SHOW CIGARRA (1978)

  Apresentação | Roteiro | MúsicosFicha Técnica | Simone falaLugares | Imprensa | Vídeos | Fotos | Disco   


show CIGARRA

Com Simone
Estréia: 1 de novembro De 1978 1
Local: Canecão, Rio De Janeiro RJ

 

APRESENTAÇÃO | No mundo dos espetáculos não existe a lógica. O sucesso pode custar décadas de trabalho ou pode estourar num show. Mas também pode ruir da noite para o dia se não é bem trabalhado. Salvo raras exceções, o artista é um produto que precisa ser cuidado, burilado e convenientemente embalado para o consumo, pois o espontaneísmo não tem mais espaço numa sociedade competitiva como a nossa. Manter-se no alto não depende apenas de uma boa estrela, sequer de uma boa voz. É preciso toda uma infra estrutura que vai da escolha do repertório à direção de cena de um show, dos arranjos a uma correta promoção. Tudo isto pode parecer um tanto óbvio, mas nem sempre é levado em conta quando as coisas acontecem tão rápido que não dão tempo ao artista de se estruturar emocionalmente e de cercar-se de uma assessoria competente. (…)
Simone é uma boa cantora, tem presença no palco, o repertório é excelente, mas o espetáculo, montado em apenas quatro dias e prejudicado por seu confesso nervosismo que muitas vezes a fez tropeçar em alguma notas, tem péssima direção. (…)
A tão comentada “Medo de Amar” não emocionou a platéia do Canecão, que no entanto não lhe negou aplausos quando ela se deixou levar pela emoção de “Face a Face”( Suely Costa e Cacaso) ou de “Começaria Tudo Outra Vez” (Gonzaguinha).
O cenário, que reproduz a capa do disco, é pobremente completado por galhos de pinheiro- improvisada floresta – e tem como único recurso cênico enormes asas de cigarra que sobem e descem e nas quais ela se apóia nas muitas vezes que canta a música título, composta especialmente para ela por Milton Nascimento. E depois de trocar três vezes de roupa (as botas de couro do segundo traje vão bem melhor com seu físico e jeito de jogadora de basquete do que o biquíni cintilante com saia de franjas, à Gal Costa, e muito menos que uma malha justa de renda branca, de péssimo gosto) ela termina “estourando” de tanto cantar, deitada no chão, obviedade que poderia ter sido dispensada pelo diretor Fernando Pinto, cujo currículo foi construído nos desfiles de Escola de Samba. E a boa idéia de comparar a vida da cantora à da cigarra se perde pela montagem ao pé da letra.
Dona de um bom potencial, Simone ainda pode salvar o show, desde que se disponha a enxugá-lo, privilegiando a voz e circulando menos pelo palco. E sua carreira só terá a lucrar quando escolher assessores mais adequados do que um cenógrafo de escola de samba (aliás que excelente em sua especialidade) e mentores espirituais de uma seita filosófica que certamente não são especialistas em música.
[Margarida Autran, O Globo, 07.11.1978]

 


IMPRENSA

icon-imprensa-1978cigarra1Ela não consegue esconder uma certa amargura no rosto, embora atribua tudo ao cansaço. Está magoada com as críticas pesadas que recebeu no Rio de Janeiro, depois de estrear, precariamente, um novo show no Canecão, compromisso assumido há algum tempo e impossível de ser desmarcado. Assim, foi feito o levantamento das músicas, cenários, figurinos e ensaios, em cinco dias, tempo que não foi suficiente para levar para o palco um trabalho acabado. Simone até concorda que a crítica não tenha nada a ver com esses problemas de produção (…)
O negro teatro Pixinguinha estava completamente lotado na noite de estréia de Simone. No ar, um clima de expectativa, uma platéia completamente diversificada, ansiosa mesmo. Tanto que batia palmas fortes, no mesmo ritmo dos pés no chão de madeira, exigindo a sua presença logo. Quando os primeiros acordes de Cigarra foram tocados e, ainda nos bastidores, sua voz repetia zi-zi-zi-zi-zi, pressentia-se o delírio coletivo. Simone entrou de índia estilizada – uma tanga de corda, toda trabalhada em detalhes miúdos de miçangas, e descalça.
– Simone maravilhosa.
Foi dos primeiros gritos vindos do público. E por toda a hora e meia de apresentação o que se viu foi o seu domínio completo sobre o teatro lotado de admiradores, mas também reforçado por aqueles que foram conferir porque é que esta moça faz tanto sucesso. Esta minúscula fatia de público está começando a aparecer. Simone só faz comentar “não estou entendendo o barato” (…)
[JORNAL DA TARDE | Maria Amélia Rocha Lopes | São Paulo SP | 18.11.1978]
 
(…) A música de Milton (Nascimento) e Ronaldo Bastos, que ficou pronta no dia de entregar o disco, é repetida diversas vezes durante o show, dividindo-o em blocos. E as informações que Simone conseguiu levantar sobre a vida das cigarras foram gravadas por ela, à guisa de texto explicativo, e são executadas no decorrer do espetáculo (…)
 
Simone é uma boa cantora, tem presença no palco, o repertório é excelente, mas o espetáculo, montado em apenas quatro dias e prejudicado por seu confesso nervosismo que muitas vezes a fez tropeçar em algumas notas, tem péssima direção.
(…) E depois de trocar três vezes de roupa, ela termina ‘estourando’ de tanto cantar, deitada no chão, obviedade que poderia ter sido dispensada pelo diretor Fernando Pinto, cujo currículo foi construído nos desfiles de Escola de Samba. E a boa idéia de comparar a vida da cantora à da cigarra se perde pela montagem ao pé da letra.
 
Dona de um bom potencial, Simone ainda pode salvar o show, desde que se disponha a enxugá-lo, privilegiando a voz e circulando menos pelo palco. E sua carreira só terá lucrar quando escolher assessores mais adequados do que um cenógrafo de escola de samba (aliás, que excelente em sua especialidade) e mentores espirituais de uma seita filosófica que certamente não são especialistas em música.
[Margarida Autran, O Globo, 07.11.1978]
 
Mais imprensa ‘Cigarra’


 
SIMONE FALA SOBRE O SHOW
 
“Em relação aos meus shows anteriores, eu acho que neste estou perdendo um pouco da inibição que eu tinha. Eu sou a minha maior crítica e sei, por exemplo que ainda não estou em condições de dançar no palco, pois a minha inibição não me permite. Mas tem uma coisa: há uns tempos atrás eu era uma pessoa que não dava um passo no palco e agora, pelo menos, já estou percorrendo o palco todo (…)
É muito difícil a gente agradar a gregos e troianos. Quando eu faço um show simples, despojado, do tipo violão-e-banquinho, o pessoal cai de pau em cima dele porque está pobre. Quando faço um show como o Cigarra, que tem um cenário bonito, uma direção correta do Fernando Pinto, jogos de luz e roupas, o pessoal também desce o malho porque está sofisticado demais. Nessas alturas, eu não sei qual das duas críticas eu levo em consideração. Prefiro o meu trabalho.”

[Última Hora, 25.11.1978]


VÍDEOS
Alguns momentos de “Cigarra”

 
1978Cigarra1
 

ROTEIRO
[Baseado em matérias publicadas]


Jura Secreta
(Sueli Costa/ Abel Silva)
O trem azul
(Lô Borges)
O que será
(Chico Buarque)
Beco do Mota
(Milton Nascimento/ Fernando Brant)
Dorme, meu menino, dorme
(Sueli Costa/poema de Cecília Meireles)
Maninha
(Chico Buarque)
Começaria tudo outra vez
(Gonzaga Jr.)
Cigarra
(Milton Nascimento/ Ronaldo Bastos)
Canoa, canoa
(Nelson Ângelo/ Fernando Brant)
Petúnia Resedá
(Gonzaguinha)
Sampa
(Caetano Veloso)
Face a face
(Sueli Costa/ Cacaso)
Medo de amar no. 2
(Sueli Costa/ Tite de Lemos)
Sangue e Pudins
(Fagner/Abel Silva)
dentre outras


MÚSICOS

Paulo César Willcox: arranjos, orquestração e teclados
Ivani Sabino: baixo
William Caran: bateria
Olmir Stocker: guitarra, violão e viola
Dazinho, Chacal e Zé Eduardo: percussão

 
FICHA TÉCNICA

Direção: Fernando Pinto
Direção Musical: Paulo César Willcoux
Cenários e Figurino: Fernando Pinto, Donato Velleca e Romoaldo Mello


 

 


DISCO 

CIGARRA
[EMI-Odeon, 1978]
 

 

Release – disco
ICON-1978-cigarra-release


FOTOS 
1978-ICON-cigarra


LUGARES

Primeiro show de Simone no Canecão 


NOTA

REESTRÉIA: Reformulado, o show ‘Cigarra’ – depois da temporada de 1 a 5 de novembro no Canecão – reestréia no Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro (de 7 a 12 de novembro de 1978), Teatro Pixinguinha, São Paulo (15 de novembro a 10 de dezembro de 1978) e em outras cidades pelo Brasil.