SHOW PEDAÇOS (1979)

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show PEDAÇOS

Com Simone
Estréia: 7 de Dezembro de 1979
Local: Canecão, Rio de Janeiro RJ

 

APRESENTAÇÃO | O show ‘Pedaços’, o primeiro de Simone dirigido pelo teatrólogo Flávio Rangel, cuja estréia estava marcada para a quarta-feira, dia 5 de dezembro de 1979, estreou somente dois dias depois, 7 de dezembro, no Canecão, Rio de Janeiro.
“Há algum tempo atrás, numa tarde chuvosa, eu estava num apartamento de São Paulo estudando uma peça de teatro, com o rádio ligado baixinho. De repente, o éter enviou uma voz nova, estranha, pungente. Prestei atenção e percebi que nessa voz a letra ganhava uma interpretação profunda e particular. A música se chamava ‘Gota d’água’ e a cantora se chamava Simone.
Comecei a prestar atenção na carreira dela e percebi que tinha vindo pra ficar. Seus discos começaram a ser ouvidos, e seus shows principiaram a ser disputados. Além de seus dotes de artista, Simone parece mexer com o inconsciente das pessoas, pois dá sempre a impressão, por mais amplo e variado que seja seu repertório, de estar fazendo mergulho introspectivo nas diversas realidades que compõem nosso mundo. Ela revela também um extremo bom gosto na seleção de seu material, seja do pondo de vista da música como da qualidade literária dos versos que diz.

Simone Show 'Pedaços', 1979 Foto: Divulgação 
Este espetáculo começou no dia em que os diretores do Canecão me perguntaram qual era a cantora que eu achava devesse se apresentar na casa neste momento; ‘Simone’, respondi; a concordância foi imediata. Simone e eu nos conhecemos pessoalmente e começamos a trabalhar.
Mais da metade das músicas apresentadas hoje já faziam parte de “Pedaços”, último show apresentado por Simone, e que ela mesma roteirizou e dirigiu. Neste espetáculo, procuramos trabalhar juntos em busca de uma forma final que foi incessantemente debatida. Quis fazer um espetáculo em que o realce principal fosse dado a ela e às canções que interpreta. Um série de efeitos foram paulatinamente cancelados, ou porque não concorreriam para o clima que procuravamos alcançar, ou proque apresentavam o perigo de romper a unidade e a clareza que elegemos como meta principal. Quisemos fazer as coisas com emoção e também com lógica.
Simone tem magnetismo, carisma, ‘star appeal’; além dessas qualidades de artista, é também uma pessoa bonita; inteligente, generosa e afável. E quando reunidos, seus pedaços se transformam numa coisa íntegra.
Espero também que os pedaços deste show se transformem, para vocês, numa experiência viva e bela”.
[Flávio Rangel, diretor do show, dezembro de 1979]


OUTROS PEDAÇOS TV e DISCO
O show ‘Pedaços’ foi também lançado em disco pela Odeon – ‘Simone Ao Vivo’ (1980) – gravado em 30 de dezembro de 1979 no Canecão, Rio de Janeiro RJ, sendo o primeiro registro de um disco solo ao vivo de Simone. Em 1973 ela já participara do álbum Expo-Som (gravado ao vivo) ao lado de Márcia, Leny Andrade e Ari Vilela.

 

O show ‘Pedaços’ (adaptado) foi exibido pela Rede Globo, estreando a série Grandes Nomes – Simone Bittencourt de Oliveira, gravado no Teatro Fênix (Rio de Janeiro) e exibido em 07 de março de 1980, com direção de Daniel Filho.


IMPRENSA

Em 1979, quando convidei Simone para fazermos o nosso primeiro espetáculo no Canecão – Pedaços -, eu jamais a tinha visto de perto. Na verdade, me apaixonara por sua voz, ao ouvi-la no rádio do meu carro. Hoje, posso afirmar com toda certeza que foi uma idéia das mais felizes (…) Acho Simone uma moça inteligente, uma pessoa de muito bom gosto e uma profissional esplêndida (…) Trabalhar com ela é tarefa das mais simples porque a cantora se empenha muito em tudo o que faz e se interessa profundamente em evoluir cada dia mais (…)
[Flávio Rangel, Fatos&Fotos, 16.01.1981]
 
‘Pedaços’ é o título do novo show da cantora Simone, até o dia 31 de dezembro no Canecão. Religiosa, ela se apresenta de terninho branco (…) Política, ela explica ao público que recentemente esteve “numa ilha do caribe” o que mais a impressionou foi a ausência de “fome e raiva”. Até mesmo um “pedaço” sádico ela reconhece estar nesse show: durante 10 minutos, ataca com golpes de caratê o couro de um atabaque, mesmo sabendo que a brincadeira lhe custará sempre o pulso dolorosamente torcido. (…)
No show do ano passado, ela apareceu fantasiada de cigarra e num certo momento jogava-se no chão (…) A crítica achou ridículo, Simone acusou o empresário de estrear um show que não estava pronto (…) Agora no Canecão, o diretor Flávio Rangel só lhe fez um pedido: que na música Começar de Novo (Ivan Lins/Vitor Martins), ela abrisse os braços e sorrisse feliz. Uma marcação simples, bonita, para quem reconhece o caminho certo logo à frente (…)
E tão certo como haverá muita loucura nas areias de Ipanema, sabe-se desde já também que os dias tórridos passarão e pouca coisa se terá ouvido de tão emocionante quanto Simone cantando Pedaço de mim, de Chico Buarque (…)
[Joaquim Ferreira dos Santos, Veja, 19.12.1979]
 
Hoje Simone é uma das locomotivas de vendagem e prestígio de sua gravadora. Uma figura de mitologia pública, de quem se quer saber os amores, manias, preferências, onde janta, onde mora, que roupa veste. E ela veste um sóbrio summer bem talhado – apenas um toque de brilho na gola, nas costuras das pernas, um cravo vermelho na lapela, sobe no palco do Canecão e, violão Ovation ao pescoço, canta ‘Caminhando’, de Geraldo Vandré, com voz embargada. Fala de raiva, fome e de uma ilha do Caribe, que visitou e onde não viu nenhuma das duas coisas. Celebra a anistia, promete que as flores estão voltando e encerra tudo com seu grande hit de 79: ‘Começar de Novo’.
As filas se encaracolam na porta do Canecão para ver esta Simone discreta, correta, profissional e falante – que dali, parte para longa excursão por Salvador, Recife e todo o Nordeste. E quem já está habituado ao alimento regular dos meios de comunicação – onde novas fases, movimentos, e fenômenos são detectados, empacotados, criados e servidos regularmente – já vê até uma nova Simone, uma Simone mais séria, mais 79, mais politizada.
[Ana Maria Bahiana, Jornal do Brasil, 1980]
 
PEDAÇOS, um show que quase chega à perfeição, revelando, ao vivo, uma das melhores intérpretes brasileiras (…)

Em determinado momento, a cantora fala de uma experiência vivida no Caribe, ‘num lugar onde não vi fome nem raiva’.
Evidentemente, refere-se á sua viagem à Cuba, em julho último, quando participou, com um grupo de artistas brasileiros, de um festival de música. A intervenção tem sido criticada como um ‘comício’ desnecessário. Simone, porém, não pensa dessa maneira:

“Não houve intenção de fazer doutrinação. Acontece que a experiência em Cuba, realmente, me marcou. Durante o tempo em que estive lá, não vi preconceito social nem racial. E nem o problema mundial, que é a fome. Por isso, foi importante para mim falar nisso. Não é um comício. É uma fala pequena, sincera. A mesma sinceridade é usada quando canto CAMINHANDO. Foi preciso coragem para cantar essa música, mas ela é tão linda e Geraldo Vandré tão importante que não vi porque não cantá-la. É necessário cantar gente como Vandré”.
[Isa Cambara, Folha de S.Paulo, 15.12.1979]
 
PEDAÇOS, sem dúvida, é um dos espetáculos mais profissionais que o Rio assistiu nesta temporada. Com um belo roteiro musical – onde Simone sente-se um pouco deslocada apenas no módulo bolero, problema superável – uma orquestra super eficiente, a mise-en-scène aparentemente simples mas ricamente elaborada, PEDAÇOS reconcilia o espectador com as coisas brasileiras. Até por seu otimismo histórico.
PEDAÇOS: belo, inteligente, altamente profissional.
[Wilson Cunha, Manchete, dezembro 1979]
 

Foi um destes momentos iluminados, enriquecedores, que gratificam os especializados obrigados a enfrentar mais de 100 espetáculos por ano – na grande maioria ruins. Mas aquela noite, no Canecão (Rio), local geralmente inglório, Simone surgia no palco sob a direção de Flávio Rangel e tínhamos um importante momento para a história do espetáculo no Brasil.
[Wilson Cunha, Manchete, 1980]

Mais imprensa ‘Pedaços’

 
SIMONE FALA SOBRE O SHOW
 
Esse show brincou muito com a minha cabeça. É, ele a todo instante está mexendo com minha sensibilidade, sonhos, angústias, inseguranças, provocando emoções, fazendo com isso, que eu goste muito mais dele.
As inúmeras surpresas causadas me envolvem de tal maneira deixando-me envaidecida em saber que dos meus pedaços ele foi feito.
A sua força é tanta que se tornou um desafio e eu topei desafiá-lo com meu canto.

[Programa do Show, dezembro de 1979]

 
Não houve intenção de fazer doutrinação. Acontece que a experiência em Cuba, realmente, me marcou. Durante o tempo em que estive lá, não vi preconceito social nem racial. E nem o problema mundial, que é a fome. Por isso, foi importante para mim falar nisso. Não é um comício. É uma fala pequena, sincera. A mesma sinceridade é usada quando canto CAMINHANDO. Foi preciso coragem para cantar essa música, mas ela é tão linda e Geraldo Vandré tão importante que não vi porque não cantá-la. É necessário cantar gente como Vandré.
 
A música de cabaré representa uma época, a de Ivan Lins outra, eu quis pegar as gerações que viveram as décadas de 50, 60, a que está vivendo os anos 70 e aqueles que terão sua época na próxima década. Não quero ser cantora de grupinhos nem mito sexual. Não acho que tenha nada a ver com isso, eu quero que as pessoas esqueçam o falso mito da sensualidade e me vejam como sou: uma cantora.
[Folha de S.Paulo, 15.12.1979]


VÍDEOS

Alguns momentos de “Pedaços”
[Rede Globo, 06.12.1979 e Jornal Hoje – Rede Globo, 11.08.1979]

 

Especial “Grandes Nomes: Simone Bittencourt de Oliveira”
[Rede Globo, 07.03.1980]


 

 

 

ROTEIRO
[Extraído do Programa do Show]


1. Jura secreta
(Sueli Costa/Abel Silva)
2. Começar de novo
(Ivan Lins/Victor Martins)
3. Face a face
(Sueli Costa/Tite de Lemos)
4. Revelação
(Clésio/Clodô)
5. Medo de amar no. 2
(Sueli Costa/Tite de Lemos)
6. Sob medida/ Orgulho/ Vingança/ Matriz ou filial/ Que será/ Volta/ Sob medida
(Chico Buarque/ Nelson, Wederkind, Waldir Rocha/ Lupicínio Rodrigues/ Lúcio Cardim/ Mariano Pinto/ Mario Rossi/ Lupicínio Rodrigues/ Chico Buarque)
7. Antes que seja tarde
(Ivan Lins/Vítor Martins)
8. O ronco da cuíca
(João Bosco/Aldir Blanc)
9. Não sonho mais
(Chico Buarque)
10. Outra vez
(Isolda)
11. Maria, Maria
(Mílton Nascimento/Fernando Brant)
12. Cigarra
(Mílton Nascimento/Ronaldo Bastos)
13. Cordilheira
(Sueli Costa/ Paulo César Pinheiro)
14. Começaria tudo outra vez
(Gonzaguinha)
15. Pedaço de mim
(Chico Buarque)
16. Pra não dizer que não falei de flores
(Geraldo Vandré)
17. Estão voltando as flores
(Paulo Soledade)
18. Desesperar jamais
(Ivan Lins/Vítor Martins)
19. Aquarela do Brasil trechos
(Ary Barroso)
20. Tô voltando
(Maurício Tapajós/Paulo César Pinheiro)
21. Começar de novo trecho
(Ivan Lins/Vitor Martins)
22. Jura secreta instrumental
(Sueli Costa/Abel Silva)


MÚSICOS

Nelson Ayres: Teclados
Ivani Sabino: Baixo
William Caran: Bateria
Alemão: Guitarra
Roberto Sion: Sax e Flauta
Dom Bira: Percussão

 
FICHA TÉCNICA

Direção: Flávio Rangel
Figurino: Carlinhos Pietro
Diretor Musical : Nelson Ayres
Cenários: Mario e Mauro Monteiro
Divulgação: Ivone Kassu
Administração: Bell Marcondes
(Cigarra Produções Artísticas)


 
DISCO

PEDAÇOS
[EMI-Odeon, 1979]


 

Divulgação dos álbuns “Pedaços” e “Simone ao vivo”


 
PROGRAMA DO SHOW


 
FOTOS 


 
LUGARES

A estréia do show “Pedaços” foi no Canecão, Rio de Janeiro
[Foto: Internet/ Anos 1980]

 

Divulgação do show “Pedaços” no Canecão

 


 
CURIOSIDADES
 
PRIMEIRO SHOW MUSICAL DE FLÁVIO RANGEL
Ao estrear em 12 de dezembro (1979)* , no Canecão, o show ‘Pedaços’, de Simone, Flávio (Rangel) abria uma área nova em sua obra: a dos shows musicais. Foi uma atividade paralela à sua atividade teatral, que se beneficiava da sua experiência de palco (…) Ao longo dos anos seguintes, Flávio iria realizar seis shows com a cantora e vários outros com outros artistas.
* a estréia do show foi dia 07 de dezembro de 1979

[Trecho do livro ‘Viver de Teatro – uma biografia de Flávio Rangel’, José Ruben Siqueira, Ed. Nova Alexandria Ltda, 1995]

 
SHOW “PEDAÇOS” DIRIGIDO POR SIMONE
Após lançar o álbum “Pedaços” em agosto de 1979, Simone apresenta um show homônimo, dirigido e roteirizado por ela e produzido por Manoel Poladian. O espetáculo percorre algumas cidades, incluindo, em finais de outubro, duas apresentações com ingressos esgotados no Palácio das Convenções do Anhembi em São Paulo.
Este show é diferente do “Pedaços”, o primeiro de sua carreira dirigido pelo teatrólogo Flávio Rangel, estreado dia 7 de dezembro do mesmo ano, no Canecão, Rio de Janeiro.