto conviveu com Alfonsina, foi o escritor uruguayo Horacio Quiroga, com quem manteve uma relação ambígua , atraída pela sua forte personalidade, desde 1922.

Em 18 de outubro do mesmo ano, Alfonsina viaja para Mar Del Plata, supostamente para descansar, e dali envia ao Jornal “La Nacion” seu poema de despedida “Voy a dormir”.
Uma noite, depois de horas de intensa dor provocada pelo câncer, chama a empregada da pensão onde se encontrava e dita uma carta a ser entregue a seu filho. Na madrugada de 25 de outubro de 1938, Alfonsina, de 46 anos, debaixo de uma chuva torrencial, caminha para o mar. Pela manhã, dois trabalhadores descobriram um cadáver na praia La Perla.
“A escritora Alfonsina Storni foi essa mulher inquieta, diferente, numa sociedade que teve de combater para reafirmar a sua condição de mulher… e mulher digna. Lutou, num “mundo de homens” para conquistar o seu lugar, sozinha, desdenhando ser apenas uma figura de enfeite num espaço fechado como era a sociedade argentina no princípio do século.
Nela e através dela foi gerado um novo modelo de mulher, capaz de ganhar o seu próprio sustento, com independencia familiar e ousadia de criar sozinha um filho, Alejandro. Alfonsina foi a voz que se elevou para discutir de igual para igual os direitos femininos”.
“Desde a profundidade dos seus olhos claros, pode ver um futuro onde os seus ideais a todas chegaria e convidaria a lutarem pela justiça e pela verdade”, assim inicia a escritora Juana Colodro o seu texto na Revista Festa, sobre Alfonsina Storni, considerada, por muitos, como a maior poeta da Argentina do século XX , cujo fim trágico inspirou os compositores Felix Luna e Ariel Ramirez a escreverem a canção “Alfonsina y el Mar” que integra a obra “Mujeres Argentinas”, composta em 1968 e gravada no ano seguinte, na sua totalidade, por Mercedes Sosa.

(Texto original em espanhol Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes  – LIVRE TRADUÇÃO por Café Simone)


 
VOY A DORMIR
Alfonsina Storni
 
Dientes de flores, cofia de rocio,
manos de hierbas, tú, nodriza fina,
tenme prestas las sábanas terrosas
y el edredón de musgos encardados.
Voy a dormir, nodríza mía, acuéstame.
Ponme una lámpara a la cabecera;
una constelacíón; la que te guste;
todas son buenas; bájala un poquito.
Dejame sola: oyes romper los brotes…
te acuna un pie celeste desde arriba
y un pájaro te traza unos compases
para que olvides… Gracias.
Ah, un encargo:
si él llama nuevamente por teléfono
le dices que no insista, que he salido…

 
 

 


 

OS AUTORES

ARIEL RAMIREZ

FELIX LUNA

 


 
VÍDEOS

‘Alfonsina y el mar’ | Simone
Especial ‘Simone’ | ATC Canal 7, Argentina | 1984

Viajes a la poesía: Alfonsina Storni (1892 – 1938)
Documentário | Por Hugo Cuevas-Mohr



Descrição
: Este es el primer video de la serie “Viajes a la poesía”. En este mini-documental, el poeta Hugo Cuevas-Mohr nos lleva al encuentro de Alfonsina Storni, sus últimos días en Mar del Plata en Octubre de 1938, el tributo a su memoria en la Playa de la Perla y su tumba en el cementerio de la Chacarita en Buenos Aires. Además, nos cuenta la inspiración detrás de “Alfonsina y el Mar” de Feliz Luna y Ariel Ramirez, en la canción que hiciera famosa Mercedes Sosa.

REFERÊNCIAS: Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes  |  Palabra Virtual |  Revista Festa |  Centro Virtual Cervantes