SHOW SEIS E MEIA (1977)

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show SEIS E MEIA

Com Simone e Belchior
Data: 22 a 26 de agosto de 1977
Local: Teatro João Caetano, Rio de Janeiro RJ

 

APRESENTAÇÃO | (…) nomeado diretor do Teatro João Caetano (1976), na praça Tiradentes, Albino Pinheiro notou que, nos fins de tarde, as ruas do Centro ficavam abarrotadas de pessoas que saíam do trabalho e aguardavam horas na fila pela condução.
Diante desse cenário, teve a idéia: por que não dar àquela gente a alternativa de poder esperar o fim da hora do rush assistindo a um espetáculo musical? Mesmo sem muitos recursos, o projeto poderia ser viabilizado – e sem precisar interromper a programação normal da casa. Como os demais eventos geralmente começavam depois das 21h, havia um tempo ocioso a ser aproveitado, das 18h30 às 20h. E, para que um maior número de pessoas pudesse assistir aos shows, os ingressos teriam preços populares.

Para estruturar artisticamente o projeto, Albino convidou Hermínio (Bello de Carvalho), que entusiasmou-se com a idéia. Afinal, ele já havia presenciado uma experiência semelhante cinco anos antes, no Teatro de la Ville, em Paris – e sabia que tinha tudo para dar certo (…) Cada show teria um diretor artístico responsável, comandando elenco, iluminadores e áudio. No palco, em vez de um nome principal, optou-se por duplas – no início do espetáculo cada artista apresentaria-se separadamente, mas fariam o encerramento juntos, buscando similaridades musicais. Por fim, o nome escolhido para a série não podia ser outro: Seis e Meia.
(…)
Lançado no dia 12 de agosto de 1976, com uma temporada prevista para dez semanas, a série obteve grande sucesso e permaneceu ininterrupta até o final do ano. A estréia foi com um espetáculo reunindo João Bosco e Clementina de Jesus (…)

Cada espetáculo era repetido de segunda a sexta-feira, sempre com casa cheia. Nos primeiros meses, a média foi de 1.086 espectadores por dia, com picos de 1,7 mil pessoas nas sextas-feiras. As filas serpenteavam nas calçadas ao redor do João Caetano, e os ingressos, vendidos a 8 cruzeiros, se esgotavam assim que a bilheteria abria (…)

Depois (…), a Fundação Estadual de Teatros do Rio de Janeiro (Funterj) anunciou (em novembro de 1976) o cancelamento do Seis e Meia – no auge da série, quando estava levando cerca de 12 mil pessoas por semana ao João Caetano. O argumento da Funterj era tragicômico: falta de condições administrativas para suportar o êxito do projeto. “O teatro não tem estrutura para comportar 1,9 mil pessoas”, alegava Geraldo Matheus, presidente do órgão.

A classe musical se uniu aos organizadores da série para tentar reverter a situação, mas o Seis e Meia só seria retomado em 1977 (…) Nos anos seguintes, o Seis e Meia enfrentaria as mesmas dificuldades, com constantes cancelamentos injustificáveis e retomadas de sucesso.

Embora estivesse empenhado na luta pela continuidade da série, Hermínio se desligou da organização e partiu para outra iniciativa. O êxito do projeto no Rio de janeiro era uma prova localizada de que o público brasileiro queria alternativas. Era preciso desenvolver um plano nacional – e foi o que ele fez.
[Trecho do livro ‘Timoneiro – Perfil Biográfico de Hermínio Bello de Carvalho’, alexandre Pavan, Ed. Casa da Palavra, 2006]


IMPRENSA

Pelo que os jornais contam, a Praça Tiradentes nunca mais será a mesma. Durante cinco dias, de 22 a 26 de agosto de 1977, ela foi tomada de assalto por uma brigada estranha, nova: cinco, seis, oito mil jovens de idades nunca superiores a 25 anos, vindos de todos os cantos e ocupações do Rio de Janeiro. Jovens pacientes, jovens inflamados, jovens capazes de suportar três, quatro e até seis horas de fila e tumulto e atritos rudes com a polícia. Tudo para entrar no Teatro João Caetano, pagar Cr$ 12,00 e desfrutar hora e meia com Belchior e Simone. Belchior? Simone? Aí, o osso da questão. Como? Por que?
Certamente o “Seis e Meia” já atraiu multidões, mas não essas multidões que a música brasileira toda não vê desde os áureos tempos dos festivais (…)
Mas, e essa Simone que o público de TV recorda apenas como uma morena de voz rouca, cantando O que será no Globo de Ouro? Essa Simone de quem se diz comumente ser ex-jogadora de basquete, e só. É essa Simone que, com certeza, atrai pelo menos a metade – e depois cativa o restante – da multidão inusitada? (…)
(…) Simone estica as pernas compridas – botas, calças jeans – sobre a mesa, fuma, pensa. Tem claramente dois lados acentuados: um, incisivo, inflamado, sempre próximo da raiva pela veemência: outro, doce, introspectivo, muito perto do assustado pela contenção. Está obviamente tensa – mãos quase sempre crispadas, os ombros erguidos, sem ceder a relaxamento algum – embora aparente serenidade. Nas horas seguintes eu descobriria que, quanto mais angustiada, mais impassível seu rosto (…)

(…) Só Simone está impassível diante do espelho, o rosto denso, muda. Pinta-se devagar, com gestos precisos – base, sombra escura, kajal, batom bem vermelho (“é uma pena, na segunda música já está todo borrado”). Faz exercícios para as cordas vocais. Veste-se com lentidão ritual. Corda de violino inteiramente retesada, quanto mais aumenta o tumulto, lá fora, mais silenciosa e imóvel é sua atitude. Tensão absoluta (…)

SIMONE: “E tem aquela história de ser jogadora de basquete. Pelo amor de Deus, nem fala mais nisso, se não vou ser conhecida a vida toda como a jogadora de basquete que canta”

SIMONE: “Lá (E.U.A – temporada do show “Festa Brasil”) tinha uma cara, um dos diretores do Madison Square Garden, que queria fazer de mim uma estrela. Me dava tudo, todas as condições. É assim que eles te compram, sabe? Mas eu não topei, não”.

FÃS: “Pelo amor de Deus, deixa eu pegar na Simone. Se eu não pegar eu morro. Só um pouquinho, pelo amor de Deus!
A voz da mulher vinha de longe – de onde? – no meio da massa humana densa, imensa, compacta. Mãos, rostos, gritos – ‘diz que sou seu sobrinho, deixa eu entrar, ai, a Simone, meu Deus, deixa eu olhar de perto’.”

FOTÓGRAFO: Atrás de sua lente, o fotógrafo comenta, observando as reações da platéia:
– É impressionante a imagem que a Simone projeta. E a figura de uma nova mulher, uma mulher forte, agressiva, jovem.

[Ana Maria Bahiana, O Globo, 01.09.977]

A Praça Tiradentes transformou-se em zona de conflito porque só a polícia, com aquele seu conhecido vigor, conseguia acalmar e disciplinar uma surpreendente turba que literalmente se acotovelava e empurrava para assistir a seus dois novos ídolos (…)
[Maria Helena Dutra, Jornal do Brasil, 28.10.1977]
 
Mais imprensa ‘Seis e Meia’


 
SIMONE FALA SOBRE O SHOW
 
(…) Eu não era uma pessoa conhecida. Eu estava começando (…) As pessoas cantando ‘Gota d’água’, O que será’ (ambas de Chico Buarque). Eu lembro da roupa que eu estava vestida: uma calça meio prata, um coletinho, uma blusa branca. Lembro do hotel que eu fiquei em Copacabana (…) Foi bonito. Momentos inesquecíveis.
 

[Facebook Oficial Simone, 22.10.2013]


VÍDEO
Alguns momentos do show em reportagem de Nelson Motta
 

[Rede Globo (jornal), 25.08.1977]

 
Simone no show ‘Seis e Meia’
Foto: Acervo ‘Sonho&Realidade’

 

ROTEIRO
[Baseado em matérias e vídeo publicados]


Jura Secreta
(Sueli Costa/Abel Silva)
 
Sangue e Pudins
(Fagner/ Abel Silva)
 
Gota d´Água
(Chico Buarque)
 
Eu nem Ligo
(Gonzaguinha)
 
Quero que vá tudo pro Inferno
Namoradinha de um Amigo Meu
(R.Carlos/E.Carlos)
 
Começaria tudo Outra Vez
(Gonzaguinha)
 
Reis e Rainhas do Maracatu
(M.Nascimento/ Novelle/ N.Angelo/ Fran)
 
Matriz ou Filial
(Lúcio Cardim)
 
O que Será – canta com Belchior
(Chico Buarque)
 
dentre outras


MÚSICOS

Teclados : Paulo Maurício Esteves
Guitarra: Datcha Tenucci
Sopros e Flauta: Otávio Bangla
Baixo: Pigmeu
Bateria: Duda Neves

 
FICHA TÉCNICA

Direção: Manoel Carlos
Produção: Mônica Lisboa


FOTOS 

 
LUGARES
Teatro João Caetano, Rio de Janeiro
Foto: Fernando Luvizaro, 2008