O AMANHÃ


A cigana leu o meu destino
Eu sonhei
Bola de cristal, jogo de búzios
Cartomante
Eu sempre perguntei
O que será o amanhã
Como vai ser o meu destino
Já desfolhei o mal-me-quer
Primeiro amor de um menino
E vai chegando o amanhecer
Leio a mensagem zodiacal
E o realejo diz
Que eu serei feliz
Sempre feliz

 
Como será amanhã
Responda quem puder
O que irá me acontecer
O meu destino será como Deus quiser
 
 
 
 
O AMANHÃ (1976)
Música e letra: “João Sérgio”
Gravada por Simone no álbum DELÍRIOS, DELÍCIAS (1983)
 

Foto: Garrido

 
O AMANHÃ
“Que eu serei feliz…”

“O belo samba “O Amanhã”, lançado pela União da Ilha do Governador no carnaval de 1979 e que quatro anos depois se tornou o grande sucesso de Simone, no disco e no palco, tem como autor o advogado Gustavo Adolfo de Carvalho Baeta Neves, procurador federal.

Pertencente a uma família ilustre, esse pródigo criador de sambas-enredo, deixou mais de vinte, entre os quais os conhecidos “Dona Beja,a Feiticeira de Araxá”, “É Hoje”, “Quem Pode Pode, Quem Não Pode”, “O Que Será” e “O Amanhã”, o primeiro para o Salgueiro e os demais para a União da Ilha – preferiu se manter no anonimato enquanto exerceu cargos públicos, cedendo suas músicas a componentes das escolas.

Depois de aposentado, passou a assiná-las com o pseudônimo de Didi. “No meu trabalho eu era muito sério, muito chato, mesmo”, ele declarou em entrevista ao Globo meses antes de morrer em 1987, aos 52 anos. Porém à noite, encerrado o expediente, o dr. Gustavo Adolfo tirava o paletó e transformava-se no boêmio-compositor Didi, grande apreciador de um bom uísque (“samba é 10% idéia e 90% uísque”, afirmou na mesma entrevista), figura importante e estimada da União da Ilha.

Tanto assim que seria escolhido como tema do enredo desta escola no carnaval de 91, tendo suas glórias cantadas no samba “De Bar em Bar, Didi o Poeta”, de Ely Peron e Rogério Figueiredo.
Mas voltando a “O Amanhã”, a música que marcou o décimo ano da carreira de Simone e que abria e fechava o seu show “Delírios, Delícias”, em clima de muita empolgação, é um grande samba-enredo rico de letra e melodia, o que não é comum no gênero: “Como será o amanhã?/ responda quem puder/ o que irá me acontecer/ o meu destino será como Deus quiser…”. Outro samba de Didi a entrar para o repertório de cantores famosos foi “É Hoje”, incluído por Caetano Veloso no elepê Uns, ainda em 1981.” 

(Severiano, Jairo e Homem de Mello, Zuza, ‘A Canção no Tempo – 85 Anos de Músicas Brasileiras’ Vol. 2: 1958-1985, Editora 34, São Paulo, 1998)