SHOW CORPO E ALMA (1982)

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show CORPO E ALMA

Com Simone
Estréia: 25 de novembro de 1982
Local: Canecão, Rio de Janeiro RJ

 

APRESENTAÇÃO | Simone de novo no palco

ESTE É O TERCEIRO show que Simone e eu fazemos juntos no Canecão – e é talvez o mais simples e depurado dos três.
Optamos por uma cena fixa que sofre aqui e ali pequenas modificações, uma cortina aqui e um painel de espelhos ali, de modo que o público se possa fixar mais intensamente no trabalho da cantora.
E é com certeza uma artista mais intensa e profunda que vai reencontrar seu público carioca, dois anos depois do último espetáculo feito no Rio. A carreira de Simone recebeu desde então um grande impulso: ela se apresentou para verdadeiras multidões em inúmeros ginásios por todo o país, acrescentando uma grande gama de diversificados trabalhos ao seu natural talento. Simone está mais solta e espontânea – uma artista luminosa.
Desta vez acrescentamos à equipe que a tem acompanhado os indiscutíveis talentos do maestro Chiquinho de Moraes, responsável por arranjos, regência e direção musical, além da variada inspiração do premiado cenógrafo Luiz Carlos Ripper. A produção de Manoel Valença para o Canecão foi, como sempre, um esteio para o espetáculo.
[Flávio Rangel, Diretor, Programa do Show, 1982]

MEU TRABALHO COM SIMONE tem se revelado emocionante. Para mim é muito gratificante sentir sua resposta pronta, imediata, espontânea, às nuances mais sutis da Orquestra. Ela é capaz de se emocionar até as lágrimas com uma frase mais trabalhada pelas cordas como também é capaz , numa fração de tempo, de se agigantar incrivelmente sob a pressão de um ataque dos metais. Nesses momentos, ela ora me parece um tigre em salto esplendoroso, ora me parece uma gaivota em vôo suave.
Mais que tudo isso, é sentir a vibração vigorosa, dominadora às vezes, submissa em outras, que ela exerce sobre os músicos.
Neste clima, chegamos invariavelmente a um êxtase, a uma alegria que raras vezes consegui em minha carreira.
Não posso falar em meu nome exclusivamente, porque sou feito de cada pedaço da Orquestra tão querida, que se comove a todo instante com a excelente performance da nossa Simone.
Simone pertence a todos, bem sabemos, mas não abrimos mão de nossa parte. Ela é exatamente a emoção que nos faltava.
[Chiquinho de Moraes, Maestro, Programa do show, 1982] 

O TALENTO DE UM PRODUTOR é fundir talentos. Um dia o Mario Priolli me deu um caldeirão – canecão e eu me senti como o Druída ou um metalúrgico. De três metais nobres – Simone, Flávio e Chiquinho – eu fiz meu bronze. Uma liga maravilhosa unida num amor tão grande que em ebulição transbordou do cadinho em sons, imagens e emoções.
[Manoel Valença, Produtor, Programa do show, 1982] 


CORPO E ALMANA TELEVISÃO

O show Corpo e Alma foi apresentado pela Rede Globo, em dezembro de 1982, em um especial transmitido ao vivo, da Quinta da Boa Vista, Rio, com público estimado em 60.000 pessoas:
Na mesma Quinta da Boa Vista que assistiu a eventos de orquestra sinfônica (arte teoricamente de elite mas que, graças aos recursos da eletrônica, torna-se espetáculo de massa, portanto popular) sexta passada tivemos um evento com as seguintes características concomitantes:
1) Era lançamento de um disco de Simone;
2) Era um Especial de Natal da Rede Globo;
3) Era um show típico de televisão, pelo tratamento visual, cortes e andamento de imagem apropriados às dimensões e especificidades da tela pequena;
4) Era um espetáculo de massas, com calor local, pois cinqüenta mil pessoas ou mais compareceram. Se, de graça, brasileiro toma até injeção, quando mais um show da Simone… (…)
Imaginemos agora a dificuldade da intérprete. Ela precisa de energia, força, extroversão e magnetismo suficientes para “com/mover” cinqüenta mil pessoas presentes, calorosas, intensas, inquietas, sedentas, emotivas. Ao mesmo tempo sabe haver uma lente que toma seu (belo) rosto em close e o joga dentro de milhões de lares num intimismo total. Ao mesmo tempo sente-se comprometida com o bom desempenho vocal, afinação, qualidade de interpretação, uso da voz, etc … técnicas essenciais para o disco, o áudio, o rádio, o lado auditivo do espetáculo (…)
[Arthur da Távola, O Globo, 22.12.1982]


IMPRENSA

(…) Simone é um nome só, bonito nome de pássaro que canta. Num salto se fez estrela, de estrela se fez em luz eternamente acesa para a alegria de quem quer e precisa ouvir a canção mais bela. E isso ela sabe fazer com um estranho dom, com uma magia nova que sacode a alma dos homens e das mulheres, de todos que querem se fazer dentro dela para buscar aquela alma, e mais dentro ainda para mergulhar naquele corpo e com ele alçar o vôo sensacional da grande jornada das estrelas ( …)
[Fernando Lobo, Revista Nacional, 19.12.1982]
 
(…) Corpo e Alma, espetáculo com a cantora Simone, em cartaz no Canecão, tem dois grandes momentos: a movimentação e alegria da interpretação do sucesso Você Não Soube Me Amar e a força estética de comovente e muito bem realizada musicalmente homenagem a Elis Regina.
[Maria Helena Dutra, Jornal do Brasil, 27.11.1982]

(…) Comparado com o último show feito por Simone há dois anos no mesmo Canecão, o espetáculo atual é bem menos movimentado no sentido de que quem se move em cena é a artista e não os elementos do cenário. É melhor que assim seja, pois a imobilidade do “ décor” ressalta a figura lindíssima da cantora, que lança para fora sua voz poderosa como nunca antes tinha feito. Não é apenas um show para não se perder. É um show para se ver e repetir quantas vezes for possível.
[Zózimo do Amaral, Jornal do Brasil, 27.11.1982]
 
“Ela passa de um pombinha que a gente pode ter na mão, quando ama, a uma tigresa, quando desama”. A definição, de Abel Silva, um de seus letristas mais constantes, cai como uma luva em Simone Bittencourt de Oliveira, baiana de Salvador, 32 anos que, quinta-feira (25), inicia seu terceiro show no Canecão.
Chega para um dos últimos ensaios no Canecão com sua farta e encaracolada cabeleira a esconder traços quase perfeitos do rosto, óculos escuros, calça comprida e blusa de seda pura verdes modelando um corpo revelado discretamente da cintura para cima na capa – escolhida por ela – do novo disco, CORPO E ALMA, lançado pela CBS e que dá nome ao show. Sobe no palco. E, tocando um pandeiro amarelo marca o ritmo com os músicos, dança um tango com Flávio Rangel.
Está solta, menos tensa. No camarim do Canecão com móveis claros e forro branco já com as letras do nome afixadas na porta, Simone deixa voar como pomba a sua fragilidade (“depois das críticas ao disco, vivi a fase mais insegura da minha vida”) (…)
“Fui escolhida para receber a carga de agressividade e despeito da imprensa. Meu trabalho no disco não foi avaliado. As críticas me abalaram muito, porque foram mentirosas. Há uma que é igual, trocando-se apenas os títulos da música, à de PEDAÇOS, lançado em 1979”.
Resurge a tigresa. “Não caí, mas fiquei com feridas que só o tempo cicatrizará. Estão me cobrando uma revolução na música popular brasileira; isto eu não faço. É problema da crítica”.
Bell Marcondes, a Administradora e secretária (…) ” Fico de pára-raio, acham que não facilito o acesso, mas ela está exausta”.
(…) Simone procura tranquilizar e avaliar o show através dos amigos que convida para assistirem aos ensaios no Canecão. “Nesses dias antes da estréia não passa nem pensamento pela minha cabeça. Fica difícil dormir, mas posso adiantar que é um show leve, simples, bonito” (…)
Volta a tigresa, quando revela seu medo de conceder entrevistas.
“Antes eu falava tudo, sem reservas. Agora tenho medo” (…)
E o motivo que Simone, ainda no camarim, evoca para explicar melhor algumas coisas, é a afirmação, repetida, de que declarou estar pronta para atingir o milhão de cópias vendidas. “Não foi explicado, ficou confuso”.
O objetivo, para ela, é o de “expandir-me ao máximo, atingir todas as camadas da sociedade, todas as classes sociais, já que elas existem” (…)
Chegar a marca de 1 milhão de discos é um objetivo para ela. “Mas não com prazo marcado, apenas como um desafio que lanço para mim mesma, sem envolver ninguém. Disseram que CORPO E ALMA foi gravado pensando nisto, é um absurdo, é uma incoerência, porque dá a idéia de que facilitei um repertório, quando a verdade é o oposto” (…)
“Quando ela estava gravando JURA SECRETA para o disco FACE A FACE (Odeon, 1977), chamou-me para o estúdio, estava com problemas para sentir a música. Pegamos as duas no violão, ela de repente chorou, emocionou-se, gravou. Depois me mandou um bilhete: – “É o meu próprio auto-retrato” revela Sueli Costa, uma de suas mais constantes compositoras (…)
“É o mais simples e Apurado dos três que fizemos no Canecão”, diz o diretor Flávio Rangel. “Optamos por uma cena fixa que sofre aqui e ali pequenas modificações, uma cortina azul, em tons degradés de azul, um painel de espelhos, para que o público possa se fixar mais intensamente no trabalho da cantora”
(…) Maestro Chiquinho de Moraes: “Há bons cantores que apenas cantam. No caso de Simone, lembro-me muito de Elis Regina (com quem trabalhou cinco anos): consigo comovê-la com meus arranjos. Se eu resolver faze-la chorar, ela chora”.
[Beatriz Bonfim, Jornal do Brasil, 21.11.1982]
 
(…) (No camarim) sem os figurinos (…) a estrela glamurosa dá lugar a uma mulher de carne e osso, muito magra, muito cansada, às vezes nervosa, às vezes contente, às vezes amarga, “mas é assim que eu fico, perto de show”.
(…) “Só espero, num futuro próximo, não ter que fazer um disco por ano. É demais, é mesmo. Quando um disco acaba seu ciclo, vira show, e você termina a temporada de shows, já está na hora do outro disco, é muito em cima, muito corrido. Depois, eu trabalho dependendo dos compositores, e eles não têm tempo de fazer coisas maravilhosas umas atrás das outras, para atender a tanta gente e a seus próprios discos (…)
(…) E o dinheiro, o poder, o carrão, a cobertura de milhões em São Conrado e outros ouros da fama, que se tornaram públicos nos últimos dois anos? Simone fala com a voz baixa e indignada sobre isso: “Tanta mentira, tanta mentira. Descobri pelos jornais que a gravadora teria investido os tais 40 milhões em mim. Fui lá e exigi esse dinheiro aqui, na produção do show que estou bancando sozinha, com o Canecão. Mas quem acredita?”
[Ana Maria Bahiana, O Globo, 25.11.1982]
 
(…) Num ano que parecia ser o melhor e sua carreira, ela assinou contrato milionário com a CBS, ganhou um Mercedes esporte, gravou nos Estados Unidos e conseguiu a unanimidade da crítica: fez um disco que é um horror. Por isso este show não podia falhar.
(…) Simone está estrelando um show irretocável, para ficar em cartaz até o Carnaval com casa lotada.
Para isso contribui – e muito – a experiência do diretor Flávio Rangel, mestre em dosar temperos de espetáculos para o Canecão. Ele faz a cantora, por exemplo, interpretar um funk de VOCÊ NÃO SOUBE ME AMAR, sucesso da banda Blitz, no melhor momento do show (…)
Rangel, aliás, compreende que sutilezas não combinam com o estilo de Simone. Ao preparar a marcação de VIDA, de Chico Buarque,ele montou um momento para uma platéia de surdos. Os refletores se acendem quando a cantora pede “luz, quero luz”. O fundo do palco é banhado de tons azulados quando ela canta “sei que além das cortinas são palcos azuis”. E quando a letra de Chico fala em “pulsa, pulsa mais”, Simone imita os gestos do paciente durante um exame de sangue.
Que fazer? A platéia adora. A dobradinha Flávio-Simone não busca inovações. No mesmo palco, há dois anos, eles faziam uma homenagem a Vinícius de Moraes. Agora o preito é Elis . Nas duas ocasiões, a dupla conseguiu evitar oportunismo e criar momentos emocionantes. É esta a exigência básica para um show de sucesso.
Neste CORPO E ALMA, o resultado bem-sucedido deve ser creditado também ao amadurecimento de Simone em cena. Ela está mais descontraída e ocupa o palco, o tempo todo, com a certeza de que é a única estrela da noite (…)
(…) O figurino de Markito, com algumas transparências e muito strass, pretende somente revelar as pernas bem-torneadas e exuberantes contornos da cantora.
Simone tem-se queixado que, neste ano, está servindo de bode expiatório da MPB. Acredita que sempre se exige uma revolução em seu trabalho. Bobagem. Estrelando um show convencional, ela está sabendo cicatrizar as feridas provocadas pelo acidente do último disco.
[Artur Xexeo, IstoÉ, 01.12.1982]
 
CORPO E ALMA é leve, emotivo, brincalhão, sério. Sou eu”. Assim Simone define o show (…)
O cansaço, segundo ela, é consequência de muito trabalho, “que, desde a gravação do disco, não tem sido fácil”, e de uma certa angústia, também grande, que, naturalmente, ocorre antes da estréia. “Sempre antes do lançamento de um disco ou da estréia de um espetáculo, fico tensa, com um certo medo. Nesse show, o medo a e angústia foram maiores porque após o lançamento do disco houve muita gente que não entendeu a profundiade da mensagem e acabou malhando o trabalho”.
(…) CORPO E ALMA ficará no Canecão até o final do mês (…) Só em maio ela vai excursionar pela Europa, com apresentações confirmadas na França, Itália, Espanha e Alemanha* e, logo depois já tem de se preparar para a gravação do próximo disco. “Isso é muito desgastante. CORPO E ALMA ainda está começando a ter vida e, logo, eu já tenho de pensar no próximo disco”.
* A Turnê pela Europa não aconteceu.
[Jornal da Tarde, 06.12.1982]
 
Médio. CORPO E ALMA, espetáculo com a cantora Simone em cartaz no canecão, tem dois grandes momentos: a movimentação e alegria da interpretação do sucesso VOCÊ NÃO SOUBE ME AMAR e a força estática de comovente e muito bem realizada musicalmente homenagem a Elis Regina. Pena, porém, que em seus outros minutos a artista lute contra muitas desvantagens. (…) roteiro sem temas e intenções claras, o que chega até ser surpresa, pois o diretor Flávio Rangel nunca antes assinou trabalho neste estilo tão pouco teatral (…) repertório e poucos brilhos (…) metálicos e altíssimos arranjos em quase todas as músicas, o que obriga Simone a forçar e mesmo castigar por demais sua voz durante todo o espetáculo (…)
(…) Simone surgiu muito bem vestida, Markito, e com habitual desenvoltura de palco.
(…) Pena que o roteiro geral de Flávio não defina uma intenção clara, possua poucas ligações teatrais e musicais e não crie climas contrastantes. Passa quase todo em uma só tonalidade. E que o ME DEIXAS LOUCA, marca registrada e Elis Regina, esteja colocado tão longe do pot-pourri em sua homenagem.
Apesar disto, este é sensacional. Um momento em que realmente acontece casamento perfeito a cantora, orquestra mais comedida, direção, iluminação e efeito teatral. São perfeitos os cortes em NEGA DO CABELO DURO, QUERELAS DO BRASIL, O BÊBADO E A EQUILIBRISTA e ÁGUAS DE MARÇO, prontamente ligadas a ENCONTROS E DESPEDIDAS. Outro momento muito bom se opões a este canto triste. É a interpretação engraçada, desenvolta e bem movimentada de Simone e coro para VOCÊ NÃO SOUBE ME AMAR.
(…) Simone não é boa cantora, mas é excelente intérprete. Com pequeno apoio instrumental, ou uma base mais e cordas ou guitarra e baixo, tal como aconteceu há dois anos no mesmo Canecão com a sábia ajuda do maestro Eduardo Souto Neto, ela se sai muito bem (…)
Caso melhor dosarem, imperfeições artísticas desaparecem.
[Maria Helena Dutra, Jornal do Brasil, 29.11.1982]
 
Simone volta hoje ao Canecão para apresentar por mais um mês o espetáculo CORPO E ALMA, um de seus melhores momentos no palco. Ao espetáculo (…) assistiram mais de 90 mil pessoas nos três meses em que ficou em cartaz e o Canecão decidiu prorrogar a temporada.
(…) “O show anterior, de dois anos atrás, era muito introspectivo, mas refletia um momento da minha vida. Eu coloco sempre no que eu canto o que eu estou sentindo. CORPO E ALMA é totalmente despretensioso mas foi e continua sendo o reflexo do que eu estou vivendo. Tem começo, meio, fim, é uma historinha: eu estou aqui, cantando o que me emociona, sou uma menina, uma mulher, sou descarada, e estou me procurando”.
(…) As apresentações na Europa* não lhe enchem os olhos e ela não faz alarde sobre a conquista do mercado internacional. “Toda vez que eu viajo para fazer um show fora, eu não gosto. Eu não gosto de viajar, o meu barato é aqui dentro”, justifica a cantora (…)
(…) Desagradável para ela é estar jantando e ser fotografada ou insistentemente observada enquanto come. Ou ver espocarem flashes no palco, que afetam o olho direito que tem uma inflamação crônica.
(…) Um dos momentos mais impecáveis do show é o que faz referência à Elis Regina. Sem pieguismo, a homenagem chega a ser comovente.
* A Turnê pela Europa não aconteceu.
[Deborah Dumar, Jornal do Brasil, 25.02.1983]
 
Aos 33 anos, Simone Bittencourt de Oliveira completa uma década de carreira como uma daquelas cantoras a quem ninguém fica indiferente. Como Elis Regina, ela é visceralmente amada ou odiada. Como Roberto Carlos, grava nos Estados Unidos e recebe tratamento de estrela na gravadora CBS. Como Maria Bethânia, desperta exaltadas emoções quando entra em cena. Como se, sozinha, tivesse o mesmo poder dos grandes shows organizados por Chico Buarque, ela é capaz de lotar estádios de futebol, grandes ginásios e até parques públicos (…)
[IstoÉ, 05.01.1983]
 
CORPO E ALMA, show em cartaz no Canecão no Rio de Janeiro até o Carnaval, comprova mais uma vez o carisma e Simone diante de grandes platéias (…) Ninguém é mais charmosa no palco da música brasileira (…) Uma sucessão de Simones desfila pelo palco. (…) É um show de aperfeiçoamento da relação cantora e diretor. Flávio Rangel conseguiu principalmente o delicado equilíbrio de uma intensa gama de emoções, onde brilha a fascinante versatilidade da cantora.
[Joaquim Ferreira dos Santos, VEJA, 08.12.1982]

 

Se é bonito ver-se qualquer pessoa evoluir, quanto mais um artista! (…) Uma artista em grande evolução é Simone (…) Ela canta a existência humana e seus impasses, dores, o amor difícil, as (des) esperanças do homem e da mulher nessa quadra do século.
Seu canto não pretende apenas adornar ou tornar a vida doce e harmônica. Estes são ideias românticos poderosos em música popular, mas cantam um mundo que não existe. Ela quer traduzir dor e esperança, impasse e possibilidade, angústia e perplexidade diante de tempos violentos, cruéis, injustos social e politicamente. Ela pretende cantar, portanto, o drama da existência alimentado pela esperança (…) seu gestual não destoa do discurso nem se sobrepõe a ele.
Não faz firulas excessivas, gestos exagerados, tão em moda. (…)
Não namora o público. Faz-se namorar, sedutora. (…)
Tudo isso configura o quê? Uma intérprete, além da cantora; alguém que pretende mais que cantar bonito, intenso e afinado. Configura uma artista que pretende expressar, no palco, o drama de viver e a forma pela qual a mulher de hoje enfrenta, lanhada, machucada, deformada, talvez, até, da visão comportada e romântica de antes, mas talvez melhor, vital, enérgica. (…)
Apreciar essa garra e essa luta de quem se supõe (e acaba conseguindo ser) muito forte (mesmo com a alma de sanhaço) é testemunhar um espetáculo bonito!
Simone é o palco de uma ingente luta do ser para existir e se firmar. É o ser em busca de realização, expressão e alívio. Muito bonito! É prosseguir!
[Artur da Távola, Amiga, 09.02.1983]
 


FIGURINO
Criação: Markito

 
 

ROTEIRO
[Baseado no Programa do Show]

1. Traduzir-se
(Fagner/Ferreira Gullar)
2. Sangrando
(Gonzaga Jr.)
3. Começar de novo
(Ivan Lins/Vitor Martis)
4. Pequenino cão
(Caio Sílvio/Fausto Nilo)
5. Amor
(Ivan Lins/Vitor Martins)
6. Vevecos, panelas e canelas
(Milton Nascimento/Fernando Brant)
7. Corpo
(Sueli Costa/Abel Silva)
8. Me deixas louca
(Armando Manzanero / Versão: Paulo Coelho)
9. Você não soube me amar
(Guto/Zeca Mendigo/Evandro Mesquita/Ricardo Barreto)
10. Tô que tô
(Kleiton/Kledir)
11. Pão e poesia
(Fausto Nilo/Moraes Moreira)
12. Pensando em ti
(Herivelto Martins/David Nasser)
13. Falando sério
(Maurício Duboc/Carlos Colla)
14. Castigo
(Dolores Duran)
15. Embarcação
(Francis Hime/Chico Buarque)
16. Pout-Pourri
(Homenagem à Elis Regina)
17. Alfonsina y el mar
(Ariel Ramarez/Félix Luna)
18. Encontros e despedidas
(Milton Nascimento/Fernando Brant)
19. Vida
(Chico Buarque)
20. Caçador de mim
(Luiz Carlos Sá/Sergio Magrão)
21. Alma
(Sueli Costa/Abel Silva)


MÚSICOS

Banda Amorosa
Piano Rhodes/Clavinete: Cidinho Teixeira
Piano Yamaha: Cristóvão Bastos
Guitarra e Ovation: Rick Werneck
Guitarra e Ovation: Nathan Marques
Baixo: Jorjão
Bateria: Picolé
Percussão : Dom Bira (na reestréia Peninha na Percussão)
Vocal: Paulinho Campos, Zé Luiz e Luiz Bastos
Orquestra Canecão
Trompetes: Maurício Santos, José Barreto e Evaldo Fonseca
Trombones:Roberto Marques e Jorge Berto
Saxofone: Macaé
Violinos: João Daltro de Almeida, Walter Hack, Carlos Eduardo Hack, José Dias de Lana, André Rafael e Henrique Trindade
Strings: Rômulo Veiga

 
FICHA TÉCNICA

Direção Geral: Flávio Rangel
Direção Musical, Arranjos e Regência: Maestro Chiquinho de Moraes
Administração (Cigarra Produções): Bell Marcondes
Gerência de Produção (Cigarra Produções): Toninho Moraes
Ambientação Visual: Luiz Carlos Mendes Ripper
Realização de Cenografia: René Magalhães
Assistente de Cenografia: Juarez Puig
Adereços: Sérgio Silveira
Direção de Cena: Carlos Raguso (Pepe)
Maquinistas: Helio Badu, Almir Silva e Paulo Sá
Som: Luiz Paulo, Célio Martins, Roldão, Maurice, Marcos Soares, Nestor Lemos e Mario Filho
Iluminação: Flavio Rangel
Operadores de Luz: Roberto Pires Moreira e José do Egipto
Assessoria de Imprensa: Ivone Kassu
Assistentes: Cristina Ferreira e Ângela Gonzaga
Coordenação de Camarim: Amin Thaer Khader
Camareiras: Clara Santos, Lourdes Soares, Edméia Barbosa e Paulina Gouveia
Maquilagem: Guilherme Ferreira
Estilista do cabelo de Simone: Ruddy
Figurino de Simone: Markito
Foto Capa (programa): Luiz Garrido
Fotos (programa): Paulo Saavedra, Roberto Amarante e Marcelo Castro
Assistentes de Produção: Leonardi Perico (Léo) e Ormindo Costa
Produção Geral: Manoel Valença
Agradecimento a Ana Flávia Comércio de Roupas pela cessão de suas instalações para a confecção do guarda-roupa deste espetáculo



DISCO 

CORPO E ALMA
[CBS, 1981]


PROGRAMA DO SHOW 


FOTOS 
1982-ICON-corpoealma


LUGARES

A estréia do show “Corpo e Alma” foi no (extinto) Canecão no Rio de Janeiro
[Foto: Internet]

 

Divulgação do show “Corpo e Alma”

 

Ingresso para o show “Corpo e Alma”


 
SIMONE FALA SOBRE O SHOW
 
“Ali (a porta do camarim) eu já estou tremendo. Aí vem o corredor escuro, você ouve de longe o barulho do pessoal. O joelho treme,a garganta aperta. Parece que você não vai acabar de andar nunca. Eu sempre quero voltar, nesse ponto. Peço ajuda, o pessoal tem de apertar minha mão, me dizer coisas boas. Digo qu enão vou conseguir, que quero desistir, que quero voltar. Aí, pego o microfone e entro tremendo. A luz. Aí dá uma coisa. Fica tudo diferente, é tão bom, a voz sai fácil. Não quero sair mais de lá. Mas não faço intervalo porque tenho a impressão de que, se eu sair do palco, não vou conseguir voltar”.
 
(O show vai respeitar essa dualidade corpo/alma, Simone explica): “É uma viagem, tanto uma viagem pessoal minha como a de qualquer pessoa. Tem um ponto de partida inicial, as descobertas, a solidão, as brincadeiras, o amor e depois a retomada dessa proposta inicial. Mas eu não tenho a habilidade com as palavras que o Flávio (Rangel) tem. Ele explica muito melhor que eu”.
 
“Se eu tivesse de definir este espetáculo, eu diria que ele é um trabalho humanista. É muito simples, também, muito despojado, muito depurado. Começa com uma pessoa, uma moça, que se apresenta e se questiona, se pergunta se é possível traduzir publicamente aquilo que sente e vive. Aí começa sua viagem existencial – ela descobre o amor, o sexo, é a adolescência. Fica só, procura a extensão social do seu amor, homenageia uma colega e se descobre, ao final da jornada, fazendo de novo as mesmas perguntas. Mas, aí, esperamos que todos quantos tenham feito a viagem conosco tenham achado suas próprias respostas”.
[O Globo, 25.11.1982]
 


 
SIMONE FALA SOBRE O ESPECIAL “CORPO E ALMA”
“Sempre encarei a vida de artista como um desafio constante. Este será mais um deles: fazer um grande show para a televisão na Quinta da Boa Vista, ao vivo. A princípio, pode parecer uma loucura, mas tudo foi transado com a maior seriedade e, como eu sou pé quente, sei que vai dar certo”.
[Especial ‘Corpo e Alma’ (release),  dezembro de 1982]




 


VÍDEOS

Especial “Corpo e Alma”
 

[Rede Globo, Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, 17.12.1982 – ao vivo]
Outros momentos de “Corpo e Alma”