SIMONE FALA SOBRE SHOW E PARCERIA COM IVAN LINS


A cantora baiana encontra o cantor carioca para interpretar os grandes sucessos no Mendes

DA REDAÇÃO | A TRIBUNA | SANTOS (SP) | 21 SETEMBRO 2018

Foto: Leonardo Aversa

Parceiros de profissão, alma e timbres, a cantora baiana Simone e o cantor e compositor carioca Ivan Lins vêm se reencontrando pelos palcos da vida desde 1973, quando ela gravou, pela primeira vez, uma música dele: “Chegou a hora”, no álbum de estreia, “Simone”.

Para marcar os 45 anos da parceria e amizade, os dois estão juntos na turnê “Simone Encontra Ivan Lins – Eterno Recomeço”, que chega a Santos depois de estrear, em 17 de março, em São Paulo, no Citibank Hall.

Há registros daquele primeiro show no YouTube, em vídeos registrados pelos fãs. O que se vê é um tremendo entrosamento no palco, com eles cantando em dueto e trocando abraços e beijos. A apresentação em Santos acontece, sábado (22), às 22 horas, no Mendes Convention Center.

Como a mensagem embutida em “Começar de Novo” (um clássico da dupla Ivan Lins e Vitor Martins também lançado pela cantora baiana), eles têm se reencontrado, sempre renovados, prontos para novos desafios.

O retorno dos dois aos palcos em “Simone Encontra Ivan Lins” acontece 14 anos depois do lançamento de “Baiana da Gema”, álbum no qual Simone interpretou 13 canções, então inéditas, especialmente escritas para ela por Ivan, e um fabuloso leque de parceiros: Vitor Martins, Paulo César Pinheiro, Joyce, Martinho da Vila, Celso Viáfora, Aldir Blanc, Francisco Bosco, Elisa Lucinda e Flora Figueiredo.

Agora, com direção de Zélia Duncan, direção musical de Delia Fisher e cenários e figurinos de Simone Mina, os dois ícones da MPB voltam a algumas dessas músicas e tantos outros clássicos de Ivan Lins gravados pela cantora nas últimas décadas.

No repertório, entre outras pérolas, estão garantidas “Começar de Novo”, “Antes que Seja Tarde”, “Desesperar”, “Velas Içadas”, “Bilhete”, “Daquilo que eu Sei” e “Tens (Calmaria)”.

Carreiras

Nascida em Salvador, a ‘baiana da gema’ Simone Bittencourt de Oliveira mostrou desde cedo a paixão pela música. Talento que, durante a adolescência e a juventude, dividiu com o basquete – como jogadora profissional, ela foi convocada duas vezes para a seleção brasileira, participando do campeonato mundial em 1971.

No ano seguinte, após uma contusão, ela trocou as quadras pelos estúdios da Odeon, onde gravou seu álbum de estreia, lançado em março de 1973. O primeiro de uma grande obra, que a consagrou como uma das mais expressivas vozes da canção brasileira e a maior vendedora de discos nos anos 1980.

Entre as parcerias de Simone estão Milton Nascimento, Chico Buarque, Roberto Carlos, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, João Bosco, Toquinho, Cazuza, Erasmo Carlos, Gonzaguinha, Ney Matogrosso, Dionne Warwick, José Carreras, Plácido Domingo, Julio Iglesias, Dulce Pontes, Hebe Camargo, Marília Gabriela, Ângela Maria e Zélia Duncan.

O ‘carioca da gema’ Ivan Guimarães Lins também despertou cedo para música. Ele chegou a se formar em Química Industrial, mas, em fins dos anos 1960, ainda na faculdade, o cantor, compositor e pianista começou a participar de festivais e, em 1970, ficou com o segundo lugar no Festival Internacional da Canção graças a “O Amor é o Meu País” (parceria com Ronaldo Monteiro de Souza). O feito lhe garantiu contrato para o selo Forma, da Philips (atual Universal Music), onde gravou seu álbum de estreia.

Uma das canções desse disco, “Madalena”, seria gravada no mesmo ano por Elis Regina e, logo em seguida, por Ella Fitzgerald. Sucesso que também começou a abrir as portas do mundo. A partir dos anos 1980, com o aval de Quincy Jones, Ivan Lins se tornou o compositor brasileiro contemporâneo mais gravado por artistas do jazz e do pop, numa lista que ainda inclui, entre outros, Sting, George Benson, Sarah Vaughan, Mark Murphy, Barbra Streisand, Diana Krall ,Manhattan Transfer, Dianne Schuur, Carmen McRae, Nancy Wilson, Patti Austin, Take Six e Lee Ritenour.

Serviço

– Mendes Convention Center fica na Av. Gen. Francisco Glicério, 206, Gonzaga, telefone: 3228-7500. Ingressos de R$ 120 a R$ 220, com descontos de 30% para clientes Porto Seguro e acompanhante, e assinante de A Tribuna e acompanhante; e de 50% para idosos acima de 60, professores e estudantes. 


Leia a entrevista com Simone:

“As músicas do Ivan continuam relevantes”

Você tem uma história com Santos. Apresentar-se na Cidade deve ter sempre um gosto especial, não?
O carinho que tenho por Santos é enorme. Sempre sinto uma energia muito intensa do público daqui e um afeto palpável.

De que forma essa parceria influenciou sua carreira e qual é a sensação de dividir o palco com o Ivan?
Tive muitas alegrias com o Ivan. Suas músicas semearam o meu repertório intensamente. Acho que sou quem mais gravou o repertório do Ivan, então pra mim estar com ele é muito orgânico, muito natural.

São 14 anos desde o ‘Baiana da Gema’. O que a Simone lá de trás e essa têm em comum e o que têm de diferente?
Em comum com a Simone lá de trás é a admiração pelo repertório, que não mudou. As músicas do Ivan continuam relevantes, atuais e deliciosas de cantar. A Simone de hoje é mais seletiva, mais atenta a onde não ir.

O repertório tem muitos clássicos e eles não levam este nome por acaso. O que acha que contribuiu para músicas como ‘Começar de Novo’ e ‘Bilhete’ ficassem tão imortalizadas?
Eu trouxe a minha verdade, minha autenticidade para cada gravação. Elas ressoaram com o público e isso é muito gratificante. É um privilégio poder cantar por tanto tempo essas músicas tão lindas; são presentes que recebi e sou grata.

Vocês são dirigidos por Zélia Duncan. Podemos esperar algo surgindo entre os três?
Zélia é extraordinária, um privilégio ter ela por perto! A Zélia tem um conhecimento vastíssimo da Música Popular Brasileira, uma musicalidade ímpar, uma verdadeira artesã do palco.

São tantos anos de carreira, que fica até difícil dizer o que você não fez. Tem algo que ainda almeja?
Estou sempre aprendendo, tenho uma curiosidade infinita, então, sim, tem muito que quero fazer.

Como surgiu a ideia para este show com Ivan Lins? Foi para marcar, mesmo, os 45 anos da parceria?
Foi um convite para pensar num show em dupla. Pensei no Ivan e no seu rico universo poético-musical, esse gigante da música mundial e meu parceiro há 45 anos.

Lembra como foi, onde foi e o que sentiu, quando conheceu Ivan Lins pessoalmente?
Faz muito tempo que eu conheci o Ivan! 45 anos! Não lembro não! Talvez na Odeon.

Tem muitos artistas deixando o País e indo morar em Portugal, como Ivan Lins. Você já teve essa vontade?
“O amor é o meu país” e o meu amor é imenso.

Sei que não gosta de se posicionar politicamente, mas qual é a sua expectativa dessas eleições?
Espero que possamos fazer escolhas melhores; cabe a nós escolher bem.