SHOW FACE A FACA (1977)

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show FACE A FACA

Com Simone
Estréia: 14 de outubro De 1977
Local: Teatro Clara Nunes, Rio De Janeiro RJ

 

APRESENTAÇÃO | Após duas rápidas temporadas, uma delas com seu primeiro show individual, ‘Face a Face’, dirigido por Antonio Bivar, seguida pelo grande sucesso do show ‘Seis e Meia’, apresentado ao lado de Belchior durante uma semana no Teatro João Caetano, Simone retorna sob a direção de Hermínio Bello de Carvalho, com o show ‘Face à Faca’. A semelhança fica apenas entre os nomes dos shows – ‘Face a Face’ – ‘Face à Faca’ – pois além da mudança na direção do espetáculo, o roteiro, equipe técnica e músicos também foram alterados.
Simone canta no show, pela primeira vez, uma composição sua – em parceria com Hermínio – ‘À Beira dos Lençóis’, gravada por ela somente em 2009 no álbum ‘Na Veia’ e com o título ‘Vale a Pena Tentar’:
 
“Talvez eu te proponha a coisa certa
No caso a questão é se tentar
Mas sempre que eu deixei a porta aberta
Você veio correndo pra fechar
E eu fico sem vergonha me arrastando
E sem ter por que
As vezes que te penso não são poucas
E as noites que não durmo são bastantes
As vezes que recordo são constantes
E as vezes que não volto sofro mais
Você me amedronta e me apavora
Não sei por que
Me deixa ocupar a tua insônia
Me deixa devastar teus pensamentos
Me deixa percorrer teus sentimentos
Até me exaustar
Talvez eu te proponha a coisa incerta
Mas sempre vale a pena se tentar”
 
Sobre a montagem deste espetáculo, Hermínio disse: voltei a dirigí-la (‘Face a Faca’) em teatro, o Clara Nunes, com as sobras financeiras que o Marcos Lázaro catou de uma produção do Roberto Carlos. Ney Matogrosso ficou perplexo quando listei o repertório daquele show: do “Rei” Roberto a Chico Buarque, passando por Milton, Herivelto, Manzanero, Gonzaguinha, Dolores Duran, Wilson Baptista, Simone cantava até o ‘Cabecinha no ombro’ (…) Ensaiávamos 10, 12 horas por dia. O ‘Face a Faca’ provou que os teatros começavam a ficar pequenos para Simone.
[Hermínio Bello de Carvalho, release do álbum ‘Sou Eu’, 1992]


IMPRENSA

Em Simone (…) o observador mais atento pode verificar um constante trabalho de aperfeiçoamento. (…) eis que estréia FACE A FACA, em que Simone se readapta ao trabalho de Hermínio, que a presenteou com um roteiro musical incomparavelmente superior aos textos anteriores – em clareza, integridade artística e eficiência técnica.
(…) Não há dúvida: gestos medidos, voz controlada, Simone chega, enfim, à categoria das cantoras que vão do particular ao geral, do subjetivo ao social, com a inteireza dos que sabem por que e como cantar.
[Antônio Chrysóstomo, Veja, 25.10.1977]

 
FACE A FACE chama-se o mais recente Lp de Simone, mas FACE A FACA é o título que Hermínio Bello de Carvalho escolheu para o show:

“Porque a faca e seus gumes exercem sobre mim uma atração irresistível. Isso deixei claro em meu último livro, AMOR, ARMA BRANCA. E um espetáculo, para mim, não é somente alinhavar um número de músicas, não. Entendi que a própria solicitação de Simone, ao me procurar, poderia ser também uma necessidade de estender-se na proposição de seu último disco: o de mostrar-se de cara lavada diante do público. A partir do título da música de Sueli (Costa) e Cacaso encontrei o veio do espetáculo. Fugi três dias de casa e fui enchendo um caderno de anotações, todas pontuando a minha relação com Simone, o que sei dela e ela de mim. O espetáculo vai do segredo ao secreto – esta, inclusive, é a sua chave. Transcrevo aqui uma anotação que fiz na sinopse: “Esta o espetáculo, portanto, para ser retalhado em sete gumes, sete gumes retalhando a face. A face de Simone reespelhada nos músicos – seus orixás – que irão exorcizá-la.”

Tanta fúria na proposta de um show é explicada pelo próprio Hermínio quando diz que ele e Simone são duas pessoas terrivelmente ciumentas e que se digladiam e se questionam até com aspereza. Mas toda essa paixão furiosa está jogada no espetáculo, assegura Hermínio.
[Nelson Motta, O Globo, 07.10.1977]
 
(…) Mas eis que estréia FACE A FACA, em que Simone se readapta ao trabalho com Hermínio, que a presenteou com um roteiro musical incomparavelmente superior aos textos anteriores (em clareza, integridade artística e eficiência técnica). Em FACE A FACA ainda é possível, por rápidos momentos, vislumbrar a Simone-Bethânia, nas divisões de certas músicas a Simone-Maysa, ou, em alguns momentos de corpo, a Simone-Marlene. A reconhecida competência do diretor acabou, porém, por extrair da cantora méritos anteriormente apenas adivinhados, num show exemplarmente criado para servir às suas necessidades de expressão.
(…)
Há um momento de arriscado preciosismo: a sequência iniciada por MANINHA, de Chico Buarque e encerrada por CABECINHA NO OMBRO, de Paulo Borges, e toda montada sobre soluços abafados, com a cantora sentada no chão, enroscada em si mesma. Tudo poderia redundar em melodrama fácil, mas ela consegue passar ao públiuco a perfeita imagem de sofridos sentimentos íntimos, quase chorados, na mistura de fala e canto. Não há dúvidas: gestos medidos, voz controlada, Simone chega, enfim, A categoria das cantoras que vão do particular ao geral, do subjetivo ao social, com a inteireza dos que sabem por que e como cantar.
[Antonio Chrysóstomo, Veja, 26.10.1977]
 
(…) Em apenas 12 dias foi feito todo o trabalho, uma rapidez causada não por problemas financeiros – mas para aproveitar um tetaro vago, coisa rara, em nossa escassa cidade. Outra vez, porém, a inimiga da perfeição fez mais uma vítima. O apressado trabalho apresentado se ressente, obviamente, de elaboração maior em todas as suas parcelas. E por isso, Simone continua no meio do caminho, amolando sua pedra com uma faca que apenas o tempo, calma e maior reflexão poderão melhor afiar.

Os cuidados da sempre profisisonal e limpa direção de Hermínio Bello de Carvalho estão todos lá. Iluminação adequada, som perfeito, músicos de reconhecida competência (Ivani Sabino, Willcox, Alemão e William Caran). No entanto lhe falta, marca registrada de Hermínio, uma maior interiorização de todo o trabalho. Diz ele que o show procura mostar sete gumes de uma faca e sua trajetória ao nos perfurar. No entanto, não se sente as feridas porque tudo parece sempre ficar na epiderme e na superfície.

Simone chega ao rigor da perfeição em MANINHA, de Chico Buarque. Tudo parece outra vez voltar a seu lugar quando ela impõe sua personalidade em músicas de Roberto Carlos, Chico Buarque e Sueli Costa.
[Maria Helena Dutra, Jornal do Brasil, 28.10.1977]
 
(…) Simone vem fazendo um trabalho sério e seguro, marcando sempre com destaque sua presença na música brasileira. Hermínio Bello de Carvalho, responsável pela direção do show e que a acompanha desde os idos de 1974, em mensagem à Simone, diz que o seu objetivo, no espetáculo, foi tentar mostrar uma angulação dos dias que vivemos. E Simone, no palco, consegue transmitir as intenções do seu diretor de forma direta e precisa, sem necessitar de artifícios, normalmente colocados em prática por alguns profissionais. (…)
[Edson Pinto, Amiga, 16.11.1977]
 
(…) FACE A FACA, espetáculo que visa a estender a proposição de FACE A FACE, seu último disco, e mostrá-la de cara lavada diante do público. (…) A intenção de Hermínio Bello de Carvalho é “mostrar no espetáculo todos os componentes desse grande elenco que encerra a vida, e os gumes da face que ela esmerilha. Detalhar em blocos temáticos os assaltos que sofremos à luz do dia, da noite, à luz da razão e do sofrimento”. Para isso, ele fixou o espetáculo em sete partes: sete gumes que retalham os temas abordados.

Simone, entretanto, não quer que seu show seja confundido com o que fez recentemente (…). “O show (anterior) foi a apresentação de meu último disco, FACE A FACE. FACE A FACA contem uma parte do disco e uma parte todos os trabalhos que fiz desde que comecei” (…)
[Mirian Coutinho, Amiga, 16.11.1977]
 
Mais imprensa ‘Face a Faca’


 
SIMONE FALA SOBRE O SHOW
 
“Este (show) é o meu auto-retrato retalhado em sete gumes e em cada gume há uma faceta da vida: ironia, sensibilidade, esperança, segredo e o secreto da Simone criança e adulta que existem em mim”.
“FACE A FACA foi um show que veio retalhar a minha personalidade. As músicas me mostravam da cabeça aos pés. Foi um negócio que me desnudou perante o público”.

[Trechos extraídos de: Amiga, 16.11.1977 e Fatos e Fotos, 01.08.1978]
 

[Rede Globo, Reportagem de Nelson Motta, 13.10.1977]

 
Simone no show ‘Face a Faca’
Foto: Amiga/ Acervo ‘Tudo Isso É TV’

 

ROTEIRO

[Baseado em gravação amadora do show de estréia no Teatro Clara Nunes, Rio]


1. Fé Cega, Faca Amolada
(Milton Nascimento)
2. Chegou a Hora
(Ivan Lins/ Ronaldo M. Souza)
3. As Curvas da Estrada de Santos
(Roberto Carlos/ Erasmo Carlos)
4. Se queres saber
(Peter Pan)
5. Falam de Mim
(Noel Rosa/ Éden Silva/ Aníbal Silva)
6. Eu nem ligo
(Gonzaga Jr.)
7. À beira dos lençóis
(Simone/ Hermínio Bello de Carvalho)
8. Matriz ou Filial
(Lúcio Cardim)
9. Disfarce
(Vital Lima/ Sérgio Rocha/ Sidney Piñon)
10. Voy a apagar la luz
(Manzanero)
11. Qui nem jiló
(Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira)
12. Fim de caso
(Dolores Duran)
13. Quatro Paredes
(Eduardo Marques)
14. O que será – à flor da terra
(Chico Buarque)
15. Pout-Pourri
(Vários)
16. Somos todos iguais nesta noite
(Ivan Lins/ Vitor Martins)
17. Cabecinha no ombro
(Paulo Borges)
18. Maninha
(Chico Buarque)
19. Detalhes
(Roberto Carlos/ Erasmo Carlos)
20. Gota d’água
(Chico Buarque)
21. Sistema Nervoso
(Wilson Baptista/ Roberto Roberti/ Arlindo Jr.)
22. Desgosto
(Thereza Tinoco)
23. Face a Face
(Sueli Costa/ Cacaso)
24. Jura Secreta
(Sueli Costa/ Abel Silva)
25. Sangue e Pudins
(Fagner/ Abel Silva)


MÚSICOS

Willcoux: Piano Acústico e Guitarra
Ivani Sabino: Baixo Elétrico
William Caran: Bateria
Alemão: Violão

 
FICHA TÉCNICA

Direção Geral: Hermínio Bello de Carvalho
Direção Musical: Willcox 


FOTOS 

 
LUGARES

Teatro Clara Nunes, Rio de Janeiro
Foto: Internet

 
DIVULGAÇÃO


 
ÁUDIOS
Alguns momentos da estréia do show ‘Face a Faca’, Teatro Clara Nunes, Rio. Gravação amadora (baixa qualidade), publicada mais pelo valor histórico.

‘À beira dos lençóis’
(Simone/ Hermínio Bello de Carvalho)

Rebatizada de ‘Vale a pena tentar’ e gravada por Simone no álbum ‘Na veia’ (Biscoito Fino, 2009)

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‘Cabecinha no ombro’
(Paulo Borges)

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Depoimento de Elizeth Cardoso (cantora) sobre o show

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Foto: João Silva/ Amiga