SHOW PIXINGUINHA (1978)

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show (Projeto) PIXINGUINHA

Com Simone E Sueli Costa
Estréia: 11 De Agosto De 1978
Local: Teatro Dulcina, Rio De Janeiro RJ

 

APRESENTAÇÃO | Projeto Pixinguinha
Em busca de uma maior aproximação com artistas e sociedade, uma das principais intervenções do governo na área cultural foi a criação da Fundação Nacional de Arte em dezembro de 1975, vinculada ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) (…) Aproveitando a abertura sinalizada pelo governo, a Sombrás se movimentou e Hermínio (Bello de Carvalho) apresentou a Ney Braga (Ministro da Cultura) a proposta de uma série de espetáculos nos moldes do “Seis e Meia”, mas em nível nacional. Como todos na Sombrás veneravam Pixinguinha como um deus, a idéia foi batizada com o nome do saudoso músico, tendo por subtítulo Um projeto carinhoso. (…) que começou a ser desenvolvido no início de 1977, tendo Hermínio como coordenador-geral (…)
Para a fase de implementação do projeto foram selecionadas seis capitais: Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba.
(…) havia um público em potencial de 600 mil espectadores para as 13 semanas de shows previstas inicialmente. Ao mesmo tempo, escolhiam-se os teatros que abrigariam os espetáculos3 (…)
A filosofia do “Projeto Pixinguinha” era inspirada nas idéias discutidas na Sombrás: abrir o mercado de trabalho ao músico brasileiro, divulgar o repertório nacional de alto nível, ampliar o público e formar novas platéias, estabelecer um novo hábito cultural para atingir principalmente pessoas carentes de lazer. Foi adotado o slogan “Criar novos espaços culturais, sem invadir os já existentes”, e o horário escolhido para os espetáculos, assim como acontecera na famosa série do Teatro João Caetano, foi o das 18h30. O formato artístico também era o mesmo, com a apresentação de duplas de músicos.
O “Projeto Pixinguinha” foi lançado em agosto de 1977 (…) e uma programação de 13 elencos, a maior parte já testada no ‘Seis e Meia’.
Os espetáculos estreavam no Rio de janeiro, permaneciam uma semana em cartaz e depois seguiam para as outras quatro capitais incluídas no roteiro. (…)
Os cachês dos artistas – cantores e músicos acompanhantes – eram prefixados, mas poderiam aumentar dependendo do número de espectadores, porque repassava-se para o elenco 10% do que era arrecadado na bilheteria. (…) O “Projeto Pixinguinha” montou também um competente sistema de divulgação. (…) O organograma do projeto previa para cada elenco um diretor artístico (com total autonomia para montar o espetáculo), um assistente de direção e um administrador (responsável pelos trabalhos burocráticos e produção executiva). Entre os primeiros diretores que assinaram os shows da série de estréia do “Projeto Pixinguinha” estavam Maurício Tapajós, Sérgio Cabral, Oswaldo Loureiro, Cinaldo de Souza, Dori Caymmi e Fauzi Arap (…)
Na Funarte, o “Projeto Pixinguinha”, prestes a entrar em seu segundo ano, passou por mudanças. Sentindo que a série já estava bem estruturada, montada de acordo com os princípios em que fora realizada, Hermínio resolveu se afastar do cargo de coordenador-geral. Deixou o barco sob o comando da equipe que havia formado, encabeçada por Paulo César de Rezende, Alvin Barbosa e Ivone Kassu. No leme da produção, ficou Luis Sérgio Bilheri Nogueira, pessoa mais do que apropriada para o posto (…) possuía o perfil de organizador que o cargo pedia, tendo trabalhado na instalação do “Seis e Meia” e do “Pixinguinha”.

"Simone
Show ‘Pixinguinha’ em Recife PE, publicada na revista VEJA em 04.10.1978
Foto: Amilton Vieira

Em 1978, o “Projeto Pixinguinha” foi ampliado e melhorado, em resposta à críticas sofridas durante a série inaugural. Uma das primeiras atitudes de Luis Sérgio na chefia da produção foi montar uma comissão independente, formada por compositores, jornalistas e outras pessoas ligadas à música, para fazer a seleção dos elencos (…)
Com a expansão do “Projeto Pixinguinha”, mais artistas foram contratados e os espetáculos passaram a ser divulgados por regiões. O sucesso se repetiu e mais de meio milhão de pessoas compareceram aos shows. (…)
[Trecho do livro ‘Timoneiro – Perfil Biográfico de Hermínio Bello de Carvalho’, Alexandre Pavan, Ed. Casa da Palavra – 2006]

 
Simone e Sueli Costa

Simone e Sueli Costa durante a turnê ‘Pixinguinha’, 1978
Foto: Pedro Moraes

O primeiro Lp de Simone apareceu em 73 e já revelava uma cantora de grande potencial, mas não amadurecida. No mesmo ano excursionou pela Europa e EUA ao lado de Roberto Ribeiro e João de Aquino com o espetáculo de Hermínio Bello de Carvalho, que foi apresentado na Feira “Brasil Export 73”, em Bruxelas. De volta ao Brasil, participou de um disco gravado ao vivo que apresentava algumas cantoras novas da Odeon e gravou outro Lp, “Quatro Paredes”, um de seus melhores trabalhos. Foi a partir de seu Lp seguinte, “Gota d’água”, que Simone começou a ser mais conhecida e passou a fazer apresentações mais freqüentes.
Em 77, além do lançamento de novo Lp, “Face a Face”, e de cantar a trilha sonora do filme “Dona Flor e Seus Dois Maridos” de Bruno Barreto, Simone fez muito sucesso num show no MAM. No Teatro Clara Nunes, com direção geral de Hermínio Bello de Carvalho, apresentou-se em “Face a Faca”. Simone, em cada show, vem se projetando e se coloca, no momento, entre as melhores cantoras brasileiras. Acabou de gravar outro LP, “Cigarra”, com músicas de Luiz Gonzaga Jr. (“Petúnia Resedá”), Fagner e Abel Silva (“Sangue e Pudins”), Milton Nascimento e Ronaldo Bastos (“Cigarra”).
Sueli Costa faz parte da geração de compositores surgidos nos festivais, tendo começado a chamar a atenção a partir da apresentação de “Encouraçado”, de parceria com Tite de Lemos, em um dos Festivais da Canção. Começou, então, a ter músicas suas gravadas pelos intérpretes mais importantes e foi aos poucos solidificando sua carreira como compositora.

Sueli Costa Show 'Pixinguinha', 1978 Foto: FUNARTE
O fato que modificou o ritmo de sua carreira foi Maria Bethânia ter incluído várias de suas músicas no show “Cena Muda”, em 75. No mesmo ano Sueli gravou seu primeiro LP, onde revela-se uma intérprete sofrida e comovente. Passou, então, a se apresentar com mais freqüência e a ter suas músicas no repertório de artistas como Simone, Nana Caymmi, Fafá de Belém, Elis Regina, Quarteto em Cy e Ivan Lins. Mais recentemente lançou seu segundo LP e fez uma curta temporada no Teatro Ipanema, além de ter participado, como convidada especial, do show de Fafá de Belém na Concha Verde.
[FUNARTE, Programa do Show, 1978]


IMPRENSA

icon-imprensa-1978pixinguinhaReconhecem administradores, assistentes e frequentadores habituais do Teatro Castro Alves: nem mesmo nos áureos tempos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia houve nada igual (…) Metida numa malha branca, justíssima, calçando botas e alto coturno, Simone duela musicalmente com Sulei Costa quase uma hora, desfiando 22 composições (…)

[Ricardo Noblat, VEJA, 30.08.1978]

(…) Ela chegou realmente a algum lugar muito especial depois de cinco anos de carreira e cinco discos de qualidade e consumo desiguais. (…) Juntos, os cinco discos dão uma boa pista para se seguir a caminhada desta moça que virou cantora quase por acaso. (…)

Como é somente cantora, e toca o violão canhoto que ela mesma considera primário, quase perde o fôlego para ganhar o público com o que tem – sua voz forte e quente, seu corpo imponente em sinuosos movimentos, a marcação levemente teatral que imprime ao que canta. Ela vem tentando, é verdade, compor suas próprias músicas (…)

(…) Esta boa estrela veio iluminar um espaço de sombras e anseios que mal se pensam e jamais se pronunciam – e ela está alegre, otimista, apostando no futuro. (…)

[Geraldo Mayrink, Veja, 04.10.1978]
 
Mais imprensa ‘Pixinguinha’


 
SIMONE FALA SOBRE O SHOW
 
“Não houve um êxito meu, mas nosso. A meu ver, a imprensa, inadvertidamente talvez, torceu um pouco as coisas. Assim, as notícias falavam sempre de filas e confusões para ver Simone, quando não era verdade. O público fazia filas para ver e ouvir Simone/ Sueli Costa e seu grupo. E o público do ‘Pixinguinha’ não foi carinhoso apenas conosco, mas com todos os outros artistas que participaram do projeto (…) As pessoas achavam que só porque eu cantava músicas de Chico, Milton, Sueli Costa, o público de renda mais baixa não me entenderia. O próprio povo respondeu, comparecendo em massa ao nosso espetáculo. Isso para mim foi importante porque eu nunca quis cantar apenas para um certo tipo de público. Meu objetivo, desde o início, foi atingir todos. E, graças ao ‘Pixinguinha’, eu consegui”
[Folha de S. Paulo, 09.08.1979]
 
“Em Salvador, eu nunca me apresentara antes. Mas o público está sendo muito bonito, está jogando muita coisa pra fora”
[Veja, 30.08.1978]
 
“Quando fiz o ‘Projeto Pixinguinha’, e conversei com o pessoal da Funarte, foi combinado que eu poderia levar minha secretaria e o diretor do show. Pra secretaria tiraram a passagem, mas pro diretor não, dizendo que já tinha um assistente. Pro diretor ir, só tirando o emprego do assistente, que era a Gilda Horta, e isso não admiti, mas depois que a gente terminou a administradora da época, a Bel, foi mandada embora. Eles jogavam na cara que a gente tava precisando daquele dinheiro. Eu ganhava Cr$ 80 mil por mês no Pixinguinha, e Cr$ 120 por mês com meus shows, então não tava fazendo por dinheiro, mas por amor. Em Vitória, quando cheguei na segunda feira com Sueli Costa, tinha uma matéria no jornal dizendo que eu tinha virado estrela e que não dava entrevista. Isso no jornal de domingo! E o cara que fazia assessoria de imprensa não falou nada! Botaram a gente num hotel que se eu abrisse a janela do quarto dava prum INPS e pro cais do porto. ‘Gente, vou ficar uma semana nesse local. Não pode mudar pra outro?’. Eu queria ir prum hotel em Vila Velha onde a diária aliás, era a metade do preço, mas acharam que aquilo era estrelismo da minha parte, que eu tinha que ficar num hotel ao lado do teatro. Eu podia ter feito como muitos artistas, que pegavam seus maridos ou secretárias e iam pra outro hotel, mas impus que aonde eu fosse ia todo mundo. Como eles achavam que as pessoas faziam o Pixinguinha porque estavam precisando de dinheiro, punham em qualquer lugar. Tinha hotel que era em beira de estrada! Agora depois de minha viagem alguns hotéis foram mudados (…) Quando cheguei em Belém, soube que o último dia do espetáculo tinha sido comprado por uma faculdade. Virei e disse que não fazia o show. ‘Se é pra comprar, eu compro e banco. Isso é sacanagem!’. O povo não podia assistir porque uma faculdade que tinha muita grana comprou o show. E ainda falaram pra g ente cantar duas músicas e sair do palco porque a solenidade começaria logo em seguida. Deu um rebu danado … veio prefeito … ‘Não faço. Ou o show é vendido pro público, ou faço o show no coreto, na praça ao lado do teatro’. Chegaram num acordo e venderam ingressos prum show às quatro horas da tarde. Eu não podia me submeter a uma faculdade de gente rica! O público não podia assistir! Que tal? To sonhando com um idealismo que não existe. Me senti traída pelos próprios organizadores do projeto (…) A realização do projeto é fantástica. Eu queria que o Governo me desse uma verba, ou então que não me fosse cobrado nada, pra eu ficar fazendo shows em ginásios abertos ao público, ou então a Cr$ 10. Agora, pra isso o Governo tem que pagar as passagens e a hospedagem que não vou tirar do meu bolso, não tenho condições financeira para bancar isso. Qualquer secretaria de educação e cultura poderia fazer isso, tentei que isso fosse feito em Manaus, mas o que acontece é que sempre alguém quer tirar algum por baixo. Vou servir de cobaia? Já basta a sacanagem que fizeram comigo, com Sueli e com a banda”.
[PASQUIM, 01 a 08.01.1981]

 

 

ROTEIRO
[Baseado no programa oficial do show]


1. Face a face
(Sueli Costa/ Abel Silva)
2. Jura Secreta
(Sueli Costa/ Abel Silva)
3. Gota d’água
(Chico Buarque)
4. Começaria tudo outra vez
(Gonzaga Jr.)
5. Matriz ou Filial
(Lucio Cardim)
6. O que será
(Chico Buarque)
7. Cigarra
(Milton Nascimento/ Fernando Brant)
8. Petúnia Resedá
(Gonzaga Jr.)
9. Então vale a pena
(Gilberto Gil)
10. Medo de amar no 2
(Sueli Costa/ Abel Silva)
11. As curvas da estrada de Santos
(Roberto Carlos/ Erasmo Carlos)
12. Vento Nordeste
(Sueli Costa/ Abel Silva)
13. Sangue e Pudins
(Fagner)
14. Ela disse-me assim
(Lupicínio Rodrigues)
15. Dentro de mim mora um anjo
(Sueli Costa/ Cacaso)
16. Amor, amor
(Sueli Costa/ Cacaso)
17. Coração Ateu
(Sueli Costa)
18. Encouraçado
(Sueli Costa/ Tite de Lemos)
19. Bóias de luz
(Sueli Costa/ Abel Silva)
20. Cão sem dono
(Sueli Costa/ Paulo César Pinheiro)
21. Iceberg
(Sueli Costa/ ALdir Blanc)
22. Mãos
(Sueli Costa/ Aldir Blanc)


MÚSICOS

Teclados: Will
Bateria William Caran
Percussão : Ubiraci Oliveira
Guitarra: Alemão
Contrabaixo : Ivani Sabino

 
FICHA TÉCNICA

Diretor Artístico: Fernando Pinto
Assistente de Direção: Gilda Horta
Administradora: Bell Marcondes


FOTOS 

 
LUGARES

Rio de Janeiro RJ
(Teatro Dulcina e Sala FUNARTE)
Brasília DF
(Piscina Coberta – CDPM)
Belém PA
(Teatro da Paz)
Vitória ES
(Teatro Carlos Gomes)
Salvador BA
(Teatro Castro Alves)
Recife PE
(Teatro do Parque)
Maceió AL
(Teatro Deodoro)


PROGRAMA DO SHOW 


CURIOSIDADE 
Cartão de Visita

 


ARTISTAS que participaram da primeira temporada do Pixinguinha (1977):
 
Estréia com: Nana Caymmi e Ivan Lins
Ademilde Fonseca e Abel Ferreira
Alaíde Costa, Turíbio Santos e Copinha
Carmem Costa, Carlinhos Vergueiro e Chapéu de Palha
Cartola, João Nogueira e Grupo Bandola
Clementina de Jesus e João Bosco
Dóris Monteiro e Lúcio Alves
Jards Macalé e Moreira da Silva
Marília Medalha e Zé Kéti
Marlene e Gonzaguinha
Marisa Gata Mansa, Tito Madi e Moacyr Silva
Wanderléa e Jorge Veiga

 

ARTISTAS que participaram da segunda temporada do Pixinguinha (1978):
 
24 de julho a 9 de setembro de 1978
 
Estréia com: Paulinho da Viola e Canhoto da Paraíba
Abel Ferreira e Ademilde Fonseca
Altamiro Carrilho, Gilberto Milfont e Maria Martha
Beth Carvalho, Nelson Cavaquinho e Vânia Carvalho
Carmélia Alves, Antônio Adolfo, Grupo Feito em Casa e Oswaldinho do Acordeom
Carmen Costa e Peri Ribeiro
Cartola, Carlinhos Vergueiro e Cláudia Savaget
Clementina de Jesus, Xangô da Mangueira e Exporta Samba
D. Ivone Lara, Roberto Ribeiro e Grupo Família
Dóris Monteiro e Lúcio Alves
Edu Lobo e Boca Livre
Fafá de Belém, Beto Guedes e Lula Carvalho
Gonzaguinha e Marlene
Jackson do Pandeiro e Alceu Valença
João Nogueira, Sérgio Cabral, Maurício Tapajós e Grupo Bandola
Joyce e Toninho Horta
Leci Brandão, Joel do Nascimento e Grupo Chapéu de Palha
Leny Andrade e Emílio Santiago
Luiz Vieira e Danilo Caymmi
Marília Medalha e Zé Keti
Marisa Gata Mansa, Jamelão, Moacyr Silva e Terra Trio
Moraes Moreira e A Cor do Som
Moreira da Silva, Macalé e Aline
Nana Caymmi e Dori Caymmi
Nara Leão, Dominguinhos, Os Carioquinhas e Ritmo Nordestino
Paulo Moura, Roberto Silva, Antônio Carlos e Jocafi
Sérgio Ricardo, Quinteto Violado e Marlui Miranda
Simone e Sueli Costa
Turíbio Santos, Alaíde Costa e Copinha
Zezé Motta e Johnny Alf