REMIX CAMINANDO (DJ REBOOT)

VEJA TAMBÉM  PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES  CANTA BRASIL


 
“PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES, de Geraldo Vandré, hino da esquerda brasileira, virou hype nas pistas da Europa – trata-se de uma gravação turbinada, em cima da feita por Simone (no álbum SIMONE AO VIVO NO CANECÃO, de 1980)”.
(O Globo, 14.01.2010)
 

Reboot plays Caminando at Love Family Park, Mainz, Germany/ 2010
 

 

LEIA trecho de entrevista feita com o DJ chileno Ricardo Villalobos. Foi através de amigos em comum que o alemão Frank Heinrich, DJ Reboot, teve acesso ao disco SIMONE AO VIVO NO CANECÃO (EMI 1980) e conhecimento da música PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES (Geraldo Vandré) e, em cima da gravação de Simone, fez o Remix CAMINANDO, lançado em 2009 no EP BAILE/CAMINANDO, pelo selo SEI ES DRUMN GERMANY (sem conhecimento/ autorização de Simone ou Vandré):
 

Selo do EP BAILE/CAMINANDO

 

Ricardo Villalobos: Sound brotherhood (…) Reboot fez essa faixa quando ele estava na América do Sul. Ele se reuniu com alguns dos meus amigos em São Paulo que lhe deram um CD de música popular brasileira. Uma das canções foi escrita por um tio meu, Geraldo Vandre – ele foi casado com a irmã do meu pai. Era uma canção brasileira de protesto contra a ditadura no poder, ele foi para a prisão depois de cantá-la. Uma brasileira chamada Simone foi a primeira pessoa a cantá-la depois de muito tempo, e embora fosse um pouco arriscado para ela, mesmo assim ela apresentou sua versão. Foi durante um programa de TV, por isso que a gravação não é muito boa, mas tem um clima ótimo.
Reboot tinha essa faixa num CD, se apaixonou pela música e fez uma mixagem baseada nela quando estava na Argentina. Dois dias depois, nos encontramos em um hotel em outra cidade na Argentina e nós mostramos algumas faixas, um para o outro. Quando ele disse que meus amigos tinham-lhe dado este CD, e que ele tinha feito alguma coisa com uma das faixas, eu sabia a que ele se referia.
Então nós começamos a tocar esta faixa e ela sempre foi devastadora. Mas não conseguíamos “publicá-la” porque eu não tinha o contato do meu tio (Ele se separou da minha tia, e ela morreu há dez anos.) Mas nós decidimos liberá-la de qualquer maneira. Eu coloquei o nome dele, e agora estamos finalmente nos preocupando com questões financeiras. A música, porém, não é algo que fazemos para ganhar dinheiro. Colocar à venda algo em vinil é uma coisa romântica. Mas, por outro lado, se não se fizer ninguém mais fará. (…)

TEXTO ORIGINAL
(…) The Reboot track was done when he was in South America. He met with some of my friends in Sao Paulo, and they gave him a CD of Brazilian folk music. One of the songs was written by an Uncle of mine— Geraldo Vandr—he was married to the sister of my father. It was a protest song in Brazil against the dictatorship in power; he went to jail after playing it. A Brazilian named Simone was the first person to sing it after a number of years, and while it was a bit risky for her, she did a cover version. It was during a TV program, so the recording isn’t very good but it has a lot of the atmosphere.
Reboot got this track by coincidence on the CD, and fell in love with it and made a track with it in Argentina. Two days later we met in a hotel in another city in Argentina and we played each other some tracks. When he said that my friends had given him this CD, and that he had made something, I knew that it was this one.
So we began to play this track out, and it was always devastating. But we couldn’t bring it out because I couldn’t find a contact for my Uncle. (He separated from my Aunt, and she had died ten years ago.) But we decided to release it anyway. I put his name on it, and now we are finally sorting out the financial stuff. The label, though, is not something we do to make money. Putting vinyl out these days is a romantic thing. Otherwise no one would do it anymore.(…)
(RA Resident Adivisor – Electronic Music Magazine, Inglaterra e Alemanhã, 23.10.2009)           [+ MAIS

 


 

SIMONE pelo DJ Dandy Jack
(Livre tradução – por Café Simone)

Who is one person you’d like to collaborate with?
Com quem você gostaria de trabalhar?

Simone. She’s a Brazilian singer who was great in the seventies. She was producing with Milton Nascimento. I have never heard anything like her voice. Ever.
Simone. Ela é uma cantora brasileira que foi uma das grandes nos anos 70. Milton Nascimento foi um dos seus produtores. Eu jamais ouvi alguma coisa semelhante a sua voz. Jamais.

What does she sound like?
Seu som é parecido com o que?

She sounds like a man. A very full voice, very deep and very sexy. She was producing bossa nova in the late sixties/early seventies. She’s very dramatic. When I listen to her, I start crying. And then she had an eighties period when she became very cheap. Pop cheap. I think she would be really a good combination with electronic music. She would be a killer.
Ela tem uma voz masculina. Uma voz intensa, grave, profunda e muito sexy. Ela lançou bossa nova no final dos anos 60 e início dos anos setenta. Ela é muito dramática. Eu choro quando a ouço. Depois, nos anos 80 ela tornou-se muito comum. Popularesca. Eu penso que ela seria uma boa combinação com a musica eletronica. Ela seria uma “matadora”.

Have you tried to contact her?
Voce já tentou contatá-la?

I tried, but she’s very famous, you know? It’s like trying to contact somebody from Funkadelic or something. A big person. Maybe Simone is now sixty years old. She’s probably sitting quietly at home. 
Eu tentei, mas ela é muito famosa, sabe? É como se você tentasse contatar alguém como os Funkadelic ou algo parecido. Uma grande personalidade. Talvez Simone tenha atualmente 60 anos. Ela provavelmente estará sentada quietinha na sua casa.
(RA Resident Adivisor – Electronic Music Magazine, Inglaterra e Alemanha, 16.04.2007)    [+MAIS]

 

DJ Dandy Jack | Foto: Divulgação

 


 

Ricardo Villalobos & Reboot – Baile/Caminando
Produtor chileno desova pérola do sarcasmo dançante em seu novo EP

Ricardo Villalobos se tornou indissociável do (bom) uso do techno para saudar as sonoridades da América Latina. No EP “Baile/Caminando”, lançado em junho em parceria com o produtor Reboot (que emplaca no mesmo disco a menos feliz “Caminando”), o chileno mata a pau com uma das melhores faixas do gênero lançadas neste ano. “Baile” é para viciar almas sensíveis a letras criativas e a bases minimalistas – apesar de ter gerado controvérsia entre alguns fãs, que acharam que o rapaz foi excêntrico demais desta vez.
Há uma porção de coisas que atraem os ouvidos para a música. A linha de baixo é irresistível, e a bateria quebrada não a torna menos dançante. Mas é sua letra que a torna especial em meio a tantas outras peças de techno produzidas atualmente. Ela conta a história de um clubber alienado que descobre o surgimento de um novo estilo de dança. Nas discos, todos o praticam – devidamente chapados de ketamina. Por mais que as pessoas comentem nas ruas, os rádios e jornais anunciem, o rapaz de nada sabia. Nem os afters, antro do passo, ele frequenta (muito menos usa ketamina).
O chileno Jorge Gonzalez, hoje membro da dupla Los Updates, é quem assume os vocais, numa conversa exemplar entre voz e instrumentos em uma faixa eletrônica. A maneira pouco usual com que os timbres são colocados, as pausas para que soem as notas graves, e os pequenos estalos ao fundo completam o arranjo brilhante. São mais de doze minutos de êxtase: haja habilidade para manter o espectador interessado.

Caminhos brasileiros

Dj Reboot | Foto: Deep House Amsterdam

Em “Caminando”, o produtor alemão Reboot procura um caminho bastante similar ao de Villalobos. Ele cavucou antigos discos de música brasileira e, vejam só, se deparou com nada menos que “Para Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré. O resultado é bem mais previsível, com a simples colocação de uma bateria dançante por baixo dos versos consagrados de Vandré.
Para nós, cansados de saber que “quem sabe faz a hora / não espera acontecer”, “Caminando” soa música para gringo ouvir. A sensação é de que o uso de samples tropicais virou fórmula. Ao invés de soar original, fica com cara de exotismo desnecessário. O resultado é um EP com duas tentativas de utilizar elementos regionais nas pistas de dança. Dessa, Villalobos sai vencedor com uma peça de engenhosidade ímpar, insólita e altamente viciante. És la locura! És la moda!
(rraurl.com, Marcus Vinícius Brasil, 03.08.09)

 

CAMINANDO – original remix (áudio)
Por DJ Reboot
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MAIS CAMINANDO
mundo afora (playlist)