SIMONE TRAZ BRASIL AO RAÍZES


A cantora celebra este ano 45 anos de carreira e estará no fecho do Festival Raízes do Atlântico. Rosa Passos saiu do cartaz por doença

PAULA HENRIQUES – DIÁRIO DE NOTÍCIAS | FUNCHAL | 17 MAI 2018
Foto: Ooze Studio 2018
A cantora esteve no ano passado no continente e este ano estará na Madeira para um concerto certamente inesquecível.
Foto: Ooze Studio

Simone, não a portuguesa, a brasileira, é a cabeça-de-cartaz da edição deste ano do Festival Raízes do Atlântico, que como noticiado em primeira mão pelo DIÁRIO realiza-se de 14 a 16 de Junho na Praça do Povo e de entrada livre. A cantora de 68 anos junta-se aos já confirmados Brigada Victor Jara, Alura e Xarabanda no cartaz da 19.ª edição. De fora fica Rosa Passos, que chegou a ser anunciada, mas que por questões de saúde acaba por não se poder deslocar a Portugal este ano e adiou a actuação.

Nascida na Bahia e hoje com 68 anos, Simone é um dos grandes nomes música popular brasileira, dando voz a temas diversos que ainda hoje são recordados.

Apenas com voz ou agarrada a uma guitarra, Simone levou o Brasil a palcos pelo mundo, tendo estado em Portugal em Outubro no ano passado com a também brasileira Zélia Duncan para três concertos no Casino Estoril, na Casa da Música no Porto e no Coliseu de Lisboa a promover o DVD conjunto ‘Amigo é Casa’.

Este ano comemora 45 anos de carreira de um percurso iniciado em Março de 1973 com o lançamento do seu primeiro disco, intitulado ‘Sinome’. Voltaria a dar o seu nome a um álbum em 1980 e em 1995 deu a outro ‘Simone Bittencourt de Oliveira’, atingia então a marca de 20 álbuns de estúdio com canções cantadas em português. É que gravou também temas em espanhol.

Simone cantou ao longo dos anos temas compostos para si e para outros, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Gilberto Gil, Gonzaguinha, parceiros nesta longa caminhada musical, onde também se incluem Ivan Lins, Roberto Carlos, Michael Sullivan, Adriana Calcanhoto, Ana Maria, João Bosco, Gal Costa, Martinho da Vila e Edu Lobo, entre outros nomes maiores da música do Brasil.

Fez sucesso na televisão, teve dezenas de músicas nas bandas sonoras de telenovelas e ao vivo cantou e encantou estádios e salas com milhares. ‘Iolanda’, ‘Jura Secreta’, ‘Para Não Dizer Que Não Falei das Flores’, ‘Tô Voltando’, ‘O Amanhã’, ‘O Que Será’, ‘Então é Natal’, ‘Uma Nova Mulher’ são alguns dos sucessos dos inúmeros que Simone registou ao longo da carreira. Em discos foram mais de 25 de estúdio e uma mão cheia de álbuns gravados ao vivo. O mais recente chama-se ‘É Melhor Ser’, foi lançado em 2013, uma homenagem a compositoras como Rita Lee, Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto e Marina Lima, que deu origem a uma digressão.

Simone nasceu no dia de Natal, nunca estudou música, já namorou mulheres e homens e realizou uma digressão com ingressos extremamente baratos para democratizar o acesso aos espectáculos. “Sou antiga. Não gosto nem de mensagem de texto ou voz. Mas sei que existem óptimos perfis falsos meus, que sabem mais coisas minhas do que eu”, respondeu numa entrevista ao jornal O Globo, falando sobre a sua distância das redes sociais. Nesta conversa em 2016 confessou: “Canto o que ouço, o que gosto, o que me faz feliz.” E defende a verdade como chave para o longo sucesso. “Eu sempre fiz as escolhas que quis, gravei os artistas que me emocionam e o público percebe isso, sabe que quando estou no palco, estou inteira, cantando apenas as coisas nas quais verdadeiramente acredito”, podemos ler na entrevista que deu há dois anos ao Diário de Pernambuco.

A cantora actua no encerramento do Festival Raízes do Atlântico, este ano produzido pela Direcção de Serviços de Apoio à Gestão e Divulgação Cultural, da Direcção Regional de Cultura, e integrado nas comemorações dos 600 anos da Madeira e Porto Santo.