SIMONE CANTA BRASIL Estádio do Morumbi (1982)

Pra não dizer que não falei de flores    Caminando (remix)    Fotos Anos 1980


 

CANTA BRASIL  1a. Edição
Estádio do Morumbi, São Paulo (SP), 07.02.1982
Exibido em 17.02.1982 pela Rede Globo
 
A primeira edição de CANTA BRASIL reuniu, no dia 17 de fevereiro de 1982, um elenco de grandes nomes da música e do humor no estádio do Morumbi, em São Paulo. Durante três horas e meia, cerca de 110 mil pessoas assistiram às apresentações de César Camargo Mariano, Chico Buarque de Hollanda, Clara Nunes, Elba Ramalho, Fagner, Gonzaguinha, Ivan Lins, Milton Nascimento, MPB-4, Nara Leão, Paulinho da Viola, Simone, Djavan, Toquinho, Os Trapalhões e Chico Anysio. O especial foi exibido dez dias depois, em uma versão compacta de duas horas.
(Site Memória Globo)
 
Simone fala sobre o CANTA BRASIL (entrevista de 1988)

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COM Simone, Fagner, Toquinho, Chico Buarque, Milton Nascimento, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Gozanguinha, Elba Ramalho, Paulinho da Viola, Djavan, Nara Leão, Clara Nunes e João Bosco.
 
ROTEIRO músicas cantadas por Simone 
AQUARELA DO BRASIL (Ary Barroso)
TÔ VOLTANDO (Maurício Tapajós/ Paulo César Pinheiro)
PEQUENINO CÃO (Caio Sílvio/ Fausto Nilo)
PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES (Geraldo Vandré)

EDIÇÕES Além desta PRIMEIRA edição do CANTA BRASIL no Morumbi, foram realizadas mais 3: A SEGUNDA em abril de 1982 no Estádio Beira-Rio em Porto Alegre RS, exibida em 23/07/1982 na TV RBS, a TERCEIRA no dia 01/05/1983 no Anhembi, São Paulo e a QUARTA (esta sem a participação de Simone) realizada em 02.061984 na Praça da Apoteose, Rio de Janeiro. [+ MAIS]


 

 
Simone Bittencourt de Oliveira nasceu duas vezes. A primeira, em 1949, num bairro de classe média de Salvador, na Bahia. A segunda, na noite de 7 de fevereiro passado, no estádio do Morumbi, em São Paulo, quando ergueu um coro de 90.000 vozes na apoteose do show ‘Canta Brasil’, com a canção ‘Caminhando’ nos nos lábios e lágrimas nos olhos. Quando terminou de cantar, era mais uma estrela no céu.
(Okky de Souza,VEJA, 24.03.1982)

Foto: Irmo Celso/ Veja

 

A maior consagração, entretanto, foi a de Simone. Depois de sua apresentação, nas cadeiras de pistas, comentava-se que, depois daquela noite, haveria duas pessoas na música popular brasileira: Simone e os outros.
Ela trouxe de novo para o palco os Golden Boys e fez todo o estádio chorar quando cantou ‘Pra não dizer que não falei de flores’, de Geraldo Vandré: com as mãos entrelaçadas no alto, dedos abertos em sinal de paz, os corpos balançantes, com os Golden Boys parados em posição de respeito, 100 mil pessoas cantaram: ‘Vem vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer…’
Durante cinco minutos a multidão pediu a volta de Simone.
(Sônia Carvalho, Jornal do Brasil, 09.02.1982)

Foto: Irmo Celso/ Veja

 

CANTA BRASIL

Em 7 de fevereiro, Clara (Nunes) foi chamada por Chico (Buarque) para participar do ‘Canta Brasil’, um show com aquelas características dos espetáculos do 1o. de Maio, de cunho político, cujo objetivo era, mais uma vez, arrecadar fundos para sindicatos ou campanhas políticas, como o ‘Diretas Já’. O ‘Canta Brasil era uma continuidade dos shows de 1o. de Maio. A TV Globo, para não se comprometer, transmitiu a apresentação que reunia Chico, Simone, Clara, Milton e mais um time de bambas da música brasileira como sendo um especial em memória de Elis Regina, que acabara de morrer. Argumento tolo, inventando pela emissora, para não explicar o real motivo do espetáculo: uma frente de resistência da classe artística à situação político-partidária do Brasil.
Simone, inclusive, protagonizou um dos mais belos momentos daquela fase de abertura quando cantou, emocionada, ‘Pra não dizer que não falei de flores’, acompanhada pelas cerca de 90 mil pessoas que lotavam o Morumbi, em São Paulo.
Por causa de uma forte chuva que caíra no dia 5, data em que o show seria realizado, um adiamento para o dia seguinte foi solicitado pela TV Globo. Todos toparam. Clara encerrou o show, aberto por Paulinho da Viola.
(Excerto do livro ‘Clara Nunes, Guerreira da utopia’, Vagner Fernandes, Ediouro, 2007)

 

CANTA BRASIL:
100 mil pessoas na maior festa da MPB

15h00 – Um grande empurra-empurra nos portões do Morumbi. Nos arredores, o trânsito já estava congestionado.
15h15 – Os portões do Morumbi são abertos. Na correria, o primeiro socorro: uma moça quebrou o pé. Ao entrar no estádio, o público já absorve o clima de festa. O ensaio já começou e Simone testa o seu ‘Tô voltando’.
19h00 – O empurra-empurra começa a causar pânico aos 800 PMs presentes no estádio. O tenente Pessim afirma com convicção: “Não vai haver pancadaria. Aqui é o batalhão da flor e do amor”.
19h20 – As luzes do palco se acendem. Em meio a muita confusão, entra Paulinho da Viola cantando três sambas.
19h50 – Elba Ramalho interrompe ‘Bate Coração’ para um aviso: 50 pessoas já haviam sido encaminhadas para o Pronto Socorro. Durante a apresentação de Ivan Lins, muita gente ainda sai carregada.
20h00 – A coisa começa a acalmar quando Simone, da cabine de som, pede com emoção: “gente, por favor, vocês sabem da dificuldade de juntar todo esse povo para uma festa incrível. Nós queremos curtir a alegria, o amor, tem gente se machucando, ainda temos mais três horas de shows …”
20h10 – À presença de Milton Nascimento, o pessoal se acalma, senta no gramado. Aos poucos, todos se dão as mãos para acompanhar ‘Canção da América’, em que Milton faz uma homenagem a Elis Regina, “qualquer dia, amiga, a gente vai se encontrar”. No estádio, uma enorme faixa se ergue: “Elis, você está presente porque aqui é o povo que canta”.
20h20 – Um dos momentos mais fascinantes do espetáculo: o céu nublado, ameaçando chuva. O MPB-4 começa a canta A LUA e, de repente, diante de surpresa geral, ela aparece no céu espantando as nuvens e sendo recebida com aplausos por todos que lotam o estádio. Depois vieram Toquinho, Nara Leão e Djavan.
21h00 – O grande delírio. Com todo seu magnetismo, voz clara, ares de grande emoção e entusiasmo, entra Simone – ‘Aquarela do Brasil’, ‘Tô voltando’, ‘Pequenino cão’. Violão em punho, silêncio. O Morumbi inteiro, mãos apertadas, entoa ‘Pra não dizer que não falei de flores’. Simone chora. O povo canta …
21h45 – Enfrentando um uníssono “queremos Simone”, Pepeu e Baby Consuelo mudam o clima nostálgico; temperando-o com uma apresentação simplesmente alucinante, de muita musicalidade. A eles se seguiram Moraes Moreira, Fagner, Gonzaguinha, Chico Buarque e Renato Aragão.
23h15 – Mais uma homenagem. João Bosco, frente a um painel que mostra Elis, pede que todos o acompanhe em ‘O bêbado e a equilibrista’.
00h00 – O final do show com Clara Nunes e sua ‘Morena de Angola’ e ‘Portela’. Mas, um grande carnaval acaba coroando a maior festa da MPB. Os artistas de volta ao palco fazem cordões. No estádio, guarda-chuvas abertos, o céu iluminado por muitos fogos de artifício. Ao som de ‘Festa do interior’, com Moraes Moreira, o delírio é geral. Um enorme coração de mais de 100 mil pessoas prova que tudo aquilo só podia ser brasileiro!

(Eliana Ferrer e Almir Nahas, TV Contigo, fevereiro de 1982)

AINDA sobre o show, Regina Echeverria escreveu no livro ‘Furacão Elis’ (Nórdica, 1985), “mais uma homenagem, e monumental, sobe um enorme painel com o rosto de Elis, e todos – artistas, público, cem mil vozes – cantam ‘O bêbado e a equilibrista’, de João Bosco e Aldir Blanc”.

 

 

 


 

O GRANDE DELÍRIO. Com todo seu magnetismo, voz clara, ares de grande emoção e entusiasmo, entra Simone – ‘Aquarela do Brasil’, ‘Tô voltando’, ‘Pequenino cão’… Violão em punho, silêncio. O Morumbi inteiro, mãos apertadas, entoa ‘Pra não dizer que não falei de flores’. Simone chora. O povo canta … 
(Eliana Ferrer e Almir Nahas, TV Contigo, fevereiro de 1982)
 
“Vem, vamos embora,
que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora,
não espera acontecer”

 

Pra não dizer que não falei de flores | Simone e Golden Boys (vocal)
Canta Brasil, Estádio do Morumbi, São Paulo (SP), 1982

 

 


 

Emocionada, Simone deixa o palco do CANTA BRASIL

Foto: Eduardo Franca/ Globo
 
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