SIMONE ARREBATOU A AUDIÊNCIA EM CONCERTO MEMORÁVEL NA PRAÇA DO POVO


“Canta, minha gente, que a vida vai melhorar!” Foi com estas palavras que a cantora brasileira Simone se despediu do público madeirense, num concerto magno do Festival Raízes do Atlântico. Antes de abandonar definitivamente o palco, ainda regressaria para um “encore”, vivamente solicitado pela ampla assistência que enchia a Praça do Povo, e que acompanhou atentamente a sua interpretação, que percorreu diversas canções de variados autores, desde os sambas com uma nota insistente de alegria e de distracção da dor e dos problemas do quotidiano, aos temas românticos que a fizeram famosa.

LUÍS ROCHA – FUNCHAL NOTÍCIAS | FUNCHAL – ILHA DA MADEIRA | 17 JUN 2018

Foto: Rui Marote

Nestes últimos, marcou quem a ouvia de mais do que uma maneira. Simone canta com um sentimento impressionante, na sua voz de timbre inconfundível, sotaque baiano e com uma assinalável extensão vocal que espanta ainda mais por não ter tido treino de canto. Aqueles cujos amores de juventude foram embalados pelos discos da diva brasileira não podem ter deixado de se comover quando Simone deixava os ritmos do samba para enveredar por canções onde a sua voz e interpretação eram capazes de trazer uma lágrima até aos olhos do mais empedernido.

Definitivamente, se há algo que Simone não fez neste concerto foi desiludir, nem deixar os seus créditos por mãos alheias. Acompanhada de músicos competentes e em perfeita sintonia com os mesmos demonstrou, ao vivo, que aquilo que se ouve nas suas gravações não é trabalho de estúdio. Conforme provou (se dúvidas houvesse) ela é que é mesmo uma cantora “de mão cheia”, como dizem em Terras de Vera Cruz… E que preservou muito competentemente uma voz que é verdadeiramente uma dádiva, e soube manter uma presença em palco e um carisma absolutamente notáveis.

Vestida de branco, como é seu costume, braços erguidos, com o sorriso rasgado que a caracteriza, Simone foi o momento alto deste Festival Raízes do Atlântico. Precedida na sua actuação pela actuação do madeirense Vítor Sardinha, que actuou na companhia de músicos locais, como a cantora lírica Carla Isabel Moniz, numa ocasião em que todos estiveram à altura dos seus pergaminhos, Simone todavia “roubou”, como não podia deixar de ser, as emoções dos presentes no final, arrebatou-as mesmo, comoveu e movimentou a plateia e terminou em apoteose, com toda a gente de pé a dançar ou pelo menos a a aplaudi-la. Não deixou de cumprir um ritual que é sua imagem de marca, o de atirar flores à plateia no final do “show”, numa atitude de carinho e de respeito para com o público.

O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, fez questão de retribuir o gesto e entregar-lhe, no final, um ramo de flores no palco.