Simone & Zélia Duncan: o que o passar dos anos fez desencontrar, a Casa Da Música uniu


RITA PEREIRA | PALCO DAS ARTES | PORTO, PORTUGAL | 09.10.2017

Noite de outubro a lembrar uma noite de verão e, não sendo britânicas, a pontualidade assim o foi, Simone e Zélia Duncan trouxeram até à cidade do Porto, na passada sexta feira (6), uma enorme festa.

As duas amigas desde o início quiseram deixar claro que nas próximas horas se iria celebrar o amor e a amizade. Sem rodeios, Zelia esclareceu os mais confusos “a ideia é que a gente se emocione juntos”.

“Alguém Cantando” abriu a noite e, para quem se estava a deixar embalar, depressa foi obrigado a despertar com o ritmo de “A Palo Seco”. A forte cumplicidade das duas amigas enchia a atmosfera daquela sala com uma energia incrível, fazendo com que cada pessoa, embora sentada a assistir, tivesse que controlar por absoluto o corpo para que este não se deixasse levar pelo o ritmo contagiante das duas cantoras.

Felizes por regressar a Portugal “A terra de céu aberto. Terra onde a gente sua e a música soa”, acarinharam logo no início da noite a plateia com “A idade do Céu”.

A noite tornou-se nostálgica ao tocar “Amigo é Casa”, tema que deu mote para que as duas amigas se juntassem em palco, há nove anos atrás e, se as vozes de ambas eram bastante fortes, a amizade entre as duas, vista pelo público, conseguia ser mais forte ainda. Seguiu-se “Só se for”.

Naquela noite fizeram-se ainda ouvir temas como “Retrato de Vida”, “Vida da Minha Vida” ou “Tô” que, interpretados à vez por cada uma, fizeram com que o tempo voasse. Esquecido na mala não ficou o brasil africano, isto porque ao tocar “Alma” era certo que a palma direita da mão estava obrigatoriamente a bater na palma da esquerda.

A situação atual do Brasil não ficou esquecida nem capaz de deixar as duas amigas indiferentes. Reforçaram a importância de se pôr um travão à “ignorância que sai do armário”, e de começar a existir “igualdade pra sonhar”. A mensagem era simples mas a convicção com que Zélia Duncan interpretou “No Meu País” ajudou a torná-la ainda mais forte.

Ainda antes de terminarem o concerto, as duas voltam a cantar lado a lado, braço cruzado com braço, e a plateia voltou a juntar-se ao ritmo das duas amigas com “Ralador”.

Por fim, se dúvidas houvesse que as mulheres são bem capazes de dominar o mundo, estas duas amigas, mulheres e de sangue brasileiro esclarecem qualquer uma delas pois, a verdade, é que fizeram da noite de sexta chinelo.

Para acederes à galeria completa, clica aqui.

Texto: Rita Pereira | Fotografias: Bruno Ferreira