SHOW SEDUÇÃO (1989)

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show SEDUÇÃO

Com Simone
Estréia: 19 De Janeiro De 1989
Local: Scala I, Rio De Janeiro RJ
Show dedicado a Flávio Rangel

 

APRESENTAÇÃO | Sedução Explícita
A cantora Simone levou ao pé da letra o título do seu último show, SEDUÇÃO, o mesmo do seu disco (…) Em extraordinária forma física e canora, a artista se auto-dirigindo pela primeira vez (seu diretor mais constante era o falecido Flávio Rangel) realiza o melhor espetáculo de sua carreira num show enxuto, com roteiro perfeito, uma banda (poderia abaixar o volume somente) à altura da cantora e iluminação idem, que também pode melhorar pois em alguns momentos é muito escura, seduzindo a enlouquecida platéia com as 17 composições acrescidas de quatro bis. Merecidos.
Vestida em renda branca – como sempre o branco predomina até no fio do microfone – por Luís de Freitas, Simone inicia seu SEDUÇÃO cantando a deslumbrante CAIS, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, quase à capela, já arrepiando o público, pois ela nunca cantou tão bem. Seguindo por um clássico de Ary Barroso: ISSO AQUI O QUE É (…) Interpretada pela cantora de tamborim na mão, apoiada pela banda e reforçada pelos ritmistas da Escola de Samba Caprichosos de Pilares, é número dos mais bonitos, uma constante do show onde Simone garimpou o que há de melhor em seu repertório. Como ME CHAMA, de Lobão, com destaque para o solo de sax de Vinícius Dorin, também um claque na flauta, seguida de KALU, de Humberto Teixeira, clássico de Dalva de Oliveira recriado com competência.
 

AMEI DEMAIS, de Sullivan e Massadas, presente no novo disco, nada acrescenta, mas IOLANDA, de Pablo Milanes e (versão) de Chico Buarque, sim. Com direito ao coral formado pelo público assim como no samba-enredo O AMANHÃ, de João Sérgio, com direito à ótima mini-bateria da Caprichosos. Mas é na décima canção que Simone começa a realizar a melhor parte do seu show nas emocionadas interpretações de EU SEI QUE VOU TE AMAR, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, acompanhada só pelos teclados num dos momentos mais bonitos de SEDUÇÃO, Seguida da não menos deslumbrante O MUNDO É UM MOINHO, de mestre Cartola, e GOTA D’ÁGUA do não menos mestre Chico Buarque.
Mas é cantando Cazuza que Simone surpreende não só pelos quase novos arranjos como pelas doloridas e lindíssimas interpretações para CODINOME BEIJA-FLOR, de Reinaldo Arias, Cazuza e Ezequiel Neves, BLUES DA PIEDADE, de Frejat e Cazuza, transformada ao final num em lindíssimo cantochão, acompanhada de O TEMPO NÃO PÁRA, de Cazuza e Arnaldo Brandão. Nessa música ela tira o bolero, pega sua guitarra e se solta nos sensacionais versos de Arnaldo Brandão e Cazuza, mesclados a alguns versos de ÁGUAS DE MARÇO, de Tom Jobim, como “é pau é pedra, é o fim do caminho”. Pode soar estranho, mas escute, pois ficou o máximo. Assim como É, de Gonzaguinha, onde os versos “a gente que viver uma nação/ a gente que é ser um cidadão…” são reafirmados à capela por uma emocionada cantora que tem que voltar mais quatro vezes devido à insistência do público. Cantando o sensacional samba DISPUTA DO PODER, – que deveria encerrar o show em vez de ser o bis – assinado por Almir de Araújo, Marquinhos Lessa, Hércules Correa e Balinha, seguida de O TEMPO NÃO PÁRA, É, além da famigerada SEPARAÇÃO, de José Augusto e Paulo Sérgio Valle. Mas o saldo final é dos melhores e Simone faz inteira justiça ao título do show e aos versos de CAIS: “para quem quer me seguir/ eu quero mais/ tenho o caminho do que sempre quis/ e um saveiro pronto pra partir/ invento o cais/ e sei a vez de me lançar…”.
[Diana Aragão, O Globo, 17.01.1988]
 


SEDUÇÃO NA TELEVISÃO
 

Show com Simone gravado na casa de espetáculos Palace, em São Paulo, e exibido em 09/05/1989 na Rede Globo, mostrou parte do show SEDUÇÃO, então em cartaz. O especial, que teve cenários de Mário Monteiro e iluminação de Peter Gasper e Luiz Carlos Bimbão, contou com a participação de 16 ritmistas da escola de samba carioca Caprichosos de Pilares, sob o comando do mestre Paulinho, e de Milton Nascimento, em estúdio. Um dos blocos do programa foi dedicado ao cantor e compositor Cazuza. Ela fez uma homenagem ao artista cantando músicas de sua autoria, como Blues da Piedade, O tempo não pára e Codinome Beija-Flor. Uma cuidadosa edição de imagens do especial, realizada por João Paulo de Carvalho, fundiu imagens de Simone no palco e em estúdio. O programa teve direção de Roberto Talma.
[Texto com informações do Site Memória Globo]


IMPRENSA

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A rebelião de Simone – (…) Simone tem bela voz, a produção do espetáculo, competente, lhe forneceu bons músicos e uma ala da bateria da Escola de Samba Caprichosos de Pilares, com 15 instrumentistas e um mestre, que esquenta a coisa nos momentos necessários (…)
Simone abre a primeira parte com 40 minutos de atraso e CAIS, de Milton nascimento e Ronaldo Bastos, gravada por ela no LP VÍCIO, de 87. Do VÍCIOS ela extrai ainda PÉTALA (de Djavan) e ME CHAMA (de Lobão). De seu último LP, o SEDUÇÃO que dá nome ao show, canta as pífias SEPARAÇÃO (José Augusto e Paulo Sérgio Valle) e AMEI DEMAIS (dos inefáveis Sullivan $ Massadas), além da bela CODINOME BEIJA-FLOR (Reinaldo Arias, Cazuza e Ezequiel Neves) e KALU (Humberto Teixeira). Dedica o show ao falecido Flávio Rangel, seu ex-diretor, e as luzes se apagam para que ela navegue por EU SEI QUE VOU TE AMAR (Tom e Vinícius) enquanto o teclado elétrico faz um fake de piano e a guitarra de Natan um fake de violão. Bonita, a coisa. Como é bonita O MUNDO É UM MOINHO, de Cartola, levada lentamente na guitarra e na flauta (…)
Um coro grave e imponente abre BLUES DA PIEDADE e ela declara através da música de Frejat e Cazuza: “Agora eu vou cantar pros miseráveis/ que vagem pelo mundo derrotados/ pra essas sementes mal plantadas/ que já nascem com cara de abortadas” (…)
[Paulo Adário, Jornal do Brasil, 21.01.1989]
 

Foto: Eulália Moreno/ Portugal, 1989

Simone descobre a simplicidade – Aplaudida pela crítica cariosa em sua recente temporada no Scala I, Simone traz agora para São Paulo o show SEDUÇÃO (…) Pela primeira vez se autodirigindo, depois de oito anos consecutivos sob a direção do amigo Flávio Rangel, Simone optou por um espetáculo simples (…)
Como a simplicidade norteou toda a proposta de SEDUÇÃO, todos os retornos foram embutidos e o público não vê caixas de som pelo palco – que também não comporta cenário especial (…)
A parte que poderia ser chamada de política inclui É, de Gonzaguinha; BLUES DA PIEDADE, de Frejat e Cazuza; o rock O TEMPO NÃO PÁRA, de Cazuza e Arnaldo Brandão; GOTA D’ÁGUA, de Chico Buarque; e o samba DISPUTA DO PODER, quando é acompanhada pela bateria da Caprichosos de Pilares (…)
Movida à energia de seu público, Simone afirma que na elaboração do roteiro recebeu “uma mãozinha” de Flávio Rangel (…) A contribuição espiritual do amigo está presente no pout-pourri de LÍGIA (Tom Jobim), IOLANDA (Pablo Milanes, versão de Chico Buarque) e ALFONSINA Y EL MAR (Félix Luna/Ariel Ramirez), três músicas com nomes de mulheres. O Flávio sempre quis que ela cantasse isso.
A idéia de encerrar O TEMPO NÃO PÁRA (Cazuza/ Arnaldo Brandão) com um trechinho de ÁGUAS DE MARÇO, de Tom Jobim (“é pau, é pedra, é o fim do caminho”), surgiu no estúdio. Foi acidental.
(…) Simone veste no show um modelo de Luiz de Freitas (…)
 
LANÇAMENTO DO ÁLBUM “SEDUÇÃO – Comemorando 15 anos de carreira, ela gravou no disco (que leva o mesmo nome do show e foi lançado em novembro passado (1988) pela CBS), entre outros, Lobão, Caetano Veloso, José Augusto e Paulo Sérgio Valle.
DIFICULDADE DE NOVAS MÚSICAS – Como uma cantora popular – que hoje atinge várias camadas sociais -, Simone diz que “infelizmente” não tem tido a sorte de encontrar músicas novas para gravar. “Todo ano me proponho a ouvir centenas de músicas”, explica ela. “Quanto mais compositores novos aparecer melhor pra mim.”
ESPIRITUALIDADE e SUPERSTIÇÃO – Simone acha que evoluiu como intérprete e também como ser humano. tanto que agora o guru Trancoso não é mais seu guia espiritual. Supersticiosa ao extremo, acha que é preciso enfrentar certas manias.
[Fernanda Teixeira, Folha da Tarde, 30.03.1989]
 


 
SIMONE FALA SOBRE O SHOW
 
“O desejo era que a iluminação vestisse o show. A experiência da direção valeu a pena, mesmo sendo difícil e complicado. Me perturbou, principalmente pela morte de Flávio (Rangel). Eu poderia ter colocado mais energia no meu trabalho e fiquei, inclusive, sem tempo para ensaiar.
O show é muito gostoso de fazer, um retrato do Brasil. Em nenhum momento ele é “down”. Também tem a parte romântica, que fala de amor. Tenho certeza de que meus fãs vão gostar”.

[Folha da Tarde, 30.03.1989]


FIGURINOS
Criação: Luiz de Freitas
 

Fotos: Acervo Sandra Duarte/ Folha de S. Paulo/ Acervo Sonho&Realidade

 

 

ROTEIRO
[Baseado em imprensa e especial para a TV]


1. Cais
(Milton Nascimento/Ronaldo Bastos)
2. Isso aqui o que é
(Ary Barroso)
3. Pétala
(Djavan)
4. Me Chama
(Lobão)
5. Kalú
(Humberto Teixeira)
6. Amei demais
(Paulo Massadas/Michael Sullivan)
7. Iolanda
(Pablo Milanes – versão: Chico Buarque)
8. Alfonsina y el mar
(Félix Luna/Ariel Ramirez)
9. Lígia
(Tom Jobim)
10. O amanhã
(João Sérgio)
11. Eu sei que vou te amar
(Tom Jobim/Vinícius de Moraes)
12. O mundo é um moinho
(Cartola)
13. Gota d´água
(Chico Buarque)
14. Codinome Beija-Flôr
(Reinaldo Arias/Ezequiel Neves/Cazuza)
15. Blues da piedade
(Cazuza/Roberto Frejat)
16. O tempo não pára/ Águas de março
(Cazuza/Arnaldo Brandão – Tom Jobim)
17. É
(Gonzaga Jr.)
18. Disputa do poder
(Almir de Araújo/Marquinho Lessa/Hércules Correa/Balinha)
19. Separação
(Paulo Sergio Valle/José Augusto)
20. O tempo não pára
(Cazuza/Arnaldo Brandão)


MÚSICOS

Arranjos, regência e teclados: Ricardo Leão
Teclados: Alberto Rosenblit
Guitarra: Natan Marques
Baixo: Jorjão
Sax e Flauta: Vinicius Dorin
Bateria: Maguinho
Percussão: Clodoaldo
 
Participação especial da Bateria da Escola de Samba Caprichosos de Pilares sob a regência de Mestre Paulinho.

 
FICHA TÉCNICA

Direção: Simone
Iluminação: Peter Gasper e Bimbão
Cenografia: Mario Monteiro
Coordenação de Produção: Paulo Rosa
Figurinos: Luiz de Freitas



 

DISCO 

SEDUÇÃO
[CBS, 1988]

Divulgação do álbum “Sedução”, lançado em outubro de 1988.
[Acervo Sandra Duarte]


FOTOS 
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LUGARES

A estréia do show “Sedução” foi no (extinto) Scala I no Rio de Janeiro.
[Fotos: Internet]

 

Divulgação do show “Sedução” no Scala I no Rio de Janeiro.

 

Ingresso para o show “Sedução” no Ginásio do Ibirapuera em São Paulo.


Foto: Acervo Sandra Duarte

VÍDEOS

“Simone Especial” – Globo, 1989
 
Alguns momentos de “Sedução”
 
[EM CONSTRUÇÃO]