SHOW SIMONE (1980)

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show SIMONE

Com Simone
Estréia: 12 De Novembro De 1980
Local: Canecão, Rio De Janeiro RJ

 

APRESENTAÇÃO | Começar de Novo
Ás vésperas de uma estréia – que é quando estou escrevendo este artigo – parece que o coração vai sair pela boca. Há mil providências a serem tomadas. Inúmeros detalhes a serem verificados: e é nesse momento que a maior luta de um artista a busca incessante de perfeição atinge toda sua grandeza.
É uma sensação que apenas quem trabalha num palco pode detectar. Existe medo, angústia, tensão; mas existe também uma grande felicidade, pois a invenção, a disposição e a elocução passam a tomar sua forma definitiva.
Para falar a verdade, Simone e eu estamos um tantinho apavorados: nosso show do ano passado foi muito generosamente recebido e agora chegou a vez de ir mais longe. Trabalhamos intensamente, desde a organização do roteiro, que fizemos com o concurso de toda a sensibilidade de Eduardo Souto Neto e agora estamos na hora da expectativa. Escrevo quando já passei a primeira noite em claro, cuidando da claridade do show. E logo depois de termos passado pela primeira vez o espetáculo na íntegra. Ela está maravilhosa; estamos mais amigos- estamos um ano mais experientes.
Não sei o que fiz de tão bom para que os deuses do teatro me dessem a chance de ter trabalhado com música nestes últimos tempos; a música que espalhei por inúmeros espetáculos entre os cinqüenta e quatro que dirigi até hoje, vem agora me envolver completamente. E não posso imaginar o que devo ter feito de tão bom para os deuses da música que os fizessem ter Simone no meu caminho. Ela é uma personalidade fulgurante, de um talento rico e variado, de uma emoção que se espalha por toda a sua alma e todo o seu corpo. E tem a maior qualidade que vejo num artista: é uma trabalhadora infatigável. Tudo isso envolto por uma beleza deslumbrante. E por isso me esforço para dar-lhe um espetáculo de categoria; porque a quero muito, muito bem. E de Simone quero tudo, neste momento que vamos começar de novo. Quero suas garras, suas escoras, seu fascínio.
Neste espetáculo, tive a felicidade de trabalhar com ela num clima de muita paz e alegria-e nem poderia deixar de ser diferente, já que nos envolvemos no mundo maravilhoso desses notáveis compositores brasileiros, todos juntos ao lado daquele que foi nosso encanto e é nossa saudade: Vinicius de Morais.

Simone com o diretor Fávio Rangel nos bastidores do show ‘Simone’, Canecão

Vocês verão que fizemos uma homenagem a ele e também a alguns outros coleguinhas, como diria Sérgio Porto: Ludwig Van Beethoven, Wolfgang Amadeus Mozart, Johann Sebastian Bach, Frederic Chopin, Heitor Villa Lobos. Para Peter Ilith Tchaikovsky demos uns compassinhos a mais, porque ele foi sempre muito injustiçado pela crítica.
E, como sempre, procurei unir a emoção a lógica.
[Flávio Rangel, Programa do Show, 1980]


IMPRENSA

Fizeram tudo para derrubá-los: num salão com capacidade para abrigar 1800 pessoas deveria haver umas três mil, o nervosismo, talvez impediu parte da complicada cenotécnica de funcionar, e até a iluminação ainda não estava totalmente afiada – mas, percebe-se, será uma das mais criativas já vistas no Rio. (…) Simone foi um triunfo pessoal para Rangel&Cia. A intérprete está cada vez melhor e mais segura de si, o espetáculo é tão bom que deu a volta por cima de todos os contratempos. Quando tudo estiver em seu lugar será possível dizer que Simone é uma pequena obra-prima.
[Wilson Cunha, Manchete, 1980]
 
Em ‘Música, Música’ de Sueli Costa e Abel Silva, os quarenta membros da orquestra vão largando os instrumentos e passam apenas a cantar a letra da canção (…) No palco do Canecão, esse quadro ficou emocionante e bonito, como tudo o que acontece no show.
[Joaquim Ferreira dos Santos, Veja, 19.11.1980]
 
(…) Os pais Otto e Letícia, que moram em São Paulo, passam rapidamente para cumprimentar a filha (ela tem oito irmãos) e sua mãe lhe entrega um punhado de fitas do Senhor do Bonfim (…)
Sozinha no camarim repleto de flores, Simone aquece o corpo, caminhando de um lado para outro com passos firmes, massageando pernas e braços com tapinhas, um pouco antes da estréia do seu show, quarta-feira, no Canecão. O último sinal é dado. os incensos de violeta, que deverão ser acesos toda esta semana, estão no fim. Ela pede uma nota ré à orquestra e esquenta a garganta que amanheceu um pouco rouca. A luz da platéia se apaga. Simone beija seus talismãs, os aperta com força na mão e, às 22h em ponto, entra no palco …
‘Por isso uma força me leva a cantar…’.

(…) Cauby Peixoto estava na platéia, sem que Simone soubesse (‘ainda bem, senão eu ia ficar inibida’) e foi o primeiro a chegar no camarim para abraçá-la, clamando aos quatro ventos: ‘É Maysa que voltou. Tudo isso e mais o céu!’ (…)

MÚSICA, MÚSICA – Mantendo o refrão, Simone homenageia Beethoven, Mozart, Bach, Chopin, Villa-Lobos e Tchaikovsky. Ao último foram dados alguns compassos a mais. ‘Porque ele foi sempre injustiçado pela crítica’, justifica Flávio Rangel. A orquestra, os músicos de sua banda e o maestro são apresentados à medida que engrossam o coro.

SIMONE – “No dia da estréia, eu acordo e esqueço todas as letras. Pego alguma coisa para comer e de repente, não quero mais. Pego um livro, leio duas linhas e fecho e fico o dia todo nesta aflição. Mas quando chego ao palco, as coisas mudam, me vem tudo à cabeça e depois de cada música, agradeço a Deus”.
(Deborah Dumar, Jornal do Brasil, 14.11.1980)
 

Tudo é justo e adequado no espetáculo de Simone, atualmente em cartaz no Canecão. A maior intenção dele, presume-se, é fazer a apologia do cantar e do poder da música como linguagem ideal de todas as emoções. A nível de realização este objetivo é atingido, primorosamente, pois a intérprete está perfeita chegando, finalmente, à condição de estrela maior da nossa pequena constelação de realmente grandes cantoras (…) Um repertório cantado sempre com nuances adequadas, livre expressão corporal e voz muito mais ensaiada e trabalhada.
(…) Grandes virtudes são as ligações claras sem necessidade de texto, a homenagem digna a Vinícius de Moraes e o achado da apresentação da orquestra no número MÚSICA, MÚSICA, de Sueli Costa e Abel Silva (…)

A grande maioria do público presente à estréia do show simplesmente detestou e tachou de cafona todas as suas cortinas, bolas e painéis. Acredito, entretanto, que a intenção era realmente esta, de fugir ao convencional, americano e padrão Globo de bom gosto. Dentro do contexto é adequado e funcional (…)

Meio-termo não existe, porém, para o lado musical, repetimos, deste espetáculo que nesta qualidade atinge o difícil nível de real perfeição.
[Maria Helena Dutra, Jornal do Brasil, 14.11.1980]
 

(…) Não há restrições a fazer à técnica e à direção como sempre competente de (Flávio) Rangel, mas o figurino de Clodovil não cai bem em Simone.

(…) O que vale é que Simone se mostra superior ao show passado. Sua evolução é visível, seu amadurecimento é incontestável.
[Edson Pinto, Amiga, 1980]
 

Durante 24 músicas, num cenário que, assegura, jamais ‘engolirá o som’, Simone ligará, ‘literalemnte’, o que chama núcleos do show, ‘uma sequencia muito grandiosa que homenageará Vinícius (a poesia), Angela Maria e Cauby Peixoto (a vida de artista) e a música (os compositores clássicos)

MÚSICA, MÚSICA – Uma pequena obra-prima de Sueli Costa e Abel Silva. À medida que a canção evolui, a orquestra aos poucos silencia e os músicos começam a cantar. Quando o número encerra – espera-se – até as garçonetes do Canecão estarão cantando a melodia, enquanto spots iluminam toda a platéia.
[José Emílio Rondeau, Jornal do Brasil, 09.11.1980]
 
Mais imprensa ‘Simone’


 
SIMONE FALA SOBRE O SHOW
 
“Desta vez, o espetáculo não terá título e haverá apenas meu nome no cartaz. Posso dizer também que é um show onde canto com amor e com esperança. E é um espetáculo atrevido também”.
[Folha de S.Paulo, 09.10.1980]
 
(Sobre Flávio Rangel) “Mas o que há de bom é que, profissional exigente, presente a cada momento, ele tem ao mesmo tempo a generosidade de não tolher o artista, de aceitar opiniões, ainda que à primeira vista possam parecer as mais absurdas.
[Jornal do Brasil, 09.11.1980]
 
“No dia da estréia, eu acordo e esqueço todas as letras. Pego alguma coisa para comer e de repente, não quero mais. Pego um livro, leio duas linhas e fecho e fico o dia todo nesta aflição. Mas quando chego ao palco, as coisas mudam, me vem tudo à cabeça e depois de cada música, agradeço a Deus”.
[Jornal do Brasil, 14.11.1980]


VÍDEOS
Alguns momentos de “Simone”
 


FIGURINOS
Criados por Clodovil (temporada de estréia) e Markito (re-estréia)
Simone marcará essa re-estréia carioca com a total reformulação do seu guarda-roupa em cena: ela trocou as roupas finas de lingerie (feitas por Clodovil) por um brilhante summer de paetês, criada especialmente para ela pelo costureiro Markito.
[O Globo, 10.02.1981]

 

 

ROTEIRO
[Extraído do Programa do Show]


1. Força estranha trecho
(Caetano Veloso)
2. Para Lennon e McCartney
(Lô Borges/ Fernando Brant/Márcio Borges)
3. Mudança dos ventos
(Ivan Lins/ Victor Martins)
4. Estrela da canção
(Ricardo Villas)
5. Bastidores
(Chico Buarque)
6. Gota d’água
(Chico Buarque)
7. O que será
(Chico Buarque)
8. Um novo tempo
(Ivan Lins/ Vitor Martins)
9. Do meu jeito – Da maior liberdade
(Gonzaga Jr.)
10. Começar de novo
(Ivan Lins/ Victor Martins)
11. Atrevida
(Ivan Lins/ Vitor Martins)
12. Sangrando
(Gonzaguinha)
13. Mulher e daí
(Gonzaguinha)
14. Meu bem querer
(Djavan)
15. Bola de meia, bola de gude
(Milton Nascimento/ Fernando Brant)
16. Rainha morena
(Maurício Tapajós/ Paulo César Pinheiro)
17. Fantasia
(Chico Buarque)
18. Mar e lua
(Chico Buarque)
19. Eu te amo
(Chico Buarque/ Tom Jobim)
20. Rancho das flores
(Bach/Vinícius de Moraes)
21. Trecho declamado do Soneto de quarta-feira de cinzas
(Vinicius de Moraes)
22. Se todos fossem iguais a você
(Tom Jobim/ Vinícius de Moraes)
23. Meu silêncio
(Claudio Nucci/ Luiz Fernando Gonçalves)
24. Música, música
(Sueli Costa/Abel Silva)


MÚSICOS

Banda de Simone
Maestro Eduardo Souto Neto: Arranjos e Regência
Reinaldo Arias: Teclados
Alexandre Malheiros: Contrabaixo
Claudio Stevenson: Guitarra, Violão,Ovation
Jorge Gomes: Percussão
Picolé: Bateria
Ricardo Pontes: Sax Soprano e Flauta
Ronaldo, Valdir, Roberto e Mario: Vocal
 
Orquestra
Gentil Dias, Bailon Francisco Pinto, Silvina Soares Pinto Barreto, Quinídio Faustino Teixeira, José Epaminondas de Souza, Maria de Fátima Varandas, Helena Lavelberg Buzack, Moema Pinto Lessa dos Santos, Boleslaw Zakrewsky, Mio Vacite, Sylvia Stabile Loureiro e Josefina Stabile Loureiro: Violinos
Amillo Ribeiro,Sergio Bernardo Guimarães Prazeres,Paulo da Silva eMarilézia Magalhães Peixoto: Violas
Luiz Fernando Zemith,Lucio de Souza,Adir de Oliveira Meirelles e Bueno Ferreira da Silva: Cellos
Marko Rupe: Sax Alto e Clarinete
Clóvis Timóteo Guimarães: Sax Tenor e Clarinete
Luiz Bezerra de Andrade: Sax Barítono e Clarinete
Maurício da Silva Santos (Leader), José Barreto Sobrinho e Wagner Brandão Naegele: Trompetes
Roberto Marques e Delcio Naegele: Trombones
José Candido da Costa: Trompa
Braz Limonge Filho: Oboé
João Luiz: Coordenador Arregimentador
Jose Luiz Gomes: Percussão

 
FICHA TÉCNICA

Direção Geral: Flavio Rangel
Direção Musical: Maestro Eduardo Souto Neto
Cenografia: Plinio Cipriano
Figurinos de Simone: Clodovil Hernandes
Cabeleireiro: Ruddy
Administração: Bell Marcondes (Cigarra Produções)
Assessoria de Simone: Raquel Silva
Roteiro: Simone, Flavio Rangel e Eduardo Neto
Iluminação: Flavio Rangel
Fotos: Wilton Montenegro e EMI Odeon


Show 'Simone' Foto: Paulo Rubens Parlagreco


DISCO 

SIMONE
[EMI-Odeon, 1980]

Divulgação do álbum “Simone”


PROGRAMA DO SHOW 


FOTOS 


LUGARES

O show “Simone” estreou no Canecão, Rio de Janeiro
[Foto: Internet/ Anos 1980]

Divulgação do show “Simone” no Canecão